UOL Notícias Internacional
 

20/01/2006

Bin Laden ressurge e ameaça atacar se EUA não se retirartem de Iraque e Afeganistão

The New York Times
Hassan M. Fattah*

Em Dubai, Emirados Árabes Unidos
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    Rompendo mais de um ano de silêncio, Osama Bin Laden alertou os americanos em uma fita de áudio divulgada nesta quinta-feira (19/01) de que a Al Qaeda está planejando mais ataques nos Estados Unidos, mas ofereceu uma "longa trégua" em termos indefinidos. A fita foi apresentada no canal árabe de televisão por satélite "Al Jazeera", e a Agência Central de Inteligência (CIA) verificou sua autenticidade nesta tarde. Não ficou claro quando a gravação foi feita, mas a CIA disse que a Al Jazeera estava provavelmente certa quando disse que datava do início de dezembro.

    Stephen Crowley/The New York Times - 14.ago.2002 
    Terrorista exige a saída dos EUA do Afeganistão, onde fica Tora Bora, um de seus maiores redutos
    Autoridades americanas disseram que a divulgação da fita pode ter sido planejada para assegurar aos seus seguidores de que Bin Laden está vivo e bem após o bombardeio americano a uma casa em uma aldeia paquistanesa, onde importantes membros da Al Qaeda teriam sido mortos.

    Na fita, Bin Laden se dirigiu diretamente ao povo americano, dizendo sobre seus simpatizantes: "Nossa situação está melhorando enquanto a de vocês está piorando".

    "Minha mensagem para vocês é sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão e como encerrá-las", ele começou. "Bush disse: 'É melhor enfrentá-los na terra deles do que o eles nos combaterem em nossa terra'. Eu posso responder a estes erros dizendo que a guerra no Iraque está transcorrendo sem diminuição e as operações no Afeganistão apresentam uma escalada ao nosso favor."

    Ele disse que a falta de ataques da Al Qaeda dentro dos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001 não está ligada ao aumento da segurança, apontando para os ataques terroristas na Europa como evidência de que seus combatentes podem penetrar em tais barreiras.

    Quanto a que ataques os americanos podem esperar, ele disse: "As operações estão em preparação e vocês as verão em seus lares no minuto em que ocorrerem, com a permissão de Deus".

    O vice-presidente Dick Cheney, ao ser questionado pela "Fox News" sobre a fita, disse que agora parece provável que Bin Laden, que alguns consideravam morto, está vivo. Mas, disse o vice-presidente, Bin Laden claramente tem tido dificuldade para transmitir sua mensagem e acrescentou: "Nós não negociamos com terroristas".

    "Eu acho que é preciso destruí-los", ele disse. "É a única forma de lidar com eles."

    Bin Laden ofereceu ao povo americano uma vaga trégua, dizendo que "ambos os lados podem desfrutar de segurança e estabilidade sob esta trégua para que possamos construir o Iraque e o Afeganistão". Posteriormente, ele fez uma citação de um livro que pede pelo fim do que chamou de "interferência americana nas nações do mundo".

    A declaração de Bin Laden notou que as pesquisas de opinião americanas mostram um crescente desejo de retirada das tropas do Iraque e um sentimento que "é melhor que nós (americanos) não enfrentemos os muçulmanos em suas terras e que eles não nos enfrentem na nossa".

    Quanto a uma retirada americana, ele disse: "Não há vergonha nesta solução que impede o gasto de bilhões de dólares destinados àqueles com influência e mercadores da guerra na América, que apoiaram a campanha eleitoral de Bush".

    Quase todos os vídeos e fitas de áudio atribuídos a Bin Laden no passado revelaram ser autênticos. Sua voz desta vez soava um tanto mais esforçada, carecendo da qualidade enérgica típica de suas gravações anteriores. Também havia um eco pronunciado como se ele estivesse dentro de uma sala, diferente das gravações anteriores que pareciam ter sido feitas ao ar livre ou em grandes espaços.

    Como algumas de suas declarações anteriores, ele fez referência a eventos recentes, incluindo neste caso um artigo de um jornal britânico, de novembro, que relatava que o presidente Bush queria bombardear a sede da "Al Jazeera" no Qatar, uma alegação negada tanto pelo governo americano quanto britânico.

    A declaração de Bin Laden surge dias depois dos Estados Unidos terem lançado ataques aéreos contra uma aldeia paquistanesa, tendo como alvo o segundo em comando de Bin Laden, Ayman Al Zawahiri. Zawahiri não estava no local, mas dois importantes membros da Al Qaeda e o genro de Zawahiri estavam entre os mortos nos ataques no nordeste remoto do Paquistão, disseram autoridades paquistanesas. Os ataques causaram revolta no Paquistão, particularmente nas regiões tribais autônomas, levando o governo a condenar a invasão.

    Alguns analistas viram a mensagem como um triunfo para o líder da Al Qaeda.

    "O fato de ter sido capaz de gravar a mensagem, entregá-la e transmiti-la é uma vitória por si só para ele", disse Muhammad Salah, o chefe do birô do Cairo do jornal pan-árabe "Hayat" e um especialista em grupos islâmicos.

    Bin Laden geralmente escolhe o momento e as mensagem cuidadosamente para provar um argumento, disse Salah. "Ele está explorando o desejo do povo americano de sair do Iraque e do pântano do fundamentalismo islâmico. E ele está dizendo para Bush que 'estou ganhando e ainda estou aqui'."

    O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse aos repórteres que o presidente Bush soube da fita na manhã de quinta-feira, após uma aparição na Virgínia.

    McClellan disse que as agências de inteligência americanas estão tentando determinar se a fita fornece pistas sobre as operações da Al Qaeda. "Se houver qualquer inteligência disponível, nós agiremos de acordo", ele disse.

    "Nós estamos vencendo", continuou McClellan. "Claramente, a Al Qaeda e os terroristas estão fugindo, e é por isso que é importante não cedermos e não pararmos até que o trabalho esteja concluído."

    McClellan acrescentou: "Nós continuamos agindo em todas as frentes para vencer a guerra contra o terrorismo e venceremos. O presidente está plenamente comprometido em fazer tudo ao seu alcance para impedir ataques e derrotar os terroristas. Nós estamos levando a luta até o inimigo, nós estamos trabalhando para promover a liberdade e a democracia, para derrotar sua ideologia do mal".

    Bin Laden disse em sua mensagem que seus seguidores não temem novos ataques americanos porque "um nadador no oceano não teme a chuva", mas prometeu o mesmo tratamento que os americanos têm dado aos outros.

    "Isto diz que o homem ainda está em ação", disse Raid Al Kahwaji, diretor geral do Instituto para Análise Militar do Oriente Próximo e do Golfo, uma firma de pesquisa de segurança em Dubai. "Ele está dizendo que a guerra continua e fala sobre planos em andamento para operações e ataques em outros lugares. Ele também está mencionando eventos recentes para dar autenticidade a uma gravação, para provar que é recente e que ele está a par dos desdobramentos."

    A última gravação de áudio dele datava de dezembro de 2004, na qual ele pedia aos iraquianos para que boicotassem as eleições de janeiro de 2005. Tal transmissão levou o presidente Bush a dar o passo incomum de responder à mensagem, declarando que o pedido de Bin Laden deixava claro o que estava em jogo nas eleições iraquianas.

    *Abeer Allam contribuiu com reportagem no Cairo; Douglas Jehl, em Washington. A divulgação de fita é considerada uma vitória para o terrorista George El Khouri Andolfato
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