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27/01/2006

Em breve, em um cinema Imax perto de você

The New York Times
David M. Halfbinger

Em Los Angeles
Há 12 anos, quando estavam apenas imaginando um veículo para explorar a superfície de Marte, Steve Squyres e Jim Bell, cientistas da Universidade de Cornell, já sabiam que queriam que seus robôs tivessem câmeras dignas de uma tela de Imax. O que nunca imaginaram era que essas fotografias de fato chegariam a um público de cinema.

NASA/JPL, Caltech via The New York Times 
Imagem da superfície de Marte a partir de informações de sonda da Nasa na superfície lunar

Missões anteriores já tinham tirado fotos menos sofisticadas da superfície de Marte, do tipo que só um astrônomo poderia adorar. Mas quando Squyres e Bell rascunharam suas idéias, resolveram dar aos seus robôs visão 20-20.

"Um de nossos maiores objetivos era fazer essa experiência parecer como se você estivesse lá", disse Bell. "Queríamos criar a impressão da pessoa saindo de sua pequena cápsula, sentindo uma brisa poeirenta e vendo esse cenário alienígena pela primeira vez."

A brisa poeirenta pode ser um exagero. Mas a partir desta sexta-feira (27/1), em 25 cinemas Imax pelos EUA, o público poderá ver, pela primeira vez em toda sua glória, os dados colhidos pelos robôs em mais de dois anos explorando o terreno pedregoso do planeta vermelho, depois de viajarem centenas de milhões de quilômetros.

O filme de 40 minutos "Roving Mars", foi patrocinado pela Lockheed Martin e será lançado pela Walt Disney Co. Ele mostra o trabalho enlouquecido da equipe da missão para preparar os robôs para o lançamento em 2003, os momentos tensos de espera para que se comunicassem depois de pousarem em Marte e as descobertas esclarecedoras que fizeram desde então.

Os robôs que a equipe de Squyres projetou, Spirit e Opportunity, deviam durar aproximadamente 90 dias antes de sucumbirem ao duro cenário marciano e suas noites de -80ºC. Entretanto, eles se provaram inesperadamente resistentes e estão enviando dados e fotografias para a Nasa até hoje.

"Roving Mars" foi lançado em 2000, quando George Butler, diretor de "The Endurance", documentário sobre a expedição mal-fadada de Ernest Shackleton à Antártica em 1914, estava editando uma versão do filme para salas Imax de cinema. Seu editor era Tim Squyres, irmão de Steve, que tinha trabalhado em muitos filmes de Ang Lee e cujo trabalho em "O Tigre e o Dragão" naquele ano lhe rendera uma nomeação ao Oscar.

Em certo ponto, em junho, Tim Squyres conversou sobre o projeto de Marte com o irmão por telefone, quando Butler ouviu-o mencionar câmeras de qualidade Imax --"a frase mágica", disse ele. Foi fisgado instantaneamente.

NASA/JPL, Caltech via The New York Times 
Sonda caminha pela superfície de Marte durante o pôr-do-sol, segundo informações da Nasa

Um mês depois, Butler apresentou o filme de Shackleton em Washington para membros do Congresso e outras autoridades, incluindo Sean O'Keefe, então administrador da Nasa, que abriu as portas do programa espacial.

O projeto finalmente andou quando Butler procurou o produtor Frank Marshall, que queria distribuir o filme de Shackleton e adorou a idéia de Marte. Marshall levou-o à Disney, onde o acordo foi firmado -mas apenas depois de Squyres garantir ao estúdio que imagens do calibre de Imax de fato podiam ser transmitidas de Marte.

As câmeras que Squyres e Bell tinham instalado nos robôs -que não eram as melhores mesmo quando os robôs foram produzidos- podiam capturar apenas um megapixel por vez, o equivalente a uma câmera de telefone celular. Isso significa costurar cerca de 250 imagens para criar um panorama grande o suficiente para uma tela de Imax -uma tarefa que levaria de um a três dias em Marte, onde os robôs com energia solar funcionam apenas durante algumas horas, em torno do meio dia.

Pior, a distância da Terra restringe a transmissão de dados, que cai para a de um antigo modem de 128 kilobytes, significando que pode levar até uma semana para mandar uma foto panorâmica. (Ao todo, os robôs fizeram um álbum de cerca de duas dúzias de grandes panoramas, de acordo com Bell, que está escrevendo um livro para apresentar as imagens.)

Butler começou a filmar dois meses antes da data de lançamento, e teve que superar a resistência dos engenheiros da Nasa, que não queriam que sua equipe de filmagem entrasse em suas salas de montagem estéreis e diminuísse seu ritmo. Mas Squyres disse que o toque de gênio de Butler foi alugar um cinema Imax perto do Cabo Canaveral para mostrar alguns minutos do que tinha filmado para toda a equipe da missão, dias antes do lançamento do Spirit.

"Foi glorioso", disse Squyres. "Você podia sentir todo mundo arrepiado. Foi o momento em que entendemos o poder do formato Imax de contar uma história, que é de fato muito visual e cinematográfica. Depois disso, George teve acesso a quase tudo que quisesse."

Seu material inclui cerca de 400 horas de filme de alta definição sobre toda a missão durante três anos, disse Butler -um tesouro que poderia ter sido perdido para o grande público, disse ele.

"Os americanos estão fazendo algo melhor hoje em dia do que aquela missão para Marte?" disse ele. "É um programa espacial desenvolvido com um orçamento muito baixo, de US$ 600 milhões a US$ 800 milhões (entre R$ 1,3 e R$ 1,8 bilhão). Há dez anos, teria custado US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões). Esta foi uma pechincha para Marte. E não havia ninguém para contar a história do que aconteceu."

Foi um jovem aluno de Cornell, Dan Maas, quem deu ao filme seu grande ingrediente final: animações por computador das viagens dos robôs para Marte e sua aterrissagem no planeta, além de imagens animadas dos robôs digitalmente inseridos nas fotos panorâmicas que eles enviaram.

A intenção era mostrar os robôs desempenhando suas tarefas. No entanto, era impossível tirar retratos de verdade dos robôs, já que cada um estava em um lado diferente do planeta. Então Maas, que hoje tem 24 anos, aplicou os talentos aprendidos em um estágio em duas casas de efeitos especiais de Hollywood.

"Em muitos casos, pegávamos as imagens de verdade do robô e trabalhávamos um pouco para dar um ponto de vista de fora", disse Maas. "Construímos 3 dimensões e movemos a câmera para o lado. No entanto, as imagens animadas parecem as imagens do robô porque foram feitas das imagens verdadeiras."

No filme, pode ser difícil distinguir entre os panoramas do robô -que são fotografias, não vídeo- e os retratos de três dimensões feitos pelo computador como se fosse visto por alguém atravessando a superfície de Marte, por terra ou por ar.

"Fizemos um grande esforço para que o terreno fosse preciso", disse Maas. "Um leigo não vai perceber, mas para alguém que conhece a missão, é tudo baseado nos dados de 3D que foram enviados de lá. Cada pedrinha -de fato está lá em Marte."

Squyres, que disse que sua esperança na missão era a de "mostrar às pessoas como Marte realmente é", disse que o filme tinha satisfeito sua própria imaginação -e excedido o que a Nasa poderia fazer sozinha.

"Finalmente vi Marte como eu tinha em minha cabeça todos esses meses", disse ele. "Temos boa computação gráfica, mas a capacidade de apresentação é menor do que o Imax pode fazer. Esta é a melhor apresentação de nossos dados. É a melhor reconstrução da aterrissagem que vimos." "Roving Mars" leva aos cinemas bastidores e imagens de Marte Deborah Weinberg

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