UOL Notícias Internacional
 

13/01/2006

Orgia de aparelhos para geeks pós-Natal

The New York Times
David Pogue
em San Francisco
Se você é um nerd, geek ou fanático por aparelhos, o que sobe à cabeça durante as festas de fim de ano não são as bebidas e doces. É a proximidade das duas maiores feiras de tecnologia que abrem o novo ano com uma apresentação estonteante de novos produtos eletrônicos.

Primeiro, um número recorde de 150 mil jornalistas e pessoas da indústria chegaram a Las Vegas para a Consumer Electronics Show -e depois um bom número deles voou para San Francisco para a Macworld Expo, uma vitrine de todas as coisas da Apple.

Isto se lhes tiver restado alguma força; a feira de Las Vegas é extenuante. Você tem 33 horas em quatro dias para explorar 2.500 estandes de empresas; isto representa 1,26 estandes por minuto.

De certa forma, um melhor nome para o evento deste ano seria Video Electronics Show; a indústria de eletrônicos acredita que o apetite do público por assistir televisão, sempre que possível, é insaciável.

Havia, por exemplo, um prédio inteiro dedicado a entretenimento automotivo: telas planas na parte traseira dos assentos, na parte traseira do quebra-sol, na parte interna de portas, no porta-malas e até mesmo no painel. O protótipo da Sharp de uma tela de cristal líquido "dual-view" pode até mesmo mostrar simultaneamente uma imagem para o motorista (como uma tela de navegação de sistema de posicionamento global) e outra para o passageiro (como um filme de DVD).

Telas de TV planas para o lar era a categoria de produto mais visível; e, como de costume, elas estão maiores e menos caras do que os modelos do ano passado. A Panasonic e a LG Electronics exibiram, cada uma, uma tela de plasma identificada como sendo a maior do mundo (103 e 102 polegadas, respectivamente). Nenhuma delas ainda está à venda, mas o plasma está na
parede: neste ritmo, não demorará muito até as telas de home theater se tornarem maiores do que as telas de cinema reais.

A Canon e a Toshiba apresentaram uma nova tecnologia de tela plana que foi o assunto da feira: algo chamado SED ("surface-conduction electron-emitter display", painel de emissão de elétrons em superfície condutora). Ela oferece uma qualidade superior de imagem e pretos mais fortes do que de um tubo de televisão convencional, com o perfil fino de uma TV de plasma.

A qualidade de vídeo assombrosa do SED impressionou a todos, de consumidores comuns a engenheiros de empresas rivais, e é fácil ver por que os fabricantes alegam que o SED é o futuro da televisão. A Toshiba disse que colocará no mercado uns poucos modelos de 55 polegadas neste ano, apesar de reconhecer que o preço, a princípio, estará no território de "se tiver que perguntar, você não pode comprar".

Muitos estandes exibiam logos de Blu-ray e HD-DVD, os dois formatos rivais incompatíveis para a próxima geração de DVD de alta definição.

O campo do Blu-ray conta com uma lista maior de endossos de estúdios de cinema. Mas o campo do HD-DVD argumenta que seu primeiro player, da Toshiba, chegará mais cedo (março) e custará metade do preço (US$ 500). Nenhum campo parece ter entendido que a maioria dos consumidores não comprará nada até que a guerra do formato tenha acabado.

O outro grande tema da feira foi a ascensão do conglomerado de serviços de Internet/software; os grandes discursos e alguns dos maiores estandes foram apresentados pela Microsoft, Google e Yahoo. Elas anunciaram uma variedade desconcertante de novos serviços, muitos ligados, novamente, com o hábito de assistir TV.

O Google, por exemplo, apresentou o Google Video, um "mercado aberto de vídeo" que permite que qualquer um, de emissoras de TV a pais orgulhosos, postem videoclipes para que todo mundo veja -por uma taxa, se o criador assim decidir. A Microsoft demonstrou mais outro serviço de música online, criado com a MTV, assim como um serviço de download de filmes chamado Vongo, abastecido pela Starz Entertainment.

A Apple não participa da Consumer Electronics Show, mas sua influência é visível em toda parte. A aparência dos music players de bolso, por exemplo, estava infinitamente mais próximas de alcançar o design estiloso, esguio, do iPod (apesar do software ainda estar a quilômetros de distância). Dezenas de videoplayers handheld também foram exibidos para acomodar os serviços de download de vídeo como o do iTunes.

E ocorreu a demonstração do Vista da Microsoft, a nova versão do Windows que deverá estar disponível no final do ano. Durante a apresentação de abertura de Bill Gates, a maioria dos novos elementos demonstrados eram idéias tiradas de forma pouco disfarçada do Mac OS X da Apple.

Elas incluem uma busca por todo sistema (como o Spotlight da Apple), pastas de busca (pastas que se auto-atualizam e que revelam arquivos que atendem certos critérios), imagens thumbnail (não apenas os nomes) de janelas minimizadas, uma tecla tridimensional que alterna janelas, um módulo de separação de fotos como o iPhoto e uma constelação de programas (pequenos, de uma única janela e único propósito, como calculadoras e painél de notícias).

Na apresentação de abertura da Apple, na Macworld Expo, Steven P. Jobs começou recitando números de vendas. O número de iPods vendidos durante as festas: 14 milhões. (Total até o momento: 42 milhões, o suficiente para cobrir 14% da população americana com iPods.)

Em seguida veio o anúncio de um iPod de US$ 50 com rádio FM inserido e uma suíte atualizada iLife de software de criação (iPhoto, iMovie, iDVD, GarageBand e um novo programa de design de Internet chamado iWeb).

A esta altura, a audiência presente de fãs de olhos arregalados do Mac prendia sua respiração. Qual seria a grande surpresa a ser revelada? Segundo sites dedicados a rumores da Apple, a revelação seria uma central multimídia ao estilo TiVo baseada no Mac Mini. Ou talvez um celular da Apple. Ou um novo programa processador de imagens. Um iPod Shuffle com tela. Um novo iMac. Ou, a mais implausível de todas, uma TV de plasma.

Jobs pegou todos os palpiteiros de surpresa apresentando um novo iMac e laptop PowerBook, agora rebatizado de MacBook Pro. Na sacada mais esperta, o cabo de força preso magneticamente se solta instantaneamente se puxado, em vez de arrastar o laptop ao chão.

Estas máquinas parecem quase idênticas às suas antecessoras. A diferença está dentro: um processador CoreDuo, o sucessor recentemente anunciado pela Intel para o chip Pentium. A Apple anunciou anteriormente que começaria a substituir os chips PowerPC em seus Macs por chips Intel em junho de 2006. A surpresa foi a antecipação em seis meses e a escolha dos primeiros modelos a serem renovados.

Estas máquinas deixam claro por que a Apple fez esta troca radical dos chips PowerPC (da IBM e da Freescale, a empresa derivada da Motorola) que moviam os Macs há anos: os novos Macs são muito, muito mais rápidos, mas custam exatamente o mesmo (a partir de US$ 1.300 para o iMac, US$ 2 mil para o MacBook Pro).

A Apple disse que segundo medições técnicas, o novo laptop, por exemplo, é quatro vezes mais rápido do que o modelo anterior. No mundo real, mesmo alguns poucos minutos de teste destes Macs provam que páginas de Internet aparecem quase instantaneamente, grandes acervos de fotos rolam rapidamente e programas são abertos após um segundo ou dois. Estes Macs até mesmo são inicializados mais rapidamente -tão rapidamente que o grande logo da Apple faz apenas uma aparição fugaz.

Mas há um obstáculo: você só obtém toda esta velocidade quando rodar programas que foram escritos especialmente para o chip Intel.

A Apple já reescreveu o Mac OS X e sua constelação de programas (como seu programa de e-mail, browser de Internet e suite iLife). Outros programas, incluindo o Office da Microsoft e o Photoshop, ainda funcionam -os novos Macs traduzem perfeitamente os programas mais velhos de forma que o chip Intel possa processá-los -mas rodam na velocidade antiga ou até mais lentamente.

A Apple alerta que programas que exigem velocidade, como software profissional de edição de som e vídeo, podem não funcionar no modo tradução. Isto inclui o próprio Final Cut Pro da Apple, Aperture e outros programas de ponta, mas a Apple disse que você poderá migrar para as versões baseadas em Intel em março, por US$ 50 cada.

Se tais programas forem críticos para seu trabalho, espere até serem atualizados para falar a linguagem do chip da Intel antes de comprar um Mac baseado em Intel.

A Apple planeja trocar todos os seus modelos de Mac para processadores Intel até o final do ano. De forma intrigante, eles todos serão capazes de reinicializar em Windows da Microsoft -não usando uma cópia de loja, mas talvez com a assistência de um kit de software escrito por algum programador empreendedor.

Nenhum destes modelos ostentará o logo "Intel Inside", e a propaganda da Apple não incluirá o riff de cinco notas da Intel. Analistas disseram que a Apple perde assim milhões de dólares de marketing da Intel; por outro lado, é difícil imaginar a Apple conciliando aquele logo com seu orgulho e apreço por design limpo.

Poder escolher é bom, é claro. Mas opções demais podem ser paralisantes. E se a Consumer Electronics Show e a Macworld Expo servirem de referência, 2006 não será apenas o ano da TV e música em toda parte; também poderá ser o ano da tomada de decisão de tecnologia se tornar um emprego de tempo integral. George El Khouri Andolfato

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