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24/01/2006

Ecoturismo une preservação ao desenvolvimento

The New York Times
Michelle Higgins
Dirigir um país onde existem besouros alados gigantes, répteis de dentes salientes à espreita dentro de uma água que mais parece sopa, e umidade o bastante para deixar frisado o cabelo de qualquer um? Não tem problema. Você pode estar com uma grande fonte de lucros em suas mãos. ecoturismo --tipo de viagem que preserva o meio-ambiente e promove o bem-estar da população local-- segue ganhando cada vez mais força.

The New York Times - 17.jan.2006 
Parque de Loango, no Gabão, que reservou 10% de seu território para reservas naturais

Impressionadas com o sucesso de países tais como a Costa Rica e Equador, que vêm atraindo manadas de viajantes, praticantes de excursões (do simples passeio até o trekking) na montanha e de safáris na selva, um número crescente de regiões pelo mundo afora está adotando o ecoturismo como estratégia de crescimento econômico.

Omar Bongo, o presidente do Gabão, um país em desenvolvimento da África central ocidental, separou cerca de 10% do território do seu país para a criação de 13 parques nacionais. Green Visions, uma companhia dedicada ao turismo e à proteção do meio-ambiente, baseada em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, está abrindo caminhos ao empreender um plano de desenvolvimento do ecoturismo na Europa central por meio do projeto "aventuras verdes", que promove princípios ambientais e fornece apoio a empresas locais.

Até mesmo a Grécia, mais conhecida pela sua vida noturna frenética e os seus monumentos arqueológicos, dedica uma seção no seu site sobre o turismo nacional à "natureza grega" e ao eco-turismo.

Ao longo dos últimos anos, ao menos 48 países, de Porto Rico a Portugal, criaram ou começaram a definir uma estratégia nacional para o desenvolvimento do ecoturismo, segundo apurou um relatório de 2004 sobre o ecoturismo publicado pela Mintel International, uma companhia de pesquisas de mercado baseada na Grã-Bretanha.

Enquanto o ecoturismo vem nos enfeitiçando há muito com imagens de pontos quentes da biodiversidade em países tais como Belize, algumas partes dos Estados Unidos estão elas também aderindo a esta tendência. Por exemplo, o Departamento de Turismo do Estado americano de Wisconsin (centro norte, região dos Grandes Lagos) começará a testar em março um novo programa de certificação intitulado Travel Green Wisconsin (viajando pelo Wisconsin verde).

Criado para incentivar os hotéis e as operadoras de turismo a reduzirem seu impacto ambiental, o programa tem por objetivo de proteger as áreas naturais que exercem um papel significativo na caracterização deste Estado como um destino turístico. Se for bem-sucedido, o programa será ampliado para todo o Estado no ano que vem.

"Como país, nós tendemos a pensar o eco-turismo como algo sempre próprio de outros lugares, distantes daqui", analisa John Ivanko, o proprietário da hospedaria Serendipity (nome que pode ser traduzido por "lugar de descobertas felizes"), um hotel-fazenda perto de Monroe, Wisconsin, dotado de um sistema de aquecimento da água por meio de energia solar, e cujos azulejos no chão dos banheiros são feitos com pára-brisa de carros reciclados.

"As pessoas não deveriam ver necessariamente as coisas desse jeito, principalmente quando existem no país lugares tais como o Grand Canyon [no Arizona, a leste de Los Angeles]. Mas, o que está acontecendo é que nós não estamos pensando nele tanto como um país".

Para os negócios, as iniciativas de preservação da ecologia não só oferecem vantagens no plano do marketing como elas podem também ajudar a criar as bases de uma outra mentalidade. Os hotéis podem cortar seus custos promovendo as mais diversas reformulações neste sentido, desde a instalação de lâmpadas elétricas que economizam energia até pedir aos viajantes para reutilizarem suas toalhas.

Além disso, cerca de 58,5 milhões de turistas americanos, ou seja, 38% do total, estariam dispostos a pagar um pouco mais para recorrer aos serviços de companhias que estão empenhadas em proteger e preservar o meio-ambiente, segundo informa uma pesquisa realizada pela Travel Industry Association of America (Associação da Indústria das Viagens da América), patrocinada pela "National Geographic Traveler", uma revista e um site. Desses turistas, 61% disseram que eles se disporiam a pagar um acréscimo de 5% a 10% para utilizar tais companhias.

Contudo, escolher uma dessas opções "amigas da ecologia", cujo número não pára de crescer pode se revelar uma tarefa bastante complicada, especialmente quando se considera a ampliação constante da categoria, que agora abrange de tudo, desde locais de acampamento básicos até sofisticados chalés de montanha, passando pelo trekking com lhamas e as turnês de moto dentro da selva.

Para se ter uma idéia mais precisa deste universo, vale consultar o site www.rainforest-alliance.org, e a sua página intitulada "The Sustainable Tourism Certification Network of the Américas" (Rede de Certificação de Turismo Ecologicamente Sustentável das Américas) --uma associação que reúne programas de certificação em defesa da ecologia, grupos ambientalistas, organizações governamentais, entre outras.

Esta associação é dirigida pela organização Rainforest Alliance e pela Sociedade Internacional de Ecoturismo --esta última tem por objetivo de promover o aproveitamento sustentável dos recursos naturais e padrões sociais e ambientais mais elevados para o turismo. Em setembro passado, a rede definiu uma série de critérios de base para a atribuição de certificados, de modo a gerar credibilidade entre seus membros e a promover a conservação do patrimônio ambiental local. Neste ano, o documento estará disponível para o público, que poderá consultá-lo antes que ele seja definitivamente ratificado.

"A certificação é uma maneira para nós de evitar o 'green washing' [o ato de "esverdear a imagem"]", ou seja, a prática que consiste em promover alguma atividade como sendo de ecoturismo, e ainda assim comportar-se de maneira irresponsável em matéria ambiental, explica Ronald Sanabria, o diretor de turismo sustentável da Rainforest Alliance.

"Para nós, a certificação é uma ferramenta que permite evitar isso, que garante que os terceiros cumpram as exigências e que se caracteriza realmente como uma patente séria atribuída pela companhia".

Dentro de poucas semanas, a Rainforest Alliance planeja disponibilizar um eco-índice online, www.ecoindex.org/tourism, que oferecerá aos viajantes um banco de dados, com ferramenta de pesquisa, sobre os hotéis e as operadoras de turismo que foram certificados por um membro do programa da rede. A combinação do turismo com a proteção ambiental vem se tornando uma opção cada vez mais procurada por viajantes e, sobretudo, uma fonte preciosa de dividendos para países em desenvolvimento Jean-Yves de Neufville

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