UOL Notícias Internacional
 

21/01/2006

Xiitas não obtêm a maioria parlamentar no Iraque

The New York Times
Robert F. Worth, em Bagdá, e

John O'Neil, em Nova York
Os primeiros resultados da histórica eleição no Iraque em dezembro mostraram nesta sexta-feira (20/01) que as coalizões xiitas e curdas novamente dominaram, mas não conseguiram a maioria de dois terços necessária para formar um governo sozinhas.

Os resultados, divulgados cinco semanas depois da votação no dia 15 de dezembro, também marcaram a força dos partidos xiitas e sunitas do Iraque e a relativa debilidade dos grupos seculares.

Uma coalizão de partidos xiitas conquistou 128 dos 275 assentos, faltando 10 votos para obter a maioria ordinária, disseram agentes eleitorais iraquianos. Os resultados significam que os partidos religiosos xiitas serão a força dominante no novo governo iraquiano, mas ainda precisam formar alianças.

Uma coalizão de partidos curdos conquistou 53 assentos. Ahmad Chalabi, ex-protegido do Pentágono que era considerado forte candidato a primeiro-ministro, não conseguiu nenhuma cadeira.

Partidos sunitas, liderados por uma coalizão religiosa cujos líderes defenderam a resistência aos militares americanos, conseguiram 58 assento, cerca de 21%. Isso dará aos sunitas, que dominam a insurgência iraquiana, uma voz política muito mais forte do que tinham depois das eleições de janeiro último, quando boicotaram a votação e conquistaram apenas 17 vagas.

Alguns líderes sunitas disseram que iam questionar na justiça os resultados das eleições, pois acreditavam que a votação tinha sido marcada por amplas fraudes que favoreceram os partidos xiitas patrocinados pelos iranianos. Mas eles também deixaram claro que não iam manter ameaças anteriores de boicotar o processo político e, em vez disso, usariam sua nova presença política.

"Nós vamos lidar com esse assunto de forma positiva", disse Mahmoud Mashadani, importante líder da Frente de Consenso Iraquiana, que conquistou 44 cadeiras. "Não vamos pedir nossos membros para irem para casa; vamos dizer a eles para irem para o Parlamento."

O papel que os sunitas terão no próximo governo continua sendo uma questão importante, que pode ter efeito substancial na insurgência e em planos de retirada das tropas americanas do Iraque. Com um total combinado de 181 assentos, as alianças xiitas e curdas podem excluir os sunitas, cooptando apenas três membros das outras 10 listas vencedoras para atingir a maioria de dois terços necessária para governar.

Mas autoridades americanas exortaram xiitas e curdos a envolver sunitas em um governo mais amplo de "união nacional". Se não o fizerem estarão arriscando irritar mais os sunitas, que votaram em grandes números em dezembro com a clara expectativa de ter maior influência no novo governo do país, disseram as autoridades.

Um membro do partido de Allawi, Mehdi Al Hafedh, evocou uma abordagem inclusiva. "A idéia é algum tipo de união nacional com base em um contrato", disse ele. "Deve ser baseada em um programa comum", disse Hafedh, acrescentando que um acordo requereria concessões de todos os lados.

Em entrevista à Associated Press antes dos resultados serem divulgados, Abdul Aziz Al Hakim, líder do maior partido xiita, disse que ia procurar incluir os sunitas em um novo governo.

"As portas estão abertas e ninguém quer confrontar, prejudicar ou privar (os sunitas) de seus direitos constitucionais legítimos", disse Hakim na sede de seu partido, o Conselho Supremo para Revolução Islâmica. "Eles são nossos irmãos e terão seus direitos."

Hakim, no entanto, disse: a escolha de quais líderes sunitas seriam incluídos dependeria "de quem estivesse mais perto de nós, em relação aos princípios que acreditamos."

Uma busca por território comum pode exigir que se enfrente algumas das questões mais controvertidas da nação, que foram adiadas durante a redação da Constituição adotada em dezembro. A principal delas é a intenção dos partidos xiitas e curdos de formar governos regionais, um desejo reafirmado recentemente por Hakim, apesar dos sunitas terem reclamado fortemente que isso levaria ao desmembramento do país.

Os resultados das eleições, divulgados pela televisão em Bagdá, ainda não são finais. Os partidos podem contestar os resultados nos próximos dias.

Allawi e alguns políticos sunitas denunciaram amplas fraudes nas votações. Mas especialistas internacionais que investigaram as acusações recusaram-se a pedir novas eleições, apesar de admitirem na quinta-feira que a votação tinha tido falhas.

Alguns grupos insurgentes abstiveram-se da violência durante as eleições em dezembro, aparentemente com o objetivo de ajudar a garantir maior representação sunita no novo parlamento. Desde então, os líderes sunitas expressaram desapontamento com os primeiros números divulgados, e militares americanos advertiram repetidamente que a publicação dos resultados poderia gerar mais violência.

As forças militares iraquianas, preparando-se para o anúncio de hoje, isolaram três províncias com grandes populações sunitas -Anbar, Salahuddin e Diyala- disseram membros do Ministério do Interior.

No evento, houve pouca violência hoje. Atiradores mataram um policial de folga e um civil em Bagdá, e insurgentes atacaram várias bases militares americanas na cidade volátil de Ramadi, no Oeste, causando ferimentos pequenos em soldados americanos.

Pela televisão, o general Thomas R. Turner II, comandante da 101ª Divisão Transportada pelo Ar, expressou esperanças na sexta-feira que o progresso na frente política levasse a uma diminuição da violência de grupos sunitas.

"Com o sucesso das eleições, se os sunitas começarem a participar dos processos políticos, como acreditamos que estão começando a fazer, suspeito que o que vamos ainda encontrar aqui serão combatentes estrangeiros, outros jihadistas, grupos extremistas religiosos."

Isso por sua vez, pode facilitar o isolamento e a expulsão dos grupos estrangeiros, disse ele. "Acho que veremos menos sunitas patrocinando terroristas e combatentes estrangeiros", disse o general. "Acho que o povo iraquiano compreende que os objetivos da Al Qaeda não são compatíveis com sua visão do Iraque do futuro".

Um alto político sunita pediu hoje a liberação de Jill Carroll, jornalista americana seqüestrada no dia 7 de janeiro. Seus captores disseram que a matariam se todas as prisioneiras no país não fossem liberadas até sexta-feira.

Carroll estava a caminho de uma entrevista com um político sunita, Adnan Al Dulaimi, quando foi seqüestrada. Seu tradutor morreu no incidente.

"Peço aos seqüestradores que liberem imediatamente esta repórter que veio aqui cobrir as notícias iraquianas e defender nossos direitos", disse ele, de acordo com a Associated Press. Resultado oficial da eleição no país indica necessidade de coalizão Deborah Weinberg

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