UOL Notícias Internacional
 

13/01/2006

Discordância em torno do simbolismo do memorial de 11 de setembro

The New York Times
David W. Dunlap

em Nova York
O coração do memorial do World Trade Center foi transplantado.

Documentos sobre o projeto, divulgados na semana passada pela Lower Manhattan Development Corp., deixaram claro que milhares de restos não identificados das vítimas de 11 de setembro não seriam sepultados no monólito planejado como centro do memorial.

Há dois anos, quando o projeto de Michael Arad e Peter Walker foi exposto, a história era diferente. "Na base da antiga torre norte, os entes queridos vão poder velar privadamente, em uma câmara com um grande vaso de pedra, contendo os restos não identificados das vítimas que descansarão na base do vazio", disse Vartan Gregorian, em nome do júri que escolheu o projeto.

No atual plano, as partes dos corpos serão mantidas em uma sala de ambiente controlado a cerca de 10 m a leste do vaso, sob a supervisão do instituto médico legal. Elas serão facilmente removíveis para novos exames, na medida em que as técnicas de identificação de DNA melhorarem. Um vestíbulo ao lado, aberto apenas aos parentes das vítimas, oferecerá uma visão da sala onde os recipientes com as partes dos corpos serão guardados.

O vaso, com 2,7 metros quadrados e 2,7 m de altura, no centro da câmara principal, será simbólico.

"Não vejo o ponto", disse Diane Horning, presidente do grupo de Famílias do WTC pelo Enterro Adequado. "Nossos entes queridos não estão simbolicamente mortos. Mas tudo que nos foi dado é simbólico."

Edie Lutnick, diretora executiva do Cantor Fitzgerald Relief Fund,
perguntou: "Qual é o propósito? Os restos estão em um depósito de lixo, em Fresh Kills. Agora, no próprio lugar, haverá uma caixa vazia". Ela disse que soube do novo papel do vaso em uma reunião há três meses, sobre outras questões.

Gregorian, presidente da Carnegie Corporation of New York e membro do conselho da fundação memorial, disse que soube a respeito da mudança em um artigo do New York Times, no dia 3 de janeiro. Sem comentar a idéia, ele pediu que fosse feita uma "importante apresentação pública" sobre como o projeto original mudou nos últimos dois anos, como resultado de preocupações de orçamento, engenharia e segurança. Devem ser feitas atualizações regulares, disse Gregorian, "para evitar surpresas, rumores ou especulações" .

Na quarta-feira (11/1), Arad disse que o papel do vaso e salas adjacentes tinha evoluído, particularmente depois que de ter visitado os trailers refrigerados onde o instituto médico legal atualmente armazena as partes dos corpos, na esperança de poderem eventualmente ser identificadas.

"Não vamos enterrar os restos", disse Arad. "Eles têm que se preservados para maior identificação. Essencialmente, estamos mantendo-os em condições controladas."

Ele também disse que soube do instituto médico legal que "muitos membros das famílias queriam ver onde estavam os restos, como estavam sendo guardados."

Perguntado, então, qual era o propósito do próprio monólito, Arad disse: "É um centro, uma base, algo em torno do qual as pessoas podem se reunir."

"Posso imaginar as pessoas deixando flores ou velas em sua base", acrescentou. "As pessoas podem afixar retratos. Não sabemos como vão interagir."

Anne Papageorge, vice-presidente da corporação de desenvolvimento, disse: "Há muitos memoriais e urnas que não contêm os restos de fato, mas que ainda assim servem o propósito simbólico".

Lutnick, porém, disse que não compreendia porque o vaso não podia ter gavetas de um lado, se isso fosse necessário para a retirada de material, e uma pedra sólida dos outros lados, com toda a tumba fechada por material transparente, se tivesse que ser climatizada. "Para mim, eles não parecem estar se esforçando", disse ela.

O professor James E. Young, da Universidade de Massachusetts, especialista em memoriais que participou do júri do memorial, disse: "Talvez um pequeno vaso com restos não identificados pudesse ser sepultado no grande vaso 'simbólico', representando os restos guardados em outra sala."

(Apesar de ter sido sugerido que algum material do aterro de Fresh Kills em Staten Island fosse depositado no vaso, Horning disse que isso seria "excluir a possibilidade de enterro adequado de todos os restos".)

Falando do monólito, Young disse em um e-mail: "Sempre adverti contra tornar essa característica central demais no memorial, porque o significado dos restos varia enormemente entre diferentes tradições religiosas. Sei que, em algumas comunidades cristãs, um vaso com restos (uma urna com cinzas, por exemplo) ocupa um local proeminente na memória dos mortos. Por outro lado, a tradição judia ortodoxa condena certos religiosos de passarem por cemitérios, onde quer que haja restos humanos. A forma de avançar, portanto, será provavelmente encontrar um equilíbrio ou acordo entre os papéis literal e simbólico do vaso mortuário".

Ele não disse que seria fácil. Deborah Weinberg

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