UOL Notícias Internacional
 

21/01/2006

Em prévia da campanha republicana, Karl Rove ataca violentamente os democratas

The New York Times
Adam Nagourney

Em Washington
Karl Rove, o conselheiro político chefe do presidente, deu aqui, na sexta-feira (20/01), uma prévia para republicanos nervosos da estratégia que o partido adotará para manter seu domínio nas eleições do outono americano, atacando os democratas por suas posições em relação ao terrorismo, o programa de vigilância doméstica da Casa Branca e a tentativa de Bush de moldar o Judiciário federal.

Por 26 minutos, após pedir por civilidade na política em um discurso perante o lotado Comitê Nacional Republicano, Rove apresentou um ataque impiedoso contra os democratas, que os republicanos disseram ser um roteiro de como o partido lidará com o difícil ambiente eleitoral. Rove criticou fortemente os democratas por sua oposição aos cortes de impostos e às indicações de Bush para a Suprema Corte, mas deixou pouca dúvida de que novamente --como ocorreu em ambas as eleições nacionais desde os ataques terroristas de 11 de setembro-- sua intenção é tornar a segurança nacional o tema principal em 2006.

Os discursos de Rove no início de um ano eleitoral têm provado ser um referencial preciso do que os candidatos republicanos dirão no outono, conseqüentemente todas as cadeiras no salão de baile em um hotel no centro de Washington estavam ocupadas. Ele atacou os democratas pelo que descreveu como política "suspender e cair fora" no Iraque, pela obstrução da renovação da ampla lei antiterrorismo conhecida como Lei Patriota, por contestarem a legalidade do uso de grampos sem mandado do governo que vem sofrendo amplas críticas.

Rove não fez menção à oposição republicana tanto à Lei Patriota quanto ao programa de vigilância, que se tornaram um problema político para esta Casa Branca, enquanto apresentava seu argumento contra os democratas, falando rapidamente.

"Os Estados Unidos enfrentam um inimigo impiedoso, e precisamos de um comandante-em-chefe e um Congresso que entendam a natureza da ameaça e a gravidade do momento em que a América se encontra", disse Rove. "O presidente Bush e o Partido Republicano entendem. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de muitos democratas."

"Me permitam ser o mais claro que posso: o presidente Bush acredita que, se a Al Qaeda está telefonando para alguém na América, é do interesse de nossa segurança nacional saber para quem está ligando e por quê", disse Rove, se referindo ao programa no qual a Agência de Segurança Nacional grampeou conversas sem a obtenção de um mandado de um juiz. "Alguns democratas importantes claramente discordam."

O discurso de Rove foi sem dúvida um evento político altamente incomum em Washington. Ele marcou um discurso público relativamente raro de um dos funcionários mais conhecidos desta Casa Branca e ocorreu em um momento em que o próprio Rove está sob investigação, por seu papel no vazamento do nome de uma agente secreta da CIA para a imprensa.

Em seu discurso, Rove não fez menção à sua situação legal. E enquanto buscava mobilizar suas tropas, ele não fez menção a um assunto que representa grande parte da preocupação republicana nas eleições deste ano: a investigação de tráfico de influência no Congresso que tem se concentrado em alguns importantes líderes republicanos, incluindo Tom DeLay, que está deixando o posto de líder da maioria.

A questão da ética foi deixada para Ken Mehlman, o presidente do Comitê Nacional Republicano, que em seus próprios ataques com termos fortes contra os democratas, feitos perante o comitê, condenou os republicanos envolvidos em escândalos. Mas Mehlman buscou --como parte daquela que tem sido a estratégia republicana nesta semana-- também culpar os democratas pelas investigações que agora envolvem o Congresso.

"O serviço público é uma responsabilidade sagrada; não podemos permitir que seja manchado por ninguém, seja republicano ou democrata", ele disse. "Como presidente (do partido) republicano eu estou orgulhoso de meu partido e sou leal para com nossos membros. Mas se os republicanos forem culpados de comportamento ilegal ou impróprio, eles devem pagar o preço e sofrer as conseqüências."

Howard Dean, o líder nacional democrata, respondeu aos ataques de Rove lembrando das investigações de suas atividades e contestando a decisão de Bush de mantê-lo na Casa Branca, com liberação de segurança, mesmo enquanto prosseguem as investigações.

"A posição política de Rove lhe assegura um convite para discursar no dia de hoje para os republicanos em Washington, D.C., mas não lhe dá credibilidade para questionar o compromisso dos democratas com a segurança nacional", disse Dean. "A verdade é que Karl Rove violou nossa segurança nacional para ganho partidário e isto é tanto errado quanto antipatriótico."

Rove se mostrou otimista quanto às perspectivas de seu partido na reunião em que alguns republicanos expressaram preocupação com o ambiente político no qual os candidatos republicanos poderão concorrer, apontando para a guerra no Iraque, o alto preço da gasolina e as investigações. "O progresso do Partido Republicano durante os últimos quatro anos é um feito político assombroso", disse ele.

Mas Rove se deparou com um lembrete das tensões enfrentadas pelo partido depois que um grupo de líderes republicanos tentou promover uma resolução de termos severos condenando a imigração, rompendo explicitamente com a política do presidente Bush de permissão para que imigrantes ilegais participem de programas de trabalhadores convidados. O assunto provou ser um aborrecimento para os republicanos enquanto tentam expandir seu apelo junto aos eleitores latinos, sem deixar de fazer deferência aos eleitores de Estados como o Arizona, cada vez mais irritados com o afluxo de imigrantes ilegais.

Randy Pullman do Arizona, o patrocinador da resolução renegada, a retirou na tarde de sexta-feira depois que uma resolução apoiada oficialmente, refletindo a política de imigração de Bush, foi aprovada quase que por unanimidade pelo comitê, e os republicanos alertaram contra qualquer sugestão de que o partido não está unido nesta questão.

"Promover outra resolução que claramente é contrária ao que querem é literalmente uma perda de tempo", disse Pullman após a votação. Partido de Bush está em dificuldades para as eleições deste ano George El Khouri Andolfato

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