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29/01/2006

Dodge Dakota: antes uma estrela solitária, agora parte de uma multidão

The New York Times
Bob Knoll
Quando a Dodge começou a vender sua primeira Dakota como um modelo 1987, ela atendeu a uma lacuna no mercado que rapidamente se transformou em um pote de ouro. Maior do que as picapes compactas da época, mas não tão bruta quanto as caminhonetes das Três Grandes, a Dakota criou um nicho --o da picape de tamanho médio-- que manteve para si por quase 20 anos.

The New York Times 
A Dodge Dakota modelo Club Cab, com portas traseiras articuladas na parte posterior

À medida que a Dakota prosperava --as vendas anuais ultrapassavam 100 mil desde o início dos anos 90-- e os americanos perdiam interesse em picapes menores, outras montadoras começaram a prestar atenção. Exceto pelas gêmeas datadas persistentes Ford Ranger-Mazda B-Series, todos os modelos compactos foram substituídos por picapes de porte médio: Chevrolet Colorado e GMC Canyon, Nissan Frontier e Toyota Tacoma. Até mesmo a Honda entrou no mercado de picapes de porte médio com seus utilitários esporte Ridgeline.

A Dakota recebeu sua segunda remodelação ampla no ano passado, e ela continua sendo a maior das picapes de porte médio. Sua distância entre eixos é maior do que a de suas concorrentes e seu comprimento geral é cerca de 25 centímetros maior.

Os direitos de se gabar da Dakota agora se resumem ao seu conjunto de motor/transmissão: diferente de outras picapes de porte-médio, ele oferece potência V-8 --e não de apenas um V-8, mas dois. Mas deve ser notado que, mesmo o motor mais forte do Dakota, com 250 cv, é superado pelos 265 cv do V-6 da Frontier.

Lembra de quando todas as picapes tinham duas portas? A Dodge descartou a versão básica de duas portas e agora oferece dois modelos com quatro portas. A Club Cab tem pequenas portas traseiras articuladas na parte posterior que travam com as portas dianteiras de tamanho normal. As portas traseiras abrem para uma área de passageiros de tamanho pequeno com dois minúsculos assentos dobráveis.

A Quad Cab tem quatro portas convencionais e um assento traseiro espaçoso que pode receber três adultos. Os assentos traseiros podem se dobrar para expor compartimentos de carga úteis debaixo deles.

Cada configuração é oferecida em três níveis de acabamento --o básico ST, o médio SLT e o luxuoso Laramie-- e todas as versões são do mesmo tamanho. Assim, é a área de carga que varia: a da Club Cab é de 1,8m X 1,8m, a da Quad Cab é 1,5m X 1,2m.

O motor padrão em todos as Dakotas é um V-6 de 3.7 litros com 210 cv. Motores opcionais são um V-8 de 4.7 litros com 230 cv, que consome gasolina comum, e um 4.7 de "alta potência" (nos modelos SLT ou Laramie) com 250 cv que consome combustível premium.

Uma transmissão manual de seis velocidades é o padrão com os motores V-6 e V-8 regulares, mas não está disponível no V-8 de alta potência. Uma automática de quatro velocidades é oferecida com os modelos V-6 e uma de cinco com os modelos V-8.

Diferente de seus rivais, a Dodge oferece opções em sistemas de tração nas quatro rodas; ambas têm relação baixa (reduzida) para esforço pesado. O sistema básico tem ajustes para tração em duas rodas; tração nas quatro com diferencial central bloqueado; e relação baixa. Os ajustes de tração nas quatro rodas não devem ser usados em pavimento seco.

O outro sistema, opcional nos SLTs e Laramies, substitui o ajuste de tração nas quatro em tempo integral por tração traseira. Ele também tem ajustes para tração reduzida e elevada nas quatro rodas.

Estranhamente, para uma picape com tanto conteúdo de alta renda, o sistema de freio padrão inclui cilindros traseiros com antibloqueio (ABS) apenas na traseira. Freios ABS nas quatro rodas são opcionais que custam US$ 495 (cerca de R$ 1.100).

A Mitsubishi agora está vendendo uma versão da Dakota chamada Raider. Ela tem os mesmos componentes mecânicos, apenas não oferece o V-8 de alta potência. O preço mais baixo da Dakota é a ST Club Cab 4x2 por US$ 19.435 (cerca de R$ 43 mil). Meu veículo de teste foi o Quad Cab V-8 4x4 com acabamento Laramie. Atualmente este modelo está listado por US$ 30.235 (cerca de R$ 67 mil), incluindo taxa de frete. O preço de US$ 33.715 (cerca de R$ 75,5 mil) é o que inclui muitos opcionais que muitos compradores vão querer: US$ 525 (cerca de R$ 1.160) por equipamento de reboque; US$ 495 (cerca de R$ 1.100) por freios ABS nas quatro rodas; US$ 495 (cerca de R$ 1.100) por air bags nas janelas; US$ 785 (cerca de R$ 1.700) pelo V-8 de 230 cv e US$ 75 (cerca de R$ 165) pelo câmbio automático de 5 velocidades; US$ 790 (cerca de R$ 1.750) por rodas e pneus de 17 polegadas.

Mas como a maioria das picapes, a Dakota tem sido vendido com grandes descontos. A Edmunds.com diz que picapes como meu modelo de teste estão sendo vendidas, em média, por US$ 28.551 (cerca de R$ 63 mil). Tal número inclui um desconto de US$ 2.500 (cerca de R$ 5.525) que deverá acabar nesta semana; uma prorrogação ou outros incentivos são prováveis. A picape de teste apresentou um consumo de combustível de 6,2 km por litro na cidade e 8,5 km na estrada. Eu fiz em média 5,3 km por litro, apesar do computador de bordo incuravelmente otimista dizer 6,4 km por litro.

O V-8 de 230 cv apresentou uma excelente resposta, especialmente em primeira marcha, e parecia mais suave e silencioso do que o V-6 em picapes equivalentes. Ainda assim, o motor parecia menos potente do que os V-6 da Toyota e Nissan.

Este Dakota 4x4 rodou melhor do que eu esperava tanto em rodovias quanto em estradas secundárias, mas ainda apresentava muito do balanço que você sente no Dodge Ram. E algumas pessoas poderiam se queixar de que a viagem foi um tanto macia demais e sem emoção para uma picape.

Os freios apresentaram um bom desempenho geral, com uma ação suave do pedal e capacidade de frenagem adequada. O interior da Quad Cab pareceu espaçoso e arejado. A Nissan alega ter mais espaço em sua Frontier Crew Cab, mas aquela picape parece menor porque a visão de sua cabine é mais restrita, especialmente para os cantos traseiros. Para ajudar a visão há os apoios de cabeça estilo escada da Dakota; você pode ver através de suas aberturas.

Os assentos dianteiros são espaçosos e confortáveis e há um grande console central. O assento traseiro dividido também é confortável --bem melhor do que o quase insuportável assento na Club Cab. Todos os assentos traseiros dos Dakotas se dobram em um único movimento fácil se fechando contra a parede traseira da cabine. Semelhante à Frontier, este arranjo é o melhor de qualquer picape, na minha opinião.

Os interiores das picapes estão ficando muito melhores e o das Dakotas reflete esta tendência. As partes plásticas se encaixam bem e as cores são compatíveis. O centro do painel, com controle climático, aparelho de som e saídas de ar, apresenta acabamento em um prateado atraente.

Os controles climáticos e de áudio são claros, lógicos e bem projetados. Mas a opção de rádio por satélite Sirius na minha picape de teste reduziu as leituras no dial a números minúsculos, e o relógio ganhou status secundário quando o rádio estava ligado.


A Nissan, Toyota e Honda elevaram o padrão na construção da área de carga ao revesti-las com um composto que ajuda a prevenir arranhões, lascas e amassados. Elas também acrescentaram amarras para carga.

A Dakota não apresenta tais características, apesar de oferecer um revestimento de plástico para a área de carga por US$ 245 (cerca de R$ 540). As características de segurança incluem air bags de vários estágios para o motorista e passageiro do assento dianteiro e air bags nas janelas opcionais que protegem tanto os passageiros da frente quanto os de trás. Air bags laterais montados no assento não estão disponíveis, mas eles tendem a ser menos importantes em picapes, onde os passageiros ficam sentados mais alto.

Testes de colisão recentes realizados pela Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário deu sua melhor nota para a Dakota Club Cab --cinco estrelas-- em testes de colisão frontal e lateral. (O assento traseiro não foi testado em impacto lateral.)

A Quad Cab recebeu cinco estrelas para o motorista e quatro estrelas para o passageiro da frente em testes de colisão frontal. Estranhamente, o assento traseiro da Quab Cad não foi testado em impactos laterais apesar de ser popular como veículo para cinco passageiros. O governo trabalha de forma misteriosa.

Como grupo, todas as picapes de porte médio melhoraram significativamente em comparação aos modelos anteriores. Mas estão ficando maiores, tanto em tamanho quanto capacidade, e não parecem mais tão sensíveis. Suas dimensões agora rivalizam com as de picapes grandes, seus preços são quase tão altos quanto e apresentam quase o mesmo consumo de combustível.

A Dakota tem alguns atributos fortes. Eu a considero mais silenciosa e confortável do que a Frontier e Tacoma, com um motor V-8 mais suave do que seus V-6. A Quad Cab tem um interior espaçoso e confortável e, juntamente com a Frontier, o melhor projeto para assento traseiro. Mas a economia de combustível da Dakota é decepcionante. A área de carga precisa ser melhorada para maior durabilidade e versatilidade.

Eu ainda considero a Frontier como o destaque entre as picapes de porte médio convencionais. Entre as não convencionais, a Ridgeline da Honda, que tem recebido muitos prêmios, é certamente a inovadora da categoria.

A Dakota tem muitas qualidades, mas para uma picape que criou todo um novo mercado, ela não mais parece nova ou inovadora. Picape recebeu sua segunda remodelação ampla no ano passado George El Khouri Andolfato

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