UOL Notícias Internacional
 

19/01/2006

Fraude leva pânico à Bolsa de Valores de Tóquio

The New York Times
James Brooke

Em Tóquio
Uma investigação de fraude em uma provedora de serviços de Internet japonesa gerou quase um pânico nacional. Investidores nervosos sacaram coletivamente bilhões de dólares da bolsa de valores de Tóquio nos últimos dois dias.

Depois de cair quase 6%, o mercado recuperou-se fortemente na manhã de quinta-feira (19/1), dando um salto positivo de 1,66%, enquanto investidores procuravam arrebatar as ações que pareciam desvalorizadas. Os analistas observavam o mercado de perto na quinta-feira, temerosos que uma volta da onda de vendas pudesse ameaçar a bolsa de valores e até minar a frágil recuperação econômica japonesa após anos de estagnação.

Depois de chegar a 40% no ano passado e superar mercados em Londres, Nova York e Frankfurt, a Bolsa de Valores de Tóquio foi forçada a fechar cedo na quarta-feira. A medida, uma ferida no orgulho competitivo do país, foi necessária quando o sistema antiquado de computador não conseguiu acompanhar o volume de negociações.

Mesmo antes do fechamento de quarta-feira, a corrida dos investidores apavorados já tinha derrubado o índice Nikkei 225 em 2,95%, 464,77 pontos, sua pior queda em um único dia em 20 meses. A bolsa de Tóquio estava operando perto de seu limite, executando mais de quatro milhões de transações, entre mais de sete milhões de pedidos na quarta-feira.

Foi a primeira vez que o pregão teve que fechar mais cedo --20 minutos antes do término-- porque os computadores da bolsa não agüentaram o volume de transações.

Em Tóquio, a forte onda de venda começou na terça-feira de manhã, depois da divulgação do início de uma investigação sobre a Livedoor Co. e seu fundador, Takafumi Horie, empresário da Internet que capturou a atenção de muitos japoneses com sua abordagem americana pouco convencional de fazer negócios.

Até agora, "o choque de Livedoor", como a crise foi cunhada pela mídia, derrubou o índice em quase 6% desde segunda-feira. Naquela noite, os procuradores apareceram ao vivo no noticiário noturno fazendo uma batida nos escritórios de Horie, que ganhou o carinho do público por suas feições de menino rechonchudo, cabelo em pé e exuberância, mas irou o estabelecimento financeiro japonês com suas táticas agressivas.

Nos últimos dois anos, Horie tentou adquirir um time de beisebol e uma tomada hostil de uma rede de rádio. As duas tentativas fracassaram, mas não parecem ter conseguido prejudicar sua capacidade de fazer bilhões de ienes com seu portal de Internet e empresas relacionadas. Agora, de acordo com os jornais, os promotores estão investigando alegações de que Horie manipulou seus dados, contabilizando uma perda em 2004 como lucro.

Em um mercado em que 50% das negociações do ano passado foram feitas por indivíduos, os investidores se apavoraram na quarta-feira, enviando mais ordens de compra e venda do que o problemático sistema de computadores do mercado podia lidar.

"O aumento recente no número de pedidos foi extraordinário", disse aos repórteres Taizo Nishimuro, presidente da Bolsa de Valores de Tóquio. Se as negociações continuarem na quinta-feira com volumes extremamente altos, "vamos pensar em encurtar as horas de pregão", disse ele.

Para acalmar os investidores, o secretário de governo Shinzo Abe falou aos repórteres na tarde de quarta-feira: "Os fundamentos da economia japonesa são firmes e caminham na direção certa."

Horas antes, o alarme sobre Livedoor já havia contaminado outras ações da Internet. Yahoo Japan caiu quase 10%. Softbank caiu 13%, máximo de movimento de preço permitido.

"Nossos gerentes de fundos acham que os próximos dias serão atribulados", disse Alexander M. Protu, presidente da Invesco Asset Management Ltd., depois do fim do pregão de quarta-feira. Protu, que administra US$ 5,3 bilhões (em torno de R$ 15,9 bilhões) em títulos japoneses, culpou a "histeria da mídia" pela queda desta semana.

"Sempre que há uma corrida ao mercado, há uma pausa para respirar", disse ele referindo-se ao forte avanço do mercado de Tóquio na segunda metade do ano passado. "Mas como não há nada fundamentalmente errado, quando chegar o momento de calmaria, você verá oportunidades de compra."

Muitos observadores, porém, dizem que pode haver uma explosão de uma pequena bolha de Internet.

"Se Livedoor não divulgou dados corretos em sua declaração financeira, isso é grande, uma situação parecida com a da Enron", disse Nobuo Sayama, professor de negócios na Universidade Hitotsubashi. "Esse evento é o início de um grande problema que vai se expandir para outras empresas de Roppongi Hills. Serão atacadas mais tarde", disse ele, referindo-se às empresas de Internet que se agruparam na elegante torre de hotel e escritórios de Tóquio.

Mas Sayama, como os americanos entrevistados aqui, acredita que a base econômica do Japão é sólida. "No mercado japonês, as novas empresas estão supervalorizadas e as velhas depreciadas", disse ele. "Não o mercado como um todo, mas algumas novas empresas estão altas demais, então as ações podem cair."

Fiorillo acredita que esta semana eventualmente será considerada um "quebra-molas" no caminho do Nikkei para romper os 20.000 pontos. Mas disse sobre os investidores individuais: "Houve uma bolha na Internet nos EUA, então as pessoas acham que aqui vai acontecer o mesmo." Investigação em empresa de Internet assusta investidores japoneses Deborah Weinberg

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