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01/02/2006

Mulheres têm mais risco que homens de apresentar doença coronária não detectada

The New York Times
Denise Grady

Em Nova York
As mulheres têm maior probabilidade que os homens de ter um tipo de doença coronariana na qual seu músculo cardíaco fica sem oxigênio, apesar de suas artérias parecerem limpas e livres de bloqueios em raios-X, anunciaram os médicos nesta terça-feira (31/01).

A condição, que talvez afete 3 milhões de americanas, aumenta grandemente o risco de ataque cardíaco. Seu principal sintoma é dor no peito ou desconforto. Muitas mulheres sentem dor, mas como não apresentam bloqueios no exame de angiograma, os médicos concluem que nenhum tratamento é necessário. As pacientes, porém, podem ter ataques cardíacos ou desenvolver deficiência do músculo cardíaco debilitante e até fatal.

Para o exame de angiograma, uma tinta é injetada nas artérias coronárias, e depois são tiradas chapas de raio-X em busca de bloqueios.

"Quando não há bloqueios, todo mundo relaxa, inclusive o paciente, e não queremos isso", disse George Sopko, do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue. Tais pacientes provavelmente precisam de tratamento, disse ele.

As descobertas estão entre uma série de artigos que serão publicados na quarta-feira (1/2) em duas revistas médicas: "Circulation" e "Journal of the American College of Cardiology". Eles exploram as diferenças entre homens e mulheres nas doenças cardíacas. Nas últimas décadas, o assunto vem atraindo cada vez mais atenção, na medida em que os cientistas começaram a compreender que os resultados de estudos anteriores, feitos em grande parte pelos homens, nem sempre se aplicavam às mulheres.

As mulheres, quando são diagnosticadas com doença cardíaca, em geral estão mais doentes que os homens, se beneficiam menos com a cirurgia de ponte e têm sintomas mais severos. Parte da diferença se deve porque as mulheres, quando desenvolvem a insuficiência cardíaca, são mais velhas e frágeis, mas isso não é tudo.

Os sintomas do ataque cardíaco costumam ser diferentes. Os homens costumam ter forte dor no peito, enquanto as mulheres sentem tontura, enjôo, falta de ar e suores.

Doenças cardíacas e outros problemas cardiovasculares são a principal causa de morte nos EUA e outros países desenvolvidos; foram responsáveis pela morte de 910.600 pessoas nos EUA em 2003, ano mais recente para o qual existem dados disponíveis; mais da metade das mortes, 484.000, foram entre mulheres.

Apesar do risco para as mulheres ser maior depois da menopausa e aumentar com a idade, a doença cardíaca é a causa principal de morte em todas as mulheres com mais de 25 anos. O total de mortes por doença coronariana caiu nas últimas décadas, mas a maior parte da redução foi nos índices masculinos.

O que causa a doença cardíaca dissimulada é um aumento difuso de depósitos de gordura dentro das paredes das artérias coronárias e na vascularização do coração. Os depósitos ou placas não aparecem como bloqueios nos raios-X, mas ainda assim interferem no fluxo sangüíneo e podem danificar o músculo cardíaco, causando isquemias.

No entanto, freqüentemente os médicos não reconhecem a condição e dizem para as mulheres não se preocuparem. Em vez disso, elas devem tratar ativamente dos problemas que levam á doença coronariana, como alto nível de colesterol, pressão sangüínea alta e diabetes, disse Sopko. Se necessário, acrescentou, devem parar de fumar, perder peso e se exercitar.

Segundo os pesquisadores, uma mulher que fuma tem um risco de morrer de doença cardíaca similar ao que teria se pesasse 40 kg a mais que a não fumante.

"Para as pacientes a mensagem é: 'Se você tem os sintomas, não pense que por ser mulher está imune a problemas cardíacos", disse Sopko.

As descobertas basearam-se em um estudo patrocinado pelo governo chamado Wise, das iniciais em inglês para Avaliação da Síndrome de Isquemia em Mulheres. Iniciado em 1996, incluiu 936 mulheres com sintomas que levaram os médicos a pedir um angiograma. A média de idade das mulheres era de 58, mas um quarto eram jovens o suficiente para não terem passado pela menopausa.

Apesar de seus sintomas, apenas um terço do grupo tinha bloqueios evidentes nas artérias coronárias. Em uma amostra similar de homens, três quartos ou mais teriam sério bloqueio, disse Carl J. Pepine, médico do coração na Universidade da Flórida em Gainesville e um dos principais pesquisadores do estudo.

Nos dois terços restantes das mulheres -ou seja, as que não tinham bloqueios- mais da metade tinha anormalidades em suas artérias, como uma incapacidade de dilatar quando precisavam, que poderia causar isquemia, disse Pepine. As anormalidades ocorreram tanto nas artérias coronárias quanto nas menores que alimentam o coração, uma rede de vasos minúsculos chamada de microvascularização.

Exames mostraram que as paredes das artérias estavam cheias de placas, mas tinham se alargado para acomodá-las, de forma que a abertura parecia normal. Mas, eventualmente, a condição pode progredir o suficiente para começar a fechar a artéria, disse Pepine.

Depois de quatro anos, o índice de mortes ou ataques cardíacos no grupo sem bloqueios foi de 10%.

"Isso é alto demais para alguém com um angiograma coronário normal", disse Pepine.

Não está claro porque as mulheres parecem mais propensas à doença vascular dissimulada, mas pode estar ligada a desequilíbrios hormonais e maior tendência a sofrer de inflamação, que tem um papel na doença.

Um dos estudos divulgados na quarta-feira diz que um certo tipo de anomalia no eletrocardiograma -chamada de ângulo QRS/T aumentado- está ligada a maior risco de morte por doença cardíaca entre as mulheres sem histórico de doença coronariana, mais do que nos homens.

A anomalia deve alertar os médicos que o paciente pode estar desenvolvendo doença cardíaca, disse Pentti M. Rautaharju, da Universidade de Wake Forest, autor dos estudos. Males cardíacos as atacam de forma mais severa; cura é mais difícil Deborah Weinberg

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