UOL Notícias Internacional
 

10/01/2006

Sharon mostra alguns pequenos ganhos médicos

The New York Times
Greg Myre*

Em Jerusalém
O primeiro-ministro Ariel Sharon apresentou alguma melhoria nesta segunda-feira (9/1), respirando por conta própria e movendo ligeiramente seu braço e perna direitos enquanto os médicos israelenses o retiravam do coma induzido.

O processo poderá levar dias, disseram seus médicos.

Os membros da equipe médica de Sharon disseram estar encorajados com o desenvolvimento do quadro, mas enfatizaram que ainda é cedo demais para avaliar qualquer dano ao seu cérebro e que a condição de Sharon continuará "severa e crítica".

"Este é um processo muito, muito gradual", disse o dr. Felix Umansky, o neurocirurgião chefe e líder da equipe que está tratando Sharon no Hospital Hadassah-Ein Kerem. "Nós estamos apenas no início de um longo caminho que ele precisa percorrer."

Os médicos disseram acreditar que Sharon poderá sobreviver ao grande derrame e hemorragia cerebral que sofreu na quarta-feira. Mas o pensamento entre os israelenses é de que Sharon, 77 anos, não será capaz de voltar à vida política. Ainda assim, seus simpatizantes penduraram uma faixa branca na entrada do hospital que dizia: "Ariel Sharon, há mais o que fazer, acorde, por favor".

Sharon tem dominado a política israelense durante seus quase cinco ano como primeiro-ministro e o país se encontra em um limbo à medida que caminha para eleições nacionais em 28 de março.

Ehud Olmert, um aliado próximo de Sharon que passou de vice-primeiro-ministro a primeiro-ministro em exercício, prometeu seguir as políticas de Sharon. Ele não tomou nenhuma decisão importante desde que Sharon foi hospitalizado.

O novo partido centrista de Sharon, o Kadima, era o grande favorito para as eleições de março antes dele ter sofrido o derrame. Pesquisas de opinião indicam que o Kadima ainda está à frente de seus rivais, apesar da campanha ter sido paralisada enquanto os israelenses aguardam cada atualização sobre o estado de Sharon.

Após a hospitalização de Sharon, os médicos ministraram sedativos para colocá-lo em coma e subseqüentemente realizaram três operações nos dois dias seguintes para deter o sangramento em seu cérebro.

A condição de Sharon estabilizou, disseram os médicos, e na manhã de segunda-feira começaram a reduzir a anestesia visando retirá-lo do coma.

Logo depois Sharon começou a respirar por conta própria, apesar de continuar ligado a um respirador por precaução, disseram os médicos.

"Este é o primeiro sinal de alguma atividade em seu cérebro", disse o dr. Shlomo Mor-Yosef, o diretor do Hospital Hadassah.

Mais tarde, os médicos realizaram testes de estímulo a dor, e Sharon moveu ligeiramente sua perna e braço direitos, disse Mor-Yosef. Os movimentos "se tornaram mais e mais substanciais à medida que reduzimos a medicação", acrescentou o médico. A pressão sangüínea de Sharon também subiu em resposta aos testes, o que os médicos disseram ser um sinal positivo.

Mas médicos não envolvidos no atendimento a Sharon disseram que os movimentos notados em seu lado direito não indicam precisamente qual será sua recuperação geral.

O derrame de Sharon ocorreu no lado direito de seu cérebro, que controla o lado esquerdo do corpo. O movimento do lado esquerdo, que os médicos não informaram na segunda-feira, poderá voltar à medida que o anestésico for retirado.

O boletim médico não fez menção à capacidade de Sharon de obedecer comandos verbais, apesar de que tal passo poderá ocorrer mais adiante, disseram médicos independentes. Eles também disseram que esperam que o derrame deixe Sharon com uma séria invalidez.

Os médicos continuarão reduzindo a anestesia e procurando por reações adicionais de Sharon, como a abertura de seus olhos. Mas Umansky disse que Sharon não está fora de perigo.

"No momento em que o primeiro-ministro puder se sentar em uma cadeira e falar conosco, então poderemos dizer que ele não está mais em uma condição séria", disse Umansky.

O líder palestino, Mahmoud Abbas, disse na segunda-feira que as eleições parlamentares palestinas, planejadas para 25 de janeiro, ocorrerão como programadas. "As eleições ocorrerão e, Deus queira, no momento previsto", disse Abbas na Cidade de Gaza.

A liderança palestina alertou que poderia cancelar as eleições, citando a ameaça de Israel de impedir a votação em Jerusalém Oriental. Mas Abbas disse que os Estados Unidos forneceram garantias de que os palestinos seriam autorizados a votar na parte oriental da cidade.

Em um desdobramento relacionado, uma importante autoridade da segurança israelense disse que alguns partidos palestinos -mas não o militante Hamas, que lançou candidatos- seriam autorizados a fazer campanha em Jerusalém Oriental.

Gideon Ezra, o ministro da Segurança Pública de Israel, disse que os palestinos que quiserem fazer campanha em Jerusalém Oriental terão que apresentar um requerimento à polícia.

Falando na Rádio Israel, Ezra acrescentou: "Qualquer um ligado ao Hamas não receberá permissão". O Hamas realizou muitos dos ataques suicidas contra israelenses nos últimos anos e pede pela destruição de Israel.

Ezra não disse se os palestinos seriam autorizados a votar em Jerusalém Oriental, mas a decisão de permitir alguma campanha sugere que Israel provavelmente também permitirá a votação.

Israel capturou a parte oriental da cidade na Guerra Árabe-Israelense de 1967 e então a anexou, uma ação que não foi reconhecida internacionalmente. Os palestinos reivindicam o setor oriental de Jerusalém como uma futura capital.

*Lawrence K. Altman contribuiu com reportagem em Nova York. Médicos acreditam que o primeiro-ministro sobreviva ao grande derrame e à hemorragia cerebral que sofreu na última quarta-feira. Mas o pensamento entre os israelenses é que, aos 77 anos, ele não será capaz de voltar à vida política George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,32
    3,157
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,56
    63.760,62
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host