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26/01/2006

Intel Inside. Hein?!

The New York Times
David Pogue
Estes são as palavras que mais correm nos círculos nerds para o panorama de tecnologia de 2006: DVD de alta definição. Programas de TV à la carte na Internet. Windows Vista.

A maioria destes produtos levará algum tempo para chegar às massas. Mas um já chegou, seis meses antes do previsto: a adoção pela Apple dos chips Intel para seus computadores Macintosh.

O primeiro destes modelos modificados, o iMac, chegou às lojas na semana passada. Como o modelo iMac anterior, que continua à venda, o novo é uma tela plana branca, fina, esbelta sem um gabinete; as entranhas do computador estão escondidas em seu interior. O novo iMac, como o antigo, é livre de vírus, livre de spyware e belo de se ver. Ele ainda tem uma câmera inserida para videoconferências ao vivo pela Internet, ainda pode gravar DVDs, ainda vem com controle remoto para controlar música, apresentações de fotos e executar DVD do outro lado da sala, e ainda conta com rede sem fio Bluetooth e Wi-Fi. Até mesmo o preço é o mesmo: US$ 1.300 para o modelo de 17 polegadas, US$ 1.700 para o modelo de 20 polegadas.

Mas agora há Intel em seu interior.

Por que raios a Apple abandonaria os processadores IBM-Freescale que serviram tão bem os fãs de Mac por tantos anos? Os motivos oficiais são velocidade e aquecimento; o chip mais novo da Intel, o Core Duo, oferece mais da primeira e menos do segundo. Isto é importante, especialmente em laptops; os laptops PowerBook existentes da Apple já ficavam tão quentes que um cheio de churrasco subia de suas coxas.

A troca também é boa para a Apple, porque mata o Mito dos Megahertz. Por anos, a Apple enfrentava uma desvantagem de percepção pública porque os consumidores acreditavam equivocadamente que podiam comparar a velocidade de um computador pela de seu chip. "Um PC de 3 gigahertz deve ser mais rápido do que um Mac de 2 gigahertz", elas diziam. Mas comparações de megahertz são válidas apenas entre dois chips da mesma família -digamos, dois Pentium 4.

Mas agora muitos Macs e PCs conterão o mesmo processador, o novo chip Core Duo da Intel. Como medição de velocidade do computador, a velocidade do chip ainda é enganadora -memória, sistema operacional, disco rígido e outros fatores também podem determinar a velocidade do computador- mas menos enganadora do que antes.

Mas você não pode esperar colocar um novo chip no computador e esperar que funcione. Dezenas de milhares de programas rodam no Mac -e cada um deles espera encontrar, no outro lado, um chip PowerPC (ao estilo antigo do Mac). Cada um deles, sem contar o próprio sistema operacional, deve ser reescrito para a linguagem Intel.

Esta é uma montanha assustadora de trabalho, mas a Apple conseguiu isso quase impecavelmente. O sistema operacional, o Mac OS X 10.4.4, já foi ajustado para falar Intelês, fora isto permanecendo 100% idêntico em aspecto, sensação e características. A armada de programas auxiliares do Mac OS X também já foi reescrita: Safari (Web browser), Mail (e-mail), Address Book (agenda de endereços), iCal (calendário), iTunes (player de música), Calculadora, Xadrez, Dicionário, DVD Player e assim por diante. Mesmo a nova suíte iLife 2006 já foi convertida e está incluída em todos os novos Macs: iPhoto (para fotos), iMovie (para editar vídeos caseiros), GarageBand (para podcasting e composição de música) e iWeb (um novo programa supersimples para criação de sites para Internet).

Para se divertir em uma tarde de sábado, coloque um iMac Intel e seu antecessor de aparência idêntica lado a lado. Sente lá com um cronômetro, execute os testes de tempo com os mesmos programas em cada um e anote tudo no papel. Convide alguns amigos para compartilhar a empolgação.

O que você descobrirá é que o novo iMac é deliciosamente rápido quando roda programas prontos para Intel. O simples ligar da máquina já é um prazer, porque a inicialização leva agora 20 segundos em vez de 60, como no modelo anterior; você sente vontade de fazer isto repetidas vezes. Os programas também abrem muito mais rápido: o GarageBand, por exemplo, está pronto para sua inspiração musical em apenas 9 segundos, em vez de 20. As páginas de Internet aparecem de forma surpreendentemente rápida: a página do nytimes.com abriu em cerca de 1 segundo (contra 2), a Amazon está pronta em 2 segundos (contra 4) e a MSN aparece em 6 segundos (contra 8).

Em outras palavras, se seu mundo de computador está completo com programas para e-mail, Internet, processador de textos, abertura de gráficos, player de música e edição de fotos, filmes, sites básicos de Internet e faixas de música, então não há dúvida entre escolher o IntelliMac no lugar do iMac regular. O computador já vem carregado com todo o software que você precisa, tudo pronto para Intel. Você ganha muito mais velocidade pelo mesmo preço.

Mas nem todos vivem apenas de software Apple, e é aqui onde as coisas ficam mais interessantes. As empresas de software estão trabalhando arduamente para converter seus programas para versões compatíveis com IntelliMac; você saberá quem são quando vê-los, porque ostentarão um novo logo yin-yang rotulado "Universal". (Em outras palavras, estes programas rodarão tanto nos novos quanto nos velhos Macs.)

Para saciar temporariamente seus fãs até estes programas estarem prontos, a Apple inseriu um programa de tradução completamente invisível (de codinome Rosetta -sacou?) no sistema operacional. Ele permite que as versões existentes destes programas rodem como são.

Alguns programas existentes, incluindo o Microsoft Word, Excel, Entourage e PowerPoint, abrem, funcionam e rolam "como manteiga", como colocou o chefe da Apple, Steve Jobs. America Online, Quicken, Firefox, FileMaker Pro e outros programas também funcionam perfeitamente neste modo. Não há nenhuma indicação visível de que seu programa está sendo traduzido para uma linguagem diferente em tempo real. (A única forma de diferenciar um programa antigo de um Universal é clicar em seu ícone e escolher o comando "Get Info" Lá você verá "Kind (tipo): PowerPC" ou "Kind: Universal".)

Outros programas, incluindo as atuais versões do Adobe Photoshop, InDesign, Illustrator e After Effects rodam, mas lentamente. No programa de Web design Dreamweaver, por exemplo, as paletas e janelas aparecem na tela com um leve atraso.

Também há um terceira categoria de programas profissionais, intensivos, que não rodam nos novos Macs, mesmo com tradução do Rosetta. Eles incluem o VirtualPC da Microsoft, o Pro Tools da Digidesign, e mesmo alguns programas da Apple vendidos separadamente, como o Final Cut Pro, Aperture e DVD Studio Pro. (A Apple diz que sua conversão de software estará concluída em março.)

Não, espere -na verdade, há uma quarta categoria de software: programas realmente antigos, pré-2001, que exigem Mac OS 9. Eles também não rodam nos Macs baseados em Intel e nunca rodarão. (Estes Macs não incluem mais o programa de tradução chamado Classic, que permite que tais programas rodem.)

Se seu trabalho depende destes programas profissionais ou muito antigos, você não vai querer um Mac Intel. Espere até que tudo o que você precise seja universalizado.

A Apple teve peito para pedir aos seus fiéis seguidores que se submetessem a esta grande mudança de arquitetura; ela é, afinal, a terceira destas mudanças em 12 anos. Primeiro ocorreu a troca para os chamados processadores PowerPC em 1994, que também exigiu novas versões de software; então a troca para o Mac OS X em 2001, que novamente exigiu novas versões de software. Estas trocas podem ser caras; por exemplo, você terá que pagar US$ 50 para a Apple por cada programa profissional universalizado (Final Cut e assim por
diante) apesar de você não receber nenhuma melhoria pelo dinheiro exceto a velocidade.

Mas do ponto de vista técnico, a Apple conduziu uma nave desconcertantemente complexa a um pouso surpreendentemente suave. Ela deixou um computador excelente ainda mais ágil sem aumentar o preço, e fez um trabalho fantástico de ocultar todo o aspecto técnico.

O próximo Mac que receberá a conversão Intel será o laptop PowerBook. O novo MacBook Pro, como foi rebatizado (para grande confusão), fará sua estréia no próximo mês com a promessa de ganhos ainda maiores de velocidade. O Power Mac, o laptop iBook e o Mac Mini provavelmente serão os próximos.

Mas a melhor notícia ainda está por vir. Ela vem em duas partes: primeiro, a velocidade que aumentará à medida que mais e mais programas forem universalizados.

A segunda, em teoria, com a assistência de um kit de driver que alguém certamente escreverá, os Macs baseados em Intel poderão ser reinicializados em Windows da Microsoft. Todo mundo ganha: a Microsoft poderá vender mais cópias do Windows, a Apple será a única no planeta a fabricar computadores capazes de rodar ambos os sistemas operacionais em plena velocidade, e as massas que não terão que sacrificar a imensa biblioteca de programas apenas para Windows.

Que tal este panorama? George El Khouri Andolfato

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