UOL Notícias Internacional
 

13/01/2006

Aliados europeus se juntam aos EUA em censura ao Irã

The New York Times
Richard Bernstein e Steven R. Weisman

em Berlim
As principais nações da Europa se juntaram aos Estados Unidos na quinta-feira para declarar um fim, por ora, das negociações com o Irã para o desmonte de seu programa suspeito de armas nucleares e exigir que o Irã seja encaminhado ao Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções.

Um anúncio de que os europeus estavam prontos para ir ao Conselho de Segurança foi feito em uma coletiva de imprensa em Berlim, dois dias depois das autoridades iranianas terem removido os lacres monitorados internacionalmente de instalações nucleares envolvidas no enriquecimento de urânio para possível uso em bombas.

"Nossas conversações com o Irã chegaram a um beco sem saída", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em uma coletiva de imprensa após se reunir com seus pares francês e britânico e o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana. "Segundo nosso ponto de vista, chegou a hora do envolvimento do Conselho de Segurança da ONU."

Logo em seguida, em uma resposta aparentemente orquestrada, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, declarou em Washington que os Estados Unidos apoiavam plenamente a ação européia. As ações do Irã, disse ela, "arruinaram a base para negociação".

Mas apesar da nova determinação de americanos e europeus, e muito provavelmente da Rússia e da China, em fazer com que o Irã reverta seu curso na área nuclear, muitos especialistas e diplomatas disseram que o processo para de fato coagir tal passo poderá levar muito tempo e nunca funcionar.

Acredita-se que o Irã esteja a anos de produzir bombas, mas a apenas um ano ou dois de dispor da perícia para fazê-lo, e muitos especialistas dizem que seu governo parece determinado a seguir em frente mesmo se sanções forem impostas e o pais se tornar isolado diplomaticamente. Não há sinal de que os principais países estariam prontos para impor a sanção suprema, a suspensão das compras de petróleo, porque tal medida faria o preço do petróleo disparar, possivelmente prejudicando a economia mundial.

Mas diplomatas americanos e europeus disseram que vários dias de diplomacia intensa os convenceram de que a Rússia e a China se juntariam a um crescente consenso de que o conselho da Agência Internacional de Energia Atômica, composto de 35 países, deve encaminhar a questão do Irã ao Conselho de Segurança, mesmo que apenas para registrar uma condenação quase mundial ao governo de Teerã.

Um alto funcionário do Departamento de Estado em Washington disse que a Rússia indicou que não se oporá ao encaminhamento pela agência, mas que o Ocidente está tentando fazer com que a Rússia vá mais além e vote "sim".

Rice falou na quinta-feira sobre o assunto com o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey V. Lavrov, como já fez anteriormente nesta semana. Lavrov disse em Moscou que a Rússia estava apostando alto no cumprimento pelo Irã das regulações internacionais para desenvolvimento nuclear.

"O Irã removeu os lacres da instalação de enriquecimento de urânio e portanto consultas urgentes são necessárias", disse Lavrov, segundo a agência de notícias "Inter-fax".

O alto funcionário do Departamento de Estado disse: "Eu não estou dizendo que a Rússia está na coluna 'sim', mas está se movendo nesta direção". Se a Rússia optar pela abstenção ou mesmo votar "sim", disseram diplomatas americanos e europeus, a China provavelmente a acompanhará e haverá uma maior chance de aprovação de uma medida anti-Irã pela Índia, Brasil e outros chamados membros não-alinhados do conselho da agência de energia atômica.

A medida para encaminhamento ao Conselho de Segurança não necessariamente significa que o conselho imporá sanções sem dar uma nova chance a uma solução negociada do assunto, disseram vários diplomatas. Uma ação inicial simplesmente condenando o Irã e exigindo que mude seu comportamento, com a ameaça de punição ao fundo, parece o passo mais provável assim que o assunto chegue ao conselho.

"Nós sempre dissemos que ir ao Conselho de Segurança não é um fim em si mesmo, e não um sinal do fim das negociações", disse Robert Joseph, o subsecretário de Estado americano para controle de armas e segurança internacional. "Ir ao conselho oferece uma série de opções que podem ser usadas para tentar fazer o Irã mudar de curso."

A campanha para aumentar a pressão sobre o Irã envolveu telefonemas de Rice e seus principais assessores e planos para uma reunião extraordinária em Londres, na segunda-feira, de importantes representantes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia.

Funcionários americanos disseram que esta reunião discutiria estratégia para uma resolução visando o encaminhamento da questão ao Conselho de Segurança, para ser adotada em uma reunião de emergência do conselho da Agência Internacional de Energia Atômica no final deste mês. Autoridades americanas e européias disseram estar preparadas para serem flexíveis tanto no prazo da resolução quanto nos seus termos, para obter o número máximo de países a bordo.

Mas permanecia uma preocupação entre alguns diplomatas ocidentais de que apesar da Rússia e China parecerem dispostas a se abster em uma resolução encaminhando o assunto ao Conselho de Segurança, estes países poderiam exigir adiamentos ou mudanças abrandando os termos, o que minaria o esforço.

A possibilidade de mais negociações com o Irã, talvez em breve, foi levantada novamente pelo secretário-geral a ONU, Kofi Annan, que disse na noite de quinta-feira que tinha conversado pouco antes com o negociador-chefe nuclear do Irã, Ali Larijani, para evitar um confronto.

O Irã ainda está interessado em "negociações sérias e construtivas", disse Annan, acrescentando que a única solução viável para a disputa com o Irã era "uma negociada".

Mas diplomatas americanos e europeus viam pouca chance de conversações com o Irã tão cedo, pelo menos não até o Irã dar grandes passos para evitar um confronto, como voltar à sua suspensão da conversão de urânio bruto em gás, e o enriquecimento deste gás em uma forma concentrada que poderia ser usada como combustível nuclear ou uma bomba.

Por dois anos, os Estados Unidos têm declarado repetidamente que após muitos casos de fracasso do Irã em revelar suas atividades nucleares para inspetores internacionais, sua conduta deveria estar sujeita a condenação ou sanções pelo Conselho de Segurança. Mas até esta semana, os principais aliados europeus dos Estados Unidos se recusavam a endossar tal passo.

Apenas após permitirem que os europeus negociassem com o Irã e oferecessem possíveis incentivos para suspensão de suas atividades, além de encorajarem a Rússia a fazer uma oferta separada de operação de um programa conjunto de enriquecimento de urânio em solo russo, os Estados Unidos uniram estas partes para uma pressão aberta.

Em Teerã, as autoridades expressavam raiva contra os europeus antes mesmo destes anunciarem seus planos de encaminhamento ao Conselho de Segurança. "Tabus coloniais" não impedirão o Irã de desenvolver suas capacidades nucleares, disse o ex-presidente Hashemi Rafsanjani para a rádio estatal. Rafsanjani,. que atualmente chefia o poderoso Conselho Expediente, também disse que o impasse com o Ocidente "atingiu seu clímax", segundo uma reportagem da agência de notícias "The Associated Press" em Teerã.

O Irã tem repetido que tem o direito de desenvolver combustível nuclear em seu próprio solo, mas o Ocidente argumenta que o país perdeu tal direito devido ao seu hábito de ocultar suas atividades. George El Khouri Andolfato

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