UOL Notícias Internacional
 

19/01/2006

Ataque aéreo dos EUA matou líderes da Al Qaeda, afirmam autoridades do Paquistão

The New York Times
Carlotta Gall e Douglas Jehl*

Em Peshawar, Paquistão
Dois importantes treinadores da Al Qaeda e o genro do líder Nº 2 da organização, Ayman Al Zawahiri, estavam entre os mortos dos ataques aéreos americanos no remoto nordeste do Paquistão, na semana passada, disseram aqui dois oficiais paquistaneses na quarta-feira (18/01). Os corpos dos homens ainda não foram recuperados, mas os dois oficiais disseram que as autoridades paquistanesas foram capazes de estabelecer por meio de fontes de inteligência os nomes dos três mortos nos ataques, e talvez um quarto.

Reuters - 18.jan.2006 
Paquistaneses vasculham casa atingida por mísseis americanos em Damadola nesta quarta

Ambos os oficiais forneceram informação de inteligência confiável no passado, mas nenhum foi citado nominalmente por não estarem autorizados a falar com a imprensa.

Autoridades de contraterrorismo americanas se recusaram a dizer se os quatro membros da Al Qaeda foram realmente mortos no ataque, ou se os homens estavam entre os alvos dele. Mas um funcionário americano disse: "Havia alguns tipos de pessoas que esperávamos que estivessem lá".

Se algum deles ou todos foram realmente mortos, isto seria um duro golpe para as operações da Al Qaeda, disseram funcionários americanos, aos quais foi concedido anonimato por não estarem autorizados por suas agências a falar sobre o assunto. Eles disseram que todos os quatro homens citados pelos oficiais paquistaneses estavam entre o alto círculo interno de liderança da Al Qaeda.

Os oficiais paquistaneses concordaram que as mortes seriam um forte revés para a Al Qaeda nas áreas tribais do Paquistão, mas reconheceram que centenas de militantes estrangeiros ainda podem estar à solta na região.

Os ataques aéreos, que mataram 18 civis, entre eles mulheres e crianças, provocaram revolta no país, particularmente nas regiões tribais autônomas e indóceis, forçando o governo a condenar a invasão de aviões de guerra dos Estados Unidos.

Algumas autoridades e políticos da oposição acusaram o governo de inventar a presença de militantes estrangeiros na área para atenuar a repercussão política. Mas oficiais de segurança paquistaneses têm sido consistentes em seus comentários e parecem cada vez mais confiantes em suas informações. As autoridades americanas, apesar de mais cautelosas, têm repetido praticamente a mesma informação.

Pelo menos um dos homens que as autoridades paquistanesas acreditam que tenha morrido, um egípcio de 52 anos conhecido aqui como Abu Khabab Al Masri, está na lista dos mais procurados dos Estados Unidos com uma recompensa de US$ 5 milhões pela ajuda para sua captura. Seu verdadeiro nome é Midhat Mursi Al Sayid Umar, que segundo o site do governo americano, rewardsforjustice.net, era um perito em explosivos e venenos.

Abu Khabab, diz o site, operava o campo de treinamento da Al Qaeda em Darrunta, perto de Jalalabad, no leste do Afeganistão, e treinava centenas de combatentes. Ele foi responsável pela compilação de um manual de treinamento com receitas para armas químicas e biológicas rudimentares, disse o site.

Acredita-se que outro egípcio, conhecido pela alcunha de Abu Ubayda Al Misri, tenha sido morto, disseram os oficiais paquistaneses. Ele era chefe das operações de insurreição em uma região próxima da área onde os ataques aéreos ocorreram, segundo um dos oficiais paquistaneses.

Como chefe de operações, Abu Ubayda comandava ataques contra as forças americanas em sua parte do sul do Afeganistão, dando treinamento e apoio para grupos rebeldes ativos na área. Ele também servia como ligação para os altos líderes da Al Qaeda, fornecendo logística e segurança para importantes membros da Al Qaeda na região, disse o oficial.

Após a queda do Taleban, Abu Ubayda se mudou para a cidade paquistanesa de Shakai, no Waziristão do Sul, onde comandava um pequeno grupo de árabes, mas deixou a área quando as forças armadas paquistanesas montaram operações contra os militantes estrangeiros ali em fevereiro de 2004, disseram os oficiais.

O terceiro homem que teria sido morto era um marroquino, Abd Al Rahman Al Maghrebi, que é genro de Zawahiri, disseram os oficiais. Maghrebi estava encarregado da propaganda da Al Qaeda na região, e pode ter sido responsável pela distribuição de vários CDs mostrando as atividades de combatentes do Taleban e da Al Qaeda no sul do Afeganistão nos últimos meses.

Um quarto homem, Mustafa Osman, outro egípcio e associado de Zawahiri, também pode ter sido morto, disse um oficial de segurança paquistanês. Mas o destino dele era menos certo. Mais um ou dois militantes estrangeiros podem ter sido mortos, ele disse.

Um dos funcionários americanos disse que outro membro importante da Al Qaeda, identificado como Khalid Habib, podia estar no local do ataque. O nome dele estava circulando entre as autoridades paquistanesas como alguém que poderia ter morrido, apesar de não estarem certos.

Habib é o comandante operacional geral da Al Qaeda no Paquistão e Afeganistão, um posto importante e que seria o mais significativo entre os que estariam no local do ataque, que ocorreu na aldeia de Damadola, por volta das 3h15 da madrugada de sexta-feira.

Após uma investigação inicial do ataque, as autoridade provinciais paquistanesas disseram em uma declaração na terça-feira que entre 10 a 12 militantes estrangeiros teriam sido convidados para um jantar na aldeia na noite do ataque, em 13 de janeiro.

O alvo do ataque, disseram funcionários americanas, era o Nº 2 da Al Qaeda, Zawahiri, mas eles reconheceram que ele não foi morto no ataque e os oficiais paquistaneses disseram que Zawahiri não conseguiu comparecer ao jantar naquela noite.

A declaração das autoridades provinciais paquistanesas dizia que entre quatro a cinco corpos foram retirados dos escombros do bombardeio rapidamente após os ataques e enterrados secretamente em algum local nas montanhas.

Um dos homens que morreu com sua família na destruição de sua casa, Bakhtpur Khan, foi citado como agente da Al Qaeda e Faraj Al Libi seria um simpatizante, disse um dos oficiais paquistaneses. Libi, que foi capturado no Paquistão no verão passado, teria dito a um interrogador que se encontrou anteriormente com Zawahiri na casa de Khan, em Damadola, segundo o oficial.

É improvável que Zawahiri estivesse na casa na hora do ataque, porque ele estaria acompanhado de uma comitiva maior, disse um dos oficiais paquistaneses.

Aldeões, muitos dos quais simpatizantes do Taleban e da Al Qaeda, continuam insistindo que não havia militantes estrangeiros na aldeia na hora dos ataques aéreos.

A televisão Al Arabiya noticiou que Zawahiri estava vivo, citando um membro da Al Qaeda, dias após o ataque. Uma agência de notícias no Afeganistão, a "Pajhwok Afghan News", também relatou que um membro da Al Qaeda telefonou para a agência para dizer que Zawahiri estava em segurança.

A agência de notícias identificou o responsável pelo telefonema como sendo Ahmad Solaiman, um marroquino que atua como porta-voz do grupo. Em um despacho de 18 de janeiro, a agência o citou como tendo dito que Zawahiri "está vivo" e que "os relatos sobre sua morte são falsos".

Um funcionário de contraterrorismo americano disse que a declaração estava sendo vista com uma grande dose de ceticismo, porque a Al Qaeda geralmente escolhe veículos mais importantes para divulgar declarações públicas.

Um oficial de segurança paquistanês disse logo após os ataques que estava confiante de que Zawahiri tinha sobrevivido.

*Mohammad Khan contribuiu com reportagem para este artigo em Peshawar, Paquistão. Mortes são duro golpe para a organização de Osama bin Laden George El Khouri Andolfato

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