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19/01/2006

Em busca de um democrata durão, ou durona

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
Os democratas desferiam golpes contra a Casa Branca nesta semana, mas não terão sucesso enquanto forem vistos como um partido de saia.

Al Gore, John Kerry e Hillary Clinton têm questionado o governo Bush sobre seu estoque aparentemente infindável de pecados. Eles apresentam bons argumentos. Mas não emplacam nenhum.

Estes três, aparentemente disputando a indicação para 2008, não são os melhores mensageiros. Eles possuem muita bagagem.

Dois deles, que poderiam ter detido W. e Dick Cheney antes de terem desfeito 230 anos de democracia americana, não o fizeram, porque se permitiram ser pintados como mocinhas. A outra, uma mulher viril, tem sido tão cautelosa e oportunista ao comentar sobre tudo, de Schiavo e Alito ao Ira que, que quando finalmente cantou na segunda-feira contra W., ela soou mais como soprano do que como baixo profundo.

É fácil para os republicanos fazerem seus habituais jogos de gênero e desdenhar os três democratas como chorões, estridentes e ineficazes.

Depois que Gore e Clinton foram ao ataque, Scott McClellan rebateu: "Eu acho que sabemos que um tende a gostar de ganhar manchetes. A outra -parece que a temporada eleitoral começou cedo". Ele esfregou no nariz de Gore que ele não é o presidente enfrentando terroristas, notando: "Se ele quer ser a voz dos democratas neste debate em torno da segurança nacional, nós apreciamos".

Para liderar, e não apenas realizar campanhas que imitam os editoriais da elite liberal, é preciso moldar sua própria identidade e destino político. E desde a disputa de 2000, os democratas têm deixado os republicanos caracterizá-los como efeminados. Os democratas deixaram os republicanos lhes darem forma, e é de uma ampulheta.

Há momentos nas campanhas e debates políticos em que é possível arrancar a espada da mão do oponente. Al Gore e John Kerry pipocaram. Kerry e Clinton seguraram o terno do presidente enquanto ele ia à guerra.

Isto tudo permitiu aos bushies usarem 11 de setembro como maça e escudo. Eles criaram suas próprias regras e se apresentaram como heróis renegados.

Se os democratas são como as agitadas "Desperate Housewives" (donas de casa em desespero), os republicanos têm se passado como o agente Jack Bauer da série "24 Horas": rápidos com uma arma, contornando a lei quando necessário, dispostos a torturar em nome da proteção do país. Exceto que Jack Bauer é competente.

A impotência crônica dos democratas levou ao reino da incompetência dos republicanos. O "U.S. News & World Report" exibe um ameaçador Dick Cheney --parecendo um homem que acabou de engolir um país-- na capa desta semana, com a manchete "Durão".

O artigo reconta como Cheney, como secretário de Defesa de Bush pai, desprezou os legisladores como "um bando de mosquitos incômodos". Talvez este seja o motivo para ele sentir que não precisa prestar atenção naquelas leizinhas insignificantes que criam.

Quantas coisas você precisa estragar no país e no mundo até perder sua reputação de macho?

Al Gore, talvez tardiamente, deu um passo audacioso não característico. Ele apresentou um argumento completamente válido de que "o presidente dos Estados Unidos tem violado a lei repetida e insistentemente".

"Grampear cidadãos americanos sem mandado, aprisionamento de cidadãos americanos por determinação própria, seqüestro e tortura, então o que ele não pode fazer?" ele disse para uma platéia na segunda-feira (16/01), denunciando o abuso de poder de Bush. Ele alertou os republicanos de que deveriam se preocupar em estabelecer estes precedentes extralegais porque algum dia um líder com valores abomináveis a eles poderá empregar tal poder.

Cheney, movendo-se desajeitadamente na irrealidade, continua sem pedir desculpas enquanto cresce o coro de queixas democratas. Acima da lei é exatamente onde ele deseja estar. Mesmo quando é capaz de facilmente --e retroativamente-- obter mandados para grampos, ele não deseja os mandados chatos. Mandados são para maricas.

"Após passarmos por tudo isto daqui a 10 anos", ele disse ao "U.S. News", "nós olharemos para este período e veremos que a libertação de 50 milhões de pessoas no Afeganistão e Iraque realmente representou, obviamente, uma grande mudança fundamental na política americana em termos da forma como lidamos com a ameaça terrorista emergente --e também de que mudamos fundamentalmente as circunstâncias naquela parte do mundo".

Claro. Mas não necessariamente para melhor. Independente do que você diga sobre o pessoal de Bush, eles se mantêm firmes em suas idéias, por mais tortas que sejam. Desde a disputa presidencial do ano 2000, os democratas têm deixado os republicanos caracterizá-los como efeminados George El Khouri Andolfato

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