UOL Notícias Internacional
 

14/01/2006

Bush pede esforço internacional para impedir ambições nucleares do Irã

The New York Times
John O'Neil
O presidente Bush disse na sexta-feira que é importante o mundo trabalhar junto para assegurar que o Irã não desenvolva uma arma nuclear para "chantagear e ameaçar o mundo".

Falando em uma coletiva de imprensa na Casa Branca com Angela Merkel, a chanceler alemã, Bush endossou a decisão da Alemanha, França e Grã-Bretanha, na quinta-feira, de encerrar suas negociações com o Irã em torno de seu programa nuclear. Os três países exigiram que a Agência Internacional de Energia Atômica encaminhe o assunto para o Conselho de Segurança da ONU para possíveis sanções.

Autoridades em Teerã reagiram furiosamente na sexta-feira ao anúncio europeu, dizendo que se o assunto for enviado ao Conselho de Segurança o país suspenderá o direito dos inspetores nucleares de realizarem inspeções repentinas.

O embaixador da China na ONU também pediu cautela na busca de tal encaminhamento, alertando que "poderá complicar o assunto", segundo a agência de notícias "The Associated Press".

Autoridades americanas e européias disseram na quinta-feira que precisam proceder lentamente nas sanções, porque Rússia e China poderiam vetá-las. Ambos os países pediram ao Irã que pare a pesquisa nuclear retomada nesta semana, mas nenhum endossou um pedido por sanções.

Na sexta-feira, Bush acentuou que os Estados Unidos trabalharão por uma resolução diplomática e que nenhuma decisão foi tomada sobre buscar sanções.

"Eu não vou prejulgar o que o Conselho de Segurança (da Organização) das Nações Unidas deve fazer", disse ele, "mas eu reconheço que é lógico que um país que tenha rejeitado pedidos diplomáticos deva ser encaminhado ao Conselho de Segurança da ONU".

A Rússia concordou no início desta semana que não bloquearia um encaminhamento ao Conselho de Segurança, mas a declaração do embaixador da China na ONU, na sexta-feira, indicou que mesmo este passo preliminar para as sanções não contará com apoio universal.

"Isto poderia tornar as posições de algumas partes mais difíceis nesta questão", disse o embaixador, Wang Guangya.

De fato, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse na sexta-feira que o encaminhamento do assunto ao Conselho de Segurança forçaria o Irã a "encerrar sua cooperação voluntária" com a Agência Internacional de Energia Atômica, uma referência às inspeções repentinas que o Irã aceitou em 2003, após admitir que tinha enganado anteriormente os inspetores. Autoridades iranianas disseram que a nova rodada de pesquisa nuclear atenderia as regras da agência de outras formas, incluindo a vigilância de câmeras já instaladas.

Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, o ex-presidente que é chefe de um importante conselho do governo, disse durante as orações do início de noite que o Irã decidiu "ignorar as ameaças e empenhar nossos esforços em atingir o que pretendemos".

A chanceler Merkel da Alemanha, durante a coletiva de imprensa de sexta-feira que se seguiu ao seu primeiro encontro com o presidente Bush desde que assumiu o cargo, disse: "Nós não seremos intimidados por um país como o Irã".

Merkel disse que o esforço diplomático agora se concentrará em alistar "um grande número de Estados membros".

"Será crucial para que os iranianos vejam o quanto isto é sério", disse ela.

Os Estados Unidos e os três países europeus se reunirão na segunda-feira em Londres juntamente com Rússia e China.

A mensagem que tal coalizão transmitirá, ela disse, é: "Vocês estão tentando mentir para nós, vocês estão tentando trapacear e isto é inaceitável".

Os países europeus iniciaram negociações com o Irã em 2002, após a descoberta de um programa nuclear secreto. O Irã concordou em suspender seu programa e os europeus ofereceram assistência econômica e outras em troca de uma solução que evitaria qualquer enriquecimento de urânio pelo Irã.

Desde a eleição de um governo mais conservador em agosto, o Irã adotou uma linha mais dura. O atual conflito foi provocado pela decisão do país de retomar sua pesquisa nuclear, incluindo o trabalho com as centrífugas usadas para enriquecer urânio.

Tanto o presidente Bush quanto a chanceler Merkel se referiram na sexta-feira aos recentes comentários do presidente conservador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que desde que assumiu o governo tem pedido pela destruição de Israel e chamado o Holocausto de mito.

"Eu quero lembrar a vocês que o atual presidente anunciou que a destruição de Israel faz parte de sua agenda", disse Bush. "Armas nucleares o deixariam mais próximo de atingir tal objetivo." Bush disse na sexta-feira que é "inaceitável" o Irã conduzir pesquisa que "desenvolveria o conhecimento" necessário para a criação de uma arma atômica.

O diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei, declarou que qualquer pesquisa que possa levar ao enriquecimento de urânio cruzaria uma "linha vermelha" e levaria ao encaminhamento ao Conselho de Segurança. Assim que os iranianos aprenderem como usar as centrífugas para enriquecer até mesmo pequenas quantidades de urânio, disseram membros da agência, tudo o que precisariam fazer para criar urânio para armas é expandir o projeto.

Apesar da nova determinação de americanos e europeus, e muito provavelmente da Rússia e China, em fazer com que o Irã reverta o curso no campo nuclear, muitos especialistas e diplomatas disseram que o processo para de fato coagir o Irã a dar tal passo poderá demorar e nunca funcionar.

Acredita-se que o Irã esteja a anos de produzir bombas, mas a apenas um ano ou dois de dispor da perícia para fazê-lo. Por sua vez, o governo iraniano diz que apenas está fazendo o que lhe é permitido segundo o Tratado de Não-Proliferação Nunclear. "O Irã não precisa da permissão de qualquer país" , disse Mottaki na sexta-feira. "É nosso direito legítimo ter tecnologia nuclear."

Mottaki protestou na sexta-feira da posição do Ocidente do que a pesquisa de técnicas de enriquecimento de urânio é inaceitável.

"Eu aconselho os países europeus a separarem a questão da pesquisa da produção de combustível nuclear", disse ele, "e não promovam tamanha propaganda em torno da questão da pesquisa, que já foi sujeita injustamente a suspensão".

O fim da cooperação ameaçado por Mottaki na sexta-feira se refere ao acordo voluntário acertado pelo Irã após a revelação de seu programa secreto.

Segundo o acordo, inspetores nucleares tinham o direito de conduzir inspeções repentinas. Mas no outono passado, à medida que as tensões começaram a crescer, o Parlamento iraniano aprovou um lei declarando que as inspeções repentinas terminariam se a disputa fosse encaminhada ao Conselho de Segurança. "O governo deve cessar todas as medidas voluntárias de cooperação segundo a lei", ele disse.

Mottaki disse que os europeus "devem reconhecer o direito do Irã de realizar pesquisa nuclear para fins pacíficos".

Em troca, ele disse, "Teerã terá que fornecer explicações claras sobre seu programa nuclear e acalmar as preocupações da Europa".

Muitos especialistas ocidentais disseram que Teerã parece determinada a seguir em frente mesmo se sanções forem impostas e o país ficar isolado diplomaticamente. Não há sinal de que os principais países estejam prontos para suspender as compras de petróleo, porque tal medida faria o preço do petróleo disparar, possivelmente prejudicando a economia mundial.

A medida de encaminhamento ao Conselho de Segurança não necessariamente significa que o conselho imporá sanções sem dar uma nova chance a uma solução negociada para o assunto, disseram vários diplomatas. Uma ação inicial simplesmente condenando o Irã e exigindo que mude seu comportamento, com a ameaça de punição ao fundo, parece o passo mais provável assim que o assunto chegue ao conselho.

Declarações da França e da Alemanha na sexta-feira ressaltaram o desejo de não deixar a impressão de que seus países estavam pedindo imediatamente por medidas punitivas.

"A questão de sanções é prematura", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, segundo a agência de notícias "France-Presse" O porta-voz acrescentou que é necessário proceder "passo a passo".

A possibilidade de mais negociações com o Irã, talvez em breve, foi levantada novamente pelo secretário-geral a ONU, Kofi Annan, que disse na noite de quinta-feira que tinha conversado pouco antes com o negociador-chefe nuclear do Irã, Ali Larijani, para evitar um confronto.

O Irã ainda está interessado em "negociações sérias e construtivas", disse Annan, acrescentando que a única solução viável para a disputa com o Irã era "uma negociada".

Mas diplomatas americanos e europeus viam pouca chance de conversações com o Irã tão cedo, pelo menos não até o Irã dar grandes passos para evitar um confronto, como voltar à sua suspensão da conversão de urânio bruto em gás, e o enriquecimento deste gás em uma forma concentrada que poderia ser usada como combustível nuclear ou uma bomba.

Por dois anos, os Estados Unidos têm declarado repetidamente que após muitos casos de fracasso do Irã em revelar suas atividades nucleares para inspetores internacionais, sua conduta deveria estar sujeita a condenação ou sanções pelo Conselho de Segurança. Mas até esta semana, os principais aliados europeus dos Estados Unidos se recusavam a endossar tal passo.

Apenas após permitirem que os europeus negociassem com o Irã e oferecessem possíveis incentivos para suspensão de suas atividades, além de encorajarem a Rússia a fazer uma oferta separada de operação de um programa conjunto de enriquecimento de urânio em solo russo, os Estados Unidos uniram estas partes para uma pressão aberta. George El Khouri Andolfato

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