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02/02/2006

Pentágono decide manter estratégia militar depois de anunciar que faria "transformação"

The New York Times
David S. Cloud

Em Washington
Uma abrangente revisão da estratégia militar antes rotulada como sendo o plano do secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, para reforma das forças armadas, não elimina nenhum grande sistema de armas e pede apenas por pequenas mudanças em outras prioridades, segundo funcionários do Pentágono, consultores externos e analistas independentes.

O plano, que deverá ser divulgado na próxima semana juntamente com o plano orçamentário do ano fiscal de 2007 do governo Bush, contém algumas mudanças significativas, como o pedido para o treinamento de milhares de soldados adicionais para operações especiais e pela fabricação de armas futuristas para derrotar grupos terroristas e novos adversários potenciais, como a China.

Mas as esperanças iniciais dos civis do Departamento de Defesa de empregar a reavaliação, que é feita a cada quatro anos, para forçar mudanças abrangentes nas prioridades de gastos, não se materializaram, em parte, disseram os analistas, devido à resistência dos serviços militares.

Com grande parte de seu tempo tomado pela administração da guerra no Iraque, Rumsfeld esteve menos envolvido na análise deste ano do que esteve em 2001, quando foi realizada a última revisão, disseram funcionários e analistas. Ele delegou grande parte da tomada de decisão a assessores e ao vice-secretário de Defesa, Gordon R. England.

Além disso, algumas das idéias mais inovadoras da liderança civil do Pentágono foram rejeitadas por serem consideradas caras demais ou ineficientes por muitas das equipes de oficiais a analistas que estudaram os planos no ano passado.

Mesmo Rumsfeld reduziu as expectativas na quarta-feira (1/2) de que a revisão produzirá mudanças monumentais, chamando o documento de "um ponto no caminho de uma série de mudanças que tiveram início alguns anos atrás e continuarão por mais alguns anos".

O próprio governo elevou as expectativas em torno da revisão, e o tema da "transformação" passou a ser uma espécie de mantra nos corredores do Pentágono. Alguns diziam que os frutos da revisão seriam um legado duradouro dos anos Rumsfeld tanto quanto os resultados das guerras no Iraque e no Afeganistão.

Ryan Henry, um importante funcionário de planejamento do Pentágono, declarou no ano passado que o esforço, em vez do "instrumento de aprimoramento periódico" habitual, seria "o esteio da transição para um mundo pós-11 de setembro".

Em vez disso, ao manter vivos alguns programas cujos custos projetados aumentaram muito nos últimos anos, como o caça F/A-22, os Sistema de Combate do Futuro do Exército e o destróier DD(X) da Marinha, a revisão questionou como armas e capacidades mais exóticas, que Rumsfeld acredita serem vitais para combater grupos terroristas e outros adversários não convencionais, podem se enquadrar em futuros orçamentos da defesa.

Andrew Krepinevich, um analista de defesa do Centro para Assuntos Estratégicos e Orçamentários que participou da revisão, disse que havia grande expectativa de que na revisão "o Departamento de Defesa confrontaria algumas decisões difíceis".

A essência da agenda de Rumsfeld para as forças armadas é tornar os serviços armados mais móveis e letais, mais capazes de lidar com as ameaças emergentes de grupos terroristas e rebeldes, incluindo armas de destruição em massa, mantendo o predomínio nos campos de batalha convencionais. Sua marca está claramente visível em decisões como a expansão do número de soldados das operações especiais, treinados em guerra psicológica e assuntos civis, em 3.700 soldados.

Rumsfeld também tem se preocupado com a falta de capacidade das forças armadas de atacar rapidamente em qualquer parte do mundo com armas convencionais. A revisão -conhecida formalmente como Revisão Quadrienal da Defesa- pede pelo dobro da aquisição de submarinos de ataque, de um por ano para dois, até 2012, assim como armar os mísseis Trident carregados pelos submarinos com ogivas convencionais.

Mas além destas iniciativas relativamente de pequena escala, a revisão é geralmente melhor em definir as novas ameaças que as forças armadas devem enfrentar do que precisamente definir como derrotá-las, disseram analistas da defesa. Nos últimos dias e semanas, as conclusões da revisão têm sido amplamente divulgadas em Washington.

"Apesar da base do documento ser a de que as ameaças tradicionais estão diminuindo e as ameaças não convencionais estão crescendo, você tem a impressão de que eles não sabem o que fazer a respeito", disse Loren Thompson, um analista de defesa do Instituto Lexington, uma organização de pesquisa em Washington.

Mesmo as iniciativas de pequena escala no plano podem ser brecadas no Congresso. Uma proposta para a redução do número de brigadas de combate da Guarda Nacional, de 34 para 28, tem enfrentado a oposição de governadores e legisladores, que argumentam que a redução da capacidade de combate da Guarda no momento em que estão tendo um papel substancial no Iraque e no Afeganistão não faz sentido.

Assessores do Pentágono disseram que a idéia é consolidar unidades da Guarda freqüentemente pouco equipadas e com pouco pessoal, aumentando sua eficácia.

Um dos motivos para a revisão deste ano não promover mudanças mais profundas parece ser o fato de que o conflito no Iraque impediu Rumsfeld de dedicar mais atenção a esta revisão do que fez no passado.

"Em 2001, você não podia tomar uma decisão importante sem o secretário Rumsfeld na sala", disse uma ex-funcionária do Pentágono, Michelle Flournoy, que participou da revisão anterior. "Desta vez, ele não teve um papel ativo como teve em 2001."

Rumsfeld delegou grande parte do trabalho diário a seus assessores e England, um ex-executivo da indústria de defesa que foi secretário da Marinha antes de substituir Paul Wolfowitz, em abril. Vários analistas que acompanharam o processo atentamente disseram que, quando England assumiu a revisão no ano passado, ele ajudou em um processo que estava à deriva, mas que ele se esquivou de promover mudanças profundas nas prioridades do Exército, Marinha, Guarda Costeira e Corpo de Marines.

Quando os assessores de Rumsfeld tentaram podar as listas de desejos dos serviços armados, eles freqüentemente foram dobrados, disseram os analistas. A Força Aérea conseguiu derrotar uma proposta que exigia que ela e a Marinha comprassem a mesma versão básica do caça de nova geração do Pentágono, uma idéia proposta como medida para economia de custos.

Mas os oficiais da Força Aérea argumentaram que suas necessidades divergiam significativamente das necessidades da Marinha e acabariam exigindo modificações onerosas em qualquer projeto comum, disse Thompson.

"Os analistas tiveram um papel chave e muitas vezes os analistas não apóiam muitas idéias da moda", acrescentou Thompson. Propostas de liderança civil foram rejeitadas pelas forças armadas George El Khouri Andolfato

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