UOL Notícias Internacional
 

11/01/2006

Nova Orleans divulga projeto para a reconstrução

The New York Times
Gary Rivlin

Em Nova Orleans
A comissão responsável pela formulação do projeto de reconstrução da cidade proporá nesta quarta-feira (11/01) de uma reorganização completa do sistema escolar, a eliminação de um canal de navegação de 120 km --que foi a principal causa do alagamento após o furacão Katrina-- e a criação de um novo centro de jazz.

Cheryl Gerber/The New York Times 
O delta do rio Mississippi na Costa do Golfo foi uma das maiores fontes da inundação

O relatório da comissão, segundo vários participantes, também defenderá a construção de um sistema de trem leve cruzando a cidade, conectando bairros com o aeroporto, o centro da cidade e outros centros comerciais. Este sistema seria adicionado a um sistema de trens pesados que ligaria Nova Orleans à cidade de Baton Rouge (capital do Estado da Louisiana) e ao resto da Costa do Golfo.

O sistema de trens leves, estimado em US$ 3 bilhões (em torno de R$ 6,9 bilhões), deve ajudar a promover o desenvolvimento de áreas da cidade que foram alagadas.

Para esse fim, o projeto recomenda à prefeitura que contrate empresas para construir ao menos quatro comunidades de 1.000 casas ou mais, ao longo das linhas propostas para o trem.

O distrito de jazz seria no centro, uma idéia defendida pelo músico trompetista Wynton Marsalis, membro da comissão e co-diretor do comitê de cultura.

São dezenas de recomendações em um relatório amplo, de sete partes, que deve começar a ser divulgado da quarta-feira pela Comissão Traga de Volta Nova Orleans. O prefeito, C. Ray Nagin, nomeou-a em setembro para planejar a reconstrução.

Como os governos estadual e federal terão grande voz no processo, muitas propostas talvez enfrentem oposição, mas o plano representa o primeiro amplo esforço da cidade de se reerguer.

A proposta mais controversa, divulgada no domingo por The New York Times, permitiria que os moradores voltassem logo a todas as seções da cidade, mas dentro de um ano fecharia os bairros que não alcançassem certo número de moradores.

Um líder da comissão, Joseph C. Canizaro, disse na terça-feira que a proposta tinha sido modificada nos últimos dois dias. Agora, sugere que ninguém volte para os bairros mais prejudicados até junho. Os serviços da cidade provavelmente estarão mais disponíveis então, disse Canizaro, e o tempo extra vai permitir que a prefeitura identifique quem quer voltar e estabeleça equipes de planejamento para cada bairro.

"Minha preocupação", disse ele, "é deixarmos as pessoas com dinheiro consertarem suas casas e depois elas se encontrarem sentadas sozinhas, sem vizinhos."

Até o dia 20 de agosto, segundo o plano, a cidade deve começar a reconstruir os bairros e a adquirir terrenos para projetos públicos como parques. Alguns bairros baixos podem se tornar parques ou pântanos, se não atraírem suficiente construção.

Uma medida que pode determinar se o bairro deve ou não sobreviver pode ser exigir que tenha moradores suficientes para justificar uma escola de ensino médio e duas de ensino fundamental.

Um elemento essencial, disse Canizaro, é formar uma corporação, a Crescent City Recovery Corp., que receberia os fundos federais. Ela teria o poder de comprar e vender propriedades para serem reconstruídas, empregar o domínio eminente e emitir bônus.

Segundo o plano, o conselho dessa corporação deve ter entre 7 e 15 membros nomeados pelo presidente, governador, prefeito e Câmara de Vereadores.

"Se não conseguirmos uma agência de reconstrução logo, não teremos nenhuma chance com a implementação" do projeto, disse Canizaro.

Para criar tal agência, porém, a prefeitura precisa modificar seu estatuto, disse ele.

Ao meio dia de terça-feira, membros da comissão e funcionários da prefeitura estavam freneticamente fechando o projeto, impressionante por sua amplitude. A comissão foi criada para formular um plano mestre de reconstrução de uma cidade que sofreu o que muitos descrevem como o pior desastre urbano da história do país.

A enchente que cobriu 80% da cidade deixou metade das casas debaixo de 1m de águas sujas e lamacentas por semanas, de acordo com uma versão do relatório final, e destruiu grande parte das instalações públicas.

A comissão não conseguiu cumprir o prazo imposto por Nagin, de 31 de dezembro. Os membros disseram que a divulgação do projeto nesta semana deve dar à Casa Branca tempo suficiente para digerir as idéias -que certamente custarão bilhões de dólares federais- antes do discurso presidencial do Estado da União, no dia 20 de janeiro.

Isso assumindo que Nagin adote formalmente as recomendações da comissão.

Algumas propostas, como o sistema de trens leves, foram cogitadas por anos e devem ser recebidas com cepticismo por Washington.

"Talvez estejamos um pouco atrasados, mas tentamos fazer um processo inclusivo e fizemos o melhor que podíamos", disse Barbara Major, que participou do conselho. "Estava sempre consciente que todos naquela comissão também estavam tentando reorganizar suas vidas." Desde a tempestade, Major está morando em um abrigo temporário no Texas, a cinco horas de Nova Orleans.

Logo no início, a comissão criou sete comitês. Liderados por membros da comissão, tinham como equipe vários voluntários. As sete áreas de atuação foram: planejamento urbano, educação, saúde e serviços sociais, infra-estrutura, eficácia do governo e desenvolvimento econômico.

Cada um apresentará os detalhes de seu plano nos próximos 10 dias.

"Em certa altura, não sabíamos se o processo ia funcionar, mas funcionou. Estou me sentindo muito bem com o resultado", disse W. Anthony Patton, membro da comissão.

Para melhorar o sistema escolar -que por muito tempo foi um dos piores do país- a comissão endossou um plano que divide o distrito em grupos de oito a 14 escolas que funcionariam como unidades semi-autônomas, disse Scott S. Cowen, diretor do comitê de educação e presidente da Universidade Tulane.

Antes do furacão, o distrito operava cerca de 120 escolas.

Os grupos escolares teriam a liberdade de determinar tudo, desde a duração das aulas até os currículos e professores.

Agora que as escolas públicas e privadas estão começando a reabrir, a falta de moradias habitáveis é o principal impedimento à volta das pessoas. A comissão vai recomendar à prefeitura que devolva rapidamente ao mercado milhares de casas presas em um limbo legal por causa de problemas de impostos e propriedade.

O governo federal seria convocado a pagar os US$ 12 bilhões (em torno de R$ 27,6 bilhões) para compensar os proprietários de imóveis que perderam suas casas. Se a prefeitura recuperar casas abandonadas em seções que foram menos atingidas, a comissão estima que a cidade possa abrigar mais 37.000 pessoas.

O plano recomenda às autoridades fecharem o Mississippi River-Gulf Outlet, um atalho do rio para o mar que divide a cidade. Conhecido como Mr. Go, o desvio custou US$ 92 milhões (em torno de R$ 211 milhões) e foi proclamado como motor econômico crucial em sua festejada inauguração, nos anos 60. Ele também foi uma importante fonte da água que inundou a parte leste, predominantemente negra de Nova Orleans, quando a tempestade veio da costa.

As autoridades do Porto de Nova Orleans defenderam o desvio como um segmento crítico da indústria de navegação, mas autoridades locais chegaram a um consenso que deveria ser fechado. Além de servir de conduto para água salgada destrutiva para os pântanos de água doce, há anos que é pouco utilizado.

"Não há decisões fáceis aqui", disse Major. "Então, quaisquer que sejam, posso garantir que algumas pessoas não vão gostar." Plano representa primeiro amplo esforço da cidade de se reerguer Deborah Weinberg

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