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28/01/2006

Economia cresce no ritmo mais lento em 3 anos

The New York Times
Eduardo Porter e Vikas Bajaj

Em Nova York
Inesperadamente, o crescimento econômico diminuiu no quarto trimestre de 2005, atingindo o menor índice em três anos, de 1,1%, anunciou o governo nesta sexta-feira (27/1), obscurecendo o cenário imediato da economia.

O consumo caiu abruptamente depois que os fabricantes de automóveis cortaram os programas de incentivos generosos que aumentaram as vendas durante o verão. Não só os consumidores, mas também as empresas cortaram seus investimentos em carros e caminhões.

Os gastos militares também caíram inesperadamente e um aumento da conta de importação colocou uma âncora no crescimento geral.

A intensidade da desaceleração, que levou o crescimento anual de 4,2% em 2004 para 3,5%, surpreendeu muitos analistas, que esperavam forte retomada dos investimentos das empresas nos últimos meses do ano para conquistar uma folga no consumo. Eles tinham previsto um índice de crescimento de 2,5 a 3% no PIB, a mais ampla medida dos bens e serviços produzidos nos EUA.

"É mais do que surpreendente, é desconcertante", disse Ian Shepherdson, economista da High Frequency Economics, em Valhalla, N.Y.

Os dados econômicos mais fracos agradaram os investidores, que pressionaram os preços das ações e levantaram ligeiramente o preço dos bônus. Sua expectativa é que o Federal Reserve, cujo comitê se reúne na terça-feira, possa interromper sua campanha de 18 meses aumentando a taxa de juros, agora em 4,25%, depois que chegar a 4,5% ou 4,75%.

"A esperança é que o Fed veja isso e entenda que a economia não está superaquecida", disse David Kelly, assessor econômico da Putnam Investments em Boston, administradora de fundos mútuos.

A desaceleração econômica, entretanto, alimentou um debate sobre as perspectivas econômicas da nação. Com o enfraquecimento do mercado imobiliário, cai o principal pilar de sustentação dos gastos do consumidor.

Muitos analistas vêm advertindo há meses que a bolha imobiliária vai explodir, e poderá levar a um entrincheiramento econômico, com as taxas de juros crescentes e a estagnação das vendas de imóveis cortando o consumo.

"Acho que é uma queda genuína", disse Bob Barbera, economista da IG/Hoenig, argumentando que o aumento das taxas de juros e do petróleo está tirando o vento dos veleiros dos consumidores. Especificamente, ele argumentou que o setor automotivo vai ficar afundando a economia porque os fabricantes têm estoques que precisam descarregar.

Depois de bater recordes no último verão, as vendas de imóveis existentes, que são 85% do mercado imobiliário, caíram em cada um dos últimos três meses, enquanto as taxas de juros de financiamento subiram modestamente.

As vendas de imóveis novos, que são um indicador mais volátil e menos confiável, aumentaram em 2,9% em dezembro, para um ritmo anual de 1,27 milhões, depois de caírem mais de 9% em novembro, disse o Departamento de Comércio. Os preços médios, entretanto, caíram 3,4% em relação ao ano passado, para US$ 221.800 (em torno de R$ 510.000).

Mesmo assim, apesar do mercado imobiliário ter começado a esfriar, a maior parte dos analistas argumenta que a queda do quarto trimestre não é o começo de um declive mais profundo. Observando os dados das ações, economistas argumentaram que a queda se provará passageira, causada por fatores que não devem se repetir no primeiro trimestre.

Alguns advertiram que os dados do quarto trimestre são apenas estimativas preliminares, que podem ser revisadas --especialmente quanto ao investimento das empresas, que pode estar crescendo neste ponto do ciclo econômico, quando os lucros estão altos e as empresas estão atingindo limites de capacidade. A maior parte acredita que o consumo e o investimento de capital aumentarão na primeira metade do ano, com a suavização da queda nas vendas de carros.

"A probabilidade de revisão para cima é bastante alta. E o PIB deve voltar a crescer no primeiro trimestre para em torno de 4%", disse Lincoln Anderson, economista da LPL Financial Services em Boston.

Outro economista disse que a atual queda deve ser atribuída quase inteiramente a Detroit. "Tudo se resume ao setor automotivo. As vendas de automóveis permeiam toda a demanda final", disse Daniel J. Meckstroth, economista da Manufacturers Alliance/Mapi, grupo de pesquisa.

As vendas de três fabricantes de carros e caminhões nacionais foram reforçadas durante o verão e início do outono por grandes descontos. Mas quando os incentivos expiraram, e o preço da gasolina pulou para mais de R$ 1,70/l em alguns lugares depois do furacão Katrina, as vendas caíram precipitadamente.

No quarto trimestre do ano passado, as vendas finais de veículos caíram em 50,4% ao ano. A venda de veículos esportivos e caminhonetes leves caiu em 69% ao ano, enquanto os gastos das empresas caíram 19%. O efeito na economia foi significativo. Apenas o declínio nas vendas de veículos subtraiu 2,06 pontos percentuais do crescimento no trimestre.

Outros itens também contribuíram para o declínio, mas analistas argumentaram que se provarão temporários. Os gastos militares tiveram forte queda, surpreendente durante uma guerra. "Ainda estamos tentando entender de onde isso veio", disse Joseph Abate, economista da Lehman Brothers. Além disso, a alta no preço do petróleo provocou um aumento das contas de energia do país, contribuindo para um salto nas importações que colocou um peso na produção nacional.

O aumento dos estoques nas empresas significou um impulso significativo -de 1,45 pontos percentuais- à economia. Mas se o consumo continuar fraco, o estoque adicional de bens pode forçar os fabricantes a cortarem a produção nos próximos meses. "Isso não é crescimento sustentável", disse Anthony Chan, economista do J.P. Morgan.

Mesmo assim, apesar de os economistas acreditarem que a economia vai se recuperar no futuro imediato, ainda há uma preocupação profunda com uma desaceleração mais adiante. Shepherdson, por exemplo, previu uma queda de 30 a 40% no número de vendas de imóveis até o final do ano, que congelaria o consumo. Barbera previu que o crescimento econômico deste ano deve cair para cerca de 2,4%.

Charles Dumas, economista internacional da firma de previsões Lombard Research, em Londres, disse em uma nota aos investidores: "Vai ser preciso um milagre tão bom quanto Mozart, que faz 250 anos hoje, para impedir uma forte queda na segunda metade de 2006, provavelmente para crescimento zero" no quarto trimestre. O desaquecimento poderá levar o Fed a reduzir os juros dos EUA Deborah Weinberg

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