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18/01/2006

Um programa em 10 etapas rumo ao Esplendor

The New York Times
Paul Schneider*
Especial para o NYT
É relativamente fácil sustentar um saudável desdém pelo notório esplendor da ilha caribenha de St. Barthelemy, até chegar o momento em que você realmente está lá, mergulhado até o pescoço nas mornas águas em azul-turquesa, sem estar com muita fome após seu recente almoço que durou duas horas mas já começando a fazer planos para os próximos drinks e o jantar. É quando lhe ocorre que não é tão mau assim ser jovem, belo, rico e estar na moda. "Sim, aqui estou eu", você diz enquanto suavemente se infla de orgulho, a ponto de flutuar. "Eu realmente preciso de um relógio IWC; e possuirei aquelas sandálias 'havaianas' da Prada."

Phillippe Diederich/The New York Times 
Turistas aproveitam a cerveja e o sol de verão na praia de La Saline, em St. Barts

Mais tarde, enquanto você percorre essa pequena ilha cheia de escarpas, explorando recantos de onde descortina vistas deslumbrantes de uma costa árida e pedregosa com seus belos arcos arenosos, observando outras ilhas misteriosas à distância, você é capaz de ouvir o vento sussurrando em seus ouvidos "Entregue-se, Entregue-se". Ao anoitecer, os pássaros cantam "A vida é boa, A vida é boa", e mais tarde as ondas lá fora do quarto entoam "Você é lindo, Você é lindo".

"Eu sei", você responde meio abobado, " e isso tudo é culpa de St. Barts".

Esse é o lugar. Em pleno Ano Novo, nada menos, junto com meus amigos, os Perelman-Barkins e Patrick Demarchelier, e olha só, ali agora está meu camarada Jay-Z, e de repente "Giselle! Há quanto tempo! Como você está linda!"

Esse não é um estado que se alcança de uma hora para outra, mas há determinadas etapas que você pode cumprir, locais onde você pode repousar e se ajoelhar, como nas sacras estações da cruz, no caminho para alcançar essa condição paradisíaca de um veterano de St. Barts. Nem vai levar tanto tempo quanto você pensa, e talvez nem custe tanto dinheiro, embora um cartão de crédito seja bem útil.

"É isso aí, St. Barts, estou aqui finalmente, voltei para o meu lugar."

Etapa 1: Com tranqüilidade

Quanto às acomodações, o belo e pequeno Hotel St.-Barth Isle de France perdeu a condição de lugar mais bem cotado para os chalés do Hotel Guanahani & Spa, que por sua vez foi recentemente destronado pela excelente repaginada que Christian Liaigre deu no Hotel Le Sereno.

Mas, entre os três, o Hotel St.-Barth, na praia de Flamands, ainda é o mais bem localizado, e se você estiver a fim do melhor sanduíche de 28 dólares da ilha, com direito a um casual desfile de trajes de banho, o restaurante panorâmico é o lugar perfeito para entrar na cena local.

É só repetir este mantra: "Eu não preciso ir aonde as coisas estão acontecendo; as coisas estão acontecendo aonde quer que eu esteja". Oui, vou tomar vinho rosé no almoço. Oui, depois vou tomar um café espresso, você vai pensando, enquanto que para o resto da tarde, após o vôo, tudo o que você tem a fazer é vestir um calção de banho e ir para uma das praias mais próximas.

Etapa 2: Quanto mais melhor

Os almoços são longos e os jantares acontecem bem tarde em St. Barts, e quando chegar a hora da sua segunda maior refeição do dia - depois daquele soninho revigorante entre uma e outra - haverá uma boa variedade de restaurantes para escolher. Escolha uma mesa na varanda do Le Bete a Z'ailes, um dos poucos restaurantes no belo porto retangular de Gustavia.

É um lugar moderno todo em bambus que sempre tem boas duplas tocando no bar a céu aberto. Enquanto você belisca uns grãos edamame e espera pelos peixes em maki e sashimi - sempre com o habitual design caprichado - a conversa será sobre as últimas tendências em roupas e acessórios náuticos que rolam no porto.

"Será que essa aí é da grife Diddy's ou Valentino?" "Nem pensar, Valentino é demais aqui para o porto", diz um amigo que sabe das coisas.

"Então pra você Valentino é mais poderoso que Diddy's."
E a polêmica rola assim, até o sakê acabar.

Etapa 3: Reequilibrando a química interna

Se a primeira coisa que você precisa de manhã, depois de avançar pela noite na véspera, é uma boa dose de chocolate, vá até a padaria Petite Colombe em Lorient. Fiéis à sua clássica seleção de sobremesas francesas, a equipe que trabalha na padaria tem aquela atitude arrogante com quem não fala bem francês.

O que eles não têm --é um artigo quase impossível de se encontrar na ilha-- é um bom leite espumante (seria italiano demais). Para isso você terá que ir ao Maya's to Go, na direção do aeroporto. (Aliás, esse é também um grande lugar para pedir comida e levar em embalagens, caso tenha que esperar muito pela conexão no aeroporto de St. Maarten antes de ir para casa.)

Etapa 4: Uma "raison d'etre"

Em algum instante tolinho antes de sair de casa você pode ter se prometido que resistiria aos seus impulsos consumistas em St. Barts. Até mesmo na sexta-feira, em sua segunda noite na ilha, você pode ter dito a mesma coisa. Mas, ao raiar do segundo dia, você poderá se dar conta em Gustavia que não há diferenças significativas entre o euro e o dólar, o que faz os preços parecerem mais razoáveis, pelo menos em termos marginais.

Talvez você esteja em The House, procurando por uma estátua de Buda para o amigo que ficou tomando conta de seu cachorro. Ou na Maryvonne & Gerard experimentando um belo colar de pérolas do tamanho de bolotas, ornadas num simples colar de couro. Ou em qualquer uma das grandes lojas de marcas internacionais, sendo a primeira delas a Hermes.

E se você definitivamente precisa se envolver numa nuvem de auto-satisfação, há também instigantes lojas de charutos cubanos no final da rue de la Republique.

E quando você se cansar de se dizer "Eu não deveria mesmo ir às compras", você poderá se render a lojas de St.-Jean que têm preços mais razoáveis. Experimente em especial a Sabina Zest, onde sedutores tops em tie-dye, entre outras atrações, são produtos típicos fabricados lá mesmo na ilha.

Haveria grandes possibilidades de você ou sua companhia de viagem passarem um dia inteiro nas lojas de St. Barts; mas felizmente todas as lojas fecham para o almoço, entre meio-dia e por volta das duas da tarde.

Etapa 5: Ver e Ser Visto

As pessoas que têm freqüentado St. Barts desde o início de sua reinvenção nos frenéticos anos setenta, quando era uma ilha absolutamente pobre e desconhecida --isto é, os que se lembram do tempo em que os nativos abatiam seu gado ao ar livre, onde hoje em dia fica a boutique da Cartier-- empinam seus narizes no clube da praia Nikki, na baía de St.-Jean. "Está tudo padronizado", dizem de jeito blasé, numa referência aos restaurantes-irmãos que se espalham por St.-Tropez e por outras partes do mundo.

A música disco que rola em Nikki é mesmo muito pasteurizada, e o povo na pista é decididamente daquele tipo "Eu não paguei tantos euros para ter esses peitões e deixá-los na garagem, sem exibição".

Mas, afinal de contas, aonde mais você poderia se refestelar num divã forrado ao estilo de Cleópatra depois de saborear seu tartare de atum? Querida, aqui você pode ser tão fabulosa quanto quiser.

Etapa 6: Imersão Completa

Diz a tradição que no final da trilha que vai para a praia de Saline, a maior e melhor da ilha, na costa sul, você deve tomar uma decisão quanto ao estilo de sua vida.

O povo todo no canto mais à direita na praia é gay e está, digamos, pelado em potencial. A turma que está no canto esquerdo é heterossexual e meio-pelada em potencial. Mas as regras não são rígidas em nenhum dos dois lados e, onde quer que você venha a colocar a sua toalha, logo ficará à vontade, como qualquer outro mamífero aquático flutuante sob o céu de anil. E não esqueça de passar o protetor solar em todas as regiões recém-expostas.

Etapa 7: Bebidas da Temporada

Comece a noite num estilo bem moderno e clean, num bar de martinis debruçado sobre a prainha de Grand Cul de Sac, no Le Sereno. Ou no estiloso deck do hotel Eden Rock. Ou no implacavelmente monocromático Zanibarth.

Ou no badalado bar chamado Do Brasil, à beira-mar. Ou então no "barco" de seu novo amigo de infância, com 150 pés. Mas é melhor você não experimentar todos esses bares em sequência; a noite é mais jovem do que você.

Etapa 8: Nostalgia Instantânea

Quanto mais as coisas ao redor mudam, mais igual permanece o Maya's (o restaurante, e não o Maya's de entrega rápida), e é assim que preferem os freqüentadores assíduos de St. Barts, como você. Lá depois das docas comerciais de Gustavia, e com um amplo salão de jantar a céu aberto diante do mar, esse foi realmente um dos primeiros bons restaurantes abertos na ilha, ganhando uma reputação pelo cardápio pouco badalado mas cheio de sabores, que sempre inclui os peixes frescos locais.

Mas você preferiu os espetos de frango grelhado feitos num delicioso molho de leite de coco, e quando a conversa de repente mudou para os assuntos de guerra e economia, olhou lá para o porto mais afastado, para as luzes cintilantes dos transatlânticos que são grandes demais para caber no porto mais interno, e começou a ter uns pensamentos subversivos.

Mas, felizmente para todos na mesa, a sobremesa chegou, e a presença do (cantor brega) Jimmy Buffett numa mesa por perto faz com que o assunto mude agradavelmente para as mudanças que ocorreram em St. Barts desde seus dias mais distantes.

Etapa 9: Crédito Extra

Avante soldados Bartianos em direção ao Le Yacht Club, que definitivamente não é o lugar para vovôs de ternos azuis, calças cor-de-rosa e coquetéis fraquinhos às cinco da tarde, que o nome poderia sugerir. Em vez disso, temos a última taça de champagne às quatro da manhã, depois de uma noite na pista de dança que só começou depois da meia-noite.

Etapa 10: Abluções Matinais

A praia de Gouverneur é uma versão menor e mais abrigada de Saline. É a melhor quando o tempo vai se esgotando, porque tudo o que você precisa fazer é ir para a água, sem precisar parar para pensar sobre sua orientação sexual antes de mergulhar.

Você adoraria ficar ali para sempre, adoraria mesmo, mas há tantas coisas importantes lhe aguardando em Nova York, Paris, Hollywood e Milão... Seu jato está lhe aguardando, e o check-in acontece pelo menos uma hora antes do embarque. Vejo vocês todos no ano que vem, queridos, no mesmo lugar.

Fazendo seus planos para St. Barts

  • Como chegar lá

    Se você emprestou seu jato particular para amigos menos afortunados passarem o final de semana e não conseguiu pegá-lo de volta, a maneira mais direta de chegar lá saindo de Nova York é um vôo sem escalas para o aeroporto Princesa Juliana, da ilha holandesa St. Maarten. De lá você pode pegar o ferry boat rápido até St. Barts, (590-590) 27.60.33, se for seguir a teoria de que as ilhas devem sempre ser alcançadas pela via aquática.

    A maior parte dos viajantes, no entanto, prefere pegar um avião menor pela Winair (www.fly-winair.com) ou pela Air Caraibes (www.aircaraibes.com), para poupar tempo e experimentar a emoção de uma dramática aterrissagem no que parece ser a única faixa de terreno plana na ilha.

    Pela Continental, uma viagem de ida e volta do aeroporto de Newark até o final desse mês até St. Barts, incluindo a conexão em St. Maarten, está a partir de U$ 598, e a American Airlines tem vôos a partir de U$ 685, saindo do aeroporto Kennedy.

    Quando em terra firme, você vai querer alugar um carro no aeroporto de uma daquelas empresas internacionais suspeitas de sempre ou então de amigáveis locais, na Soleil Caraibe, (590-590) 27.67.18. Mas, a menos que esteja bem familiarizado com ladeiras, veja se consegue um carro com transmissão automática, e lembre-se que o menor é o melhor nessas estradas tão escarpadas e sinuosas.

  • Onde ficar

    Os preços são referentes ao período que vai do começo de janeiro a abril; mas sobem na época de feriados. Para opções menos caras que estas, dê uma olhada em www.st-barths.com, um site confiável e com opções de última hora, administrado por uma dupla que mora há um bom tempo na ilha e que abrange tudo o que é Bartiano.

    Hotel St.-Barth Isle de France, na baía des Flamands, (590-590) 27.61.81, www.isle-de-france.com. Preços a partir de 680 euros por noite.

    Le Sereno, na praia Grand Cul de Sac, (590-590) 29.83.00, www.lesereno.com. Preços dos quartos a partir de 600 euros por noite.

    Hotel Guanahani & Spa, na praia Grand Cul de Sac, (590-590) 27.66.60, www.leguanahani.com. Quartos a partir de 526 euros por noite.

  • Onde comer

    Le Bete a Z'ailes, porto de Gustavia, (590-590) 29.74.09. Prepare-se para gastar de 40 a 60 euros para duas pessoas.

    La Petite Colombe, Lorient, (590-590) 29.74.30.

    Nikki Beach, na praia St.-Jean, (590-590) 27.64.64. Só nas entradas, gasta-se de 25 a 30 euros.

    Maya's, na praia Pública, (590-590) 27.75.73. Prepare-se para pagar de 60 a 80 euros por pessoa.

    Maya's to Go, a caminho do aeroporto (590-590) 29.83.70.

  • Onde beber

    Le Sereno, veja acima.

    Eden Rock, St.-Jean, (590-590) 29.79.99.

    Zanibarth, St.-Jean, (590-590) 27.53.00.

    Do Brasil, na praia das Conchas, (590-590) 29.06.66.

    Le Yacht Club, rue Jeanne d'Arc, Gustavia, (590-590) 49.25.33.

  • Onde comprar

    The House, rue General de Gaulle, Gustavia, (590-590) 27.88.04.

    Maryvonne & Gerard, rue de la Republique, (590-590) 52.37.68.

    Sabina Zest, Villa Creole, St.-Jean, (590-590) 27.82.82.

    *Paul Schneider é autor do livro "Brutal Journey", que será editado pela Henry Holt em maio, sobre a primeira expedição européia que atravessou a América do Norte, no século 16. Ao anoitecer, os pássaros cantam "a vida é boa, a vida é boa", e mais tarde as ondas entoam "você é lindo, você é lindo". "Eu sei", você responde meio abobado, "isso tudo é culpa de St. Barts" Marcelo Godoy
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