UOL Notícias Internacional
 

27/01/2006

Uso de grampos tem apoio ambíguo, diz pesquisa

The New York Times
Adam Nagourney e Janet Elder

Em Nova York
Os americanos estão dispostos a tolerar grampos sem mandados para o combate ao terrorismo, mas temem que os programas antiterrorismo agressivos defendidos pelo governo Bush estejam minando as liberdades civis, segundo a mais recente pesquisa The New York Times/CBS News.

Em um sinal de que a opinião pública sobre o equilíbrio entre segurança nacional e direitos individuais é cheio de nuances e altamente não resolvido, as respostas sobre o programa de vigilância do governo variaram significativamente dependendo de como as perguntas eram formuladas, acentuando a importância do esforço da Casa Branca, nesta semana, de definir os termos da questão.

A pesquisa, realizada enquanto o presidente Bush defendia seu programa de vigilância diante das críticas dos democratas e de alguns republicanos de que é ilegal, revelou que os americanos estão dispostos a dar uma certa liberdade para o programa de vigilância do governo caso acreditem que vise protegê-los; 53% dos entrevistados disseram que apóiam grampos sem mandados "para reduzir a ameaça do terrorismo".

Os resultados sugerem que a visão dos americanos do programa depende em grande parte de o verem como um baluarte na luta contra o terrorismo, como Bush tem buscado apresentá-lo, ou uma questão de violação desnecessária e indesejada das liberdades civis, como os críticos têm dito.

Em um resultado notável, os entrevistados apoiaram em peso o monitoramento pelo governo de mensagens por e-mail e telefonemas de "americanos dos quais o governo suspeita"; eles são altamente contrários ao mesmo tipo de vigilância se voltada contra "americanos comuns".

Bush, em uma coletiva de imprensa na Casa Branca na quinta-feira (26/01), usou duas vezes a frase "programa de vigilância de terroristas" para descrever uma operação na qual o governo grampeou telefonemas e outras comunicações como e-mail que, segundo ele, poderiam envolver agentes da Al Qaeda falando com americanos. Os críticos dizem que o governo só pode realizar tal vigilância com obtenção de aprovação da Justiça, segundo determina uma lei de 1978 que visa proteger contra abusos do governo.

A pesquisa foi realizada enquanto Bush se prepara para fazer seu quinto discurso do Estado da União, na terça-feira. Ele revelou que Bush enfrentará uma nação que está ficando irritada com Washington e cética de que Bush será capaz de obter algum progresso significativo na melhoria do atendimento de saúde, economia, guerra no Iraque e custo de medicamentos prescritos para pacientes idosos antes de deixar o cargo em três anos.

A pesquisa também sinalizou preocupação para os republicanos enquanto se preparam para defender seu controle da Câmara e do Senado nas eleições de novembro. As investigações de corrupção no Congresso estão começando a repercutir à medida que as eleições se aproximam: 61% dos americanos agora têm uma visão desfavorável do Congresso, a mais alta em 10 anos.

O resultado representa um perigo em particular para os republicanos, já que é o partido que está no comando. Mais da metade dos entrevistados disse acreditar que a maioria dos membros do Congresso trocaria votos por dinheiro ou favores.

Os republicanos são vistos como mais propensos a serem influenciados por lobistas. E o Partido Republicano agora é visto desfavoravelmente por 51% do país, sua pior avaliação desde que Bush assumiu a presidência. Em comparação, 53% disseram ter uma visão favorável dos democratas.

A pesquisa por telefone Times/CBS News foi realizada junto a 1.229 adultos, entre sexta-feira e o a noite de quarta-feira. Sua margem de erro é de três pontos percentuais.

Números

A pesquisa revelou que os americanos estão, na maioria, perplexos enquanto pesam as forças conflitantes nestes tempos difíceis: a necessidade apresentada por Bush de medidas extraordinárias para combater o terrorismo e a aversão histórica a um governo intrusivo.

Segundo a pesquisa, 53% dos americanos aprovaram a autorização por Bush de grampos sem aprovação da Justiça "para reduzir a ameaça de terrorismo", enquanto 46% desaprovaram. Quando a pergunta foi destituída de qualquer menção ao terrorismo, 46% dos entrevistados aprovaram e 50% se disseram contrários.

Ao mesmo tempo, 64% disseram estar muito ou um tanto preocupados com a perda das liberdades civis em conseqüência das medidas antiterrorismo implementadas por Bush desde os ataques de 11 de setembro. E os entrevistados apresentaram maior probabilidade de se preocuparem com a aprovação pelo governo de fortes leis antiterrorismo que restrinjam excessivamente as liberdades civis do que com o fracasso do governo em aprovar leis antiterrorismo.

A pesquisa foi realizada enquanto a Casa Branca iniciava uma campanha elaborada de defesa de seu programa de vigilância, e assim pode ser cedo demais para uma avaliação plena de sua eficácia. Não ocorreram mudanças significativas nos resultados da pesquisa de um dia para outro.

Os resultados, e as entrevistas posteriores com alguns participantes, sugerem claramente que Bush tem uma oportunidade para tirar proveito político da disputa em torno do programa. Ele tem apontado para a ameaça de outro ataque terrorista para justificar o programa de vigilância e está tentando, pela terceira eleição consecutiva, sugerir que ele e seu partido são mais agressivos na proteção da nação do que os democratas.

"Digamos que eles estejam visando alguém da Al Qaeda fora do país, e esta pessoa então telefona para alguém nos Estados Unidos sobre um plano ou algo realmente ruim: eu não tenho problema com o monitoramento de tal telefone", disse Debbie Viebranz, 51 anos, uma republicana de Ohio, na entrevista posterior. "Mas não acho que devam fazer isto sem algum motivo."

Donnis Wells, 69 anos, um republicano de Florence, Mississippi, disse: "Eu não acho que as liberdades civis sejam a coisa mais importante com as quais precisamos lidar agora -eu acho que precisamos proteger nosso povo".

Ainda assim, as entrevistas refletem uma clara apreensão em relação ao programa. "Dispondo de um mandado e aprovado pelos tribunais, eu concordaria", disse Robert Ray, 54 anos, um eleitor independente de Kentucky. "Mas eles estão tentando fazer isto sem usar os tribunais. Eu simplesmente não confio neles."

Na pesquisa, 70% dos entrevistados disseram que não estariam dispostos a apoiar o monitoramento pelo governo das comunicações de "americanos comuns"; 68% disseram estar dispostos a apoiar o monitoramento de "americanos dos quais o governo suspeita".

Além da vigilância, a pesquisa revelou que os americanos vêem desfavoravelmente o presidente e o Congresso controlado pelos republicanos enquanto Bush se prepara para fazer seu discurso do Estado da União. Os americanos, apesar de em geral se declararem otimistas quanto aos próximos três anos sob Bush, não esperam que ele realizará muito neste período.

Os entrevistados disseram que quando Bush deixar o governo, o déficit estará maior do que agora, os idosos estarão pagando mais por medicamentos prescritos e a economia e o sistema de saúde estarão iguais ou piores do que agora.

Bush é visto de forma favorável por 42% dos entrevistados, estatisticamente o mesmo que na última pesquisa Times/CBS News do início de dezembro, uma avaliação ruim que poderá atrapalhar sua capacidade de obter apoio da população para sua agenda e aprovação de legislação no Congresso. Além disto, quase dois terços do país acham que a nação está no caminho errado, um patamar que historicamente tem provado ser motivo de preocupação para o partido no poder.

A maioria disse estar insatisfeita com a forma com que Bush está administrando a economia e a guerra no Iraque. A aprovação pública para a forma como ele está conduzindo a campanha contra o terrorismo, antes um de seus maiores trunfos políticos, se recuperou um pouco em relação ao trimestre passado, mas continua bem abaixo de onde estava nos dois primeiros anos após os ataques de 11 de setembro.

Ainda mais notável, a pesquisa revelou evidência abundante de insatisfação pública com o Congresso. Apesar de ser arriscado tirar conclusões sobre as eleições para o Congresso a partir de medições nacionais de descontentamento --por exemplo, mais da metade de todos os americanos disseram estar satisfeitos com o trabalho de seu representante no Congresso-- os resultados ressaltam o duro ambiente eleitoral que tem levado alguns analistas a preverem perdas significativas para os republicanos em novembro.

As investigações de corrupção parecem ser responsáveis por grande parte da insatisfação. Quase 80% dos entrevistados disseram que as revelação de tráfico de influência que vieram à tona na investigação do lobista Jack Abramoff refletem "a forma como as coisas funcionam no Congresso" e não foram incidentes isolados. Mais de 50% disseram que a maioria ou mais da metade de todos os membros do Congresso "aceitam suborno ou presentes que afetam seus votos".

"Parece que a integridade dos membros do Congresso nos últimos anos chegou ao fundo do poço", disse Donald Pertuis, 54 anos, um eleitor independente de Hot Springs, Arkansas. Pertuis acrescentou: "Nos últimos 20 anos a ganância aumentou. As pessoas desejam mais, eu acho, e querem trabalhar menos". 53% dos americanos aprovaram grampos sem aprovação da Justiça "para reduzir a ameaça de terrorismo", enquanto 46% reprovam. A aprovação ao governo do presidente Bush continua em 42% George El Khouri Andolfato

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