UOL Notícias Internacional
 

02/02/2006

Polícia israelense luta com colonos da Cisjordânia

The New York Times
Greg Myre

Em Jerusalém
A polícia israelense na quarta-feira (1/2) lutou contra colonos judeus que atiraram pedras e tijolos de concreto em um piores enfrentamentos entre israelenses em anos, deixando mais de 200 feridos, inclusive policiais, colonos e membros de direita do parlamento.

A polícia tinha recebido ordens de derrubar nove casas de colonos construídas sem a permissão do governo em um morro na Cisjordânia. A ordem fazia parte de uma abordagem mais dura contra a atividade dos colonos adotada pelo primeiro-ministro interino Ehud Olmert.

Rina Castelnuovo/The New York Times 
Colonos judeus usam barricadas contra os seus próprios compatriotas, soldados de Israel

O confronto, no enclave de Amona, perto de Ramallah, envolveu milhares de policiais e jovens judeus ortodoxos e foi mais violento do que os que ocorreram no verão passado, quando Israel evacuou a Faixa de Gaza. As casas destruídas pertenciam a um posto avançado não autorizado que os líderes israelenses há muito diziam que iam remover, além de outras dezenas tentativas similares de estabelecer novos assentamentos.

"A política de contenção acabou", disse o ministro de segurança interna Gideon Ezra, à rádio Israel. "Este é um país que cumpre a lei, e todos têm que se comportar."

Olmert está concorrendo à eleição no dia 28 de março como presidente do Partido Kadima, de centro, formado pelo primeiro-ministro Ariel Sharon. Seu maior desafio será vencer a direita -especialmente depois da vitória do partido militante Hamas nas eleições palestinas na semana passada. Isso torna o atual confronto potencialmente arriscado politicamente. Olmert foi defensor vocal da retirada de Gaza e acredita que Israel terá que deixar partes da Cisjordânia para preservar a maioria israelense judia.

Sharon sofreu um sério derrame no dia 4 de janeiro e continua em coma em um hospital de Jerusalém. Os médicos disseram na quarta-feira que tinham inserido um tubo em seu estômago para alimentação.

Os cerca de 5.000 manifestantes em Amona, a maior parte adolescentes e muitos deles colonos, atearam fogo em pneus e entrincheiraram-se nas casas durante a noite, enquanto as forças de segurança cercavam a área.

Na manhã de quarta-feira, a Suprema Corte manteve uma determinação judicial anterior que permitia que o governo desmantelasse as casas.

Momentos depois começaram os confrontos. Os jovens atacaram a polícia com pedras, pedaços de concreto e lâmpadas cheias de tinta. Mais de 80 policiais ficaram feridos, a maior parte levemente, apesar de um ter sido atingido na cabeça e hospitalizado em estado grave, disse o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld.

"Em muitos anos na força policial israelense, eu nunca tinha visto tal violência contra a polícia", disse Yisrael Yitzhaki, disse o comandante da operação à radio do exército.

Policiais a cavalo atacaram os colonos e bateram neles com cassetetes. A polícia também usou canhões de água, ensopando muitos dos manifestantes nos telhados, em um dia frio de inverno.

A polícia atingiu também Effi Eitam, parlamentar de direita, um dos poucos manifestantes adultos. Eitam sangrou muito da cabeça, apesar de não ter sido seriamente ferido. Arye Eldad, outro parlamentar que participou do protesto, quebrou um braço. Ao todo, 140 manifestantes ficaram feridos, um em estado grave, disse a polícia. Mais de 30 manifestantes foram presos.

Eitam, em entrevista de sua cama no hospital, acusou Olmert de estar em busca de ganhos políticos. "Acho que Olmert provou hoje que não merece se tornar líder nacional", acusou Eitam em uma entrevista à rádio Israel.

Os manifestantes colocaram arame farpado em volta dos telhados. Quando os policiais tentavam a subir com escadas, os colonos os empurravam com paus. Muitos policiais foram então içados por equipamentos de construção até os telhados, onde rapidamente dominaram os manifestantes usando cassetetes.

Quando os manifestantes foram removidos, tratores reduziram as casas de pedra e tijolo de concreto a entulho. Como o caso na justiça citava apenas nove casas permanentes, cerca de uma dúzia de trailers no mesmo local foram poupados.

O enclave tem serviços básicos fornecidos por empresas israelenses, inclusive eletricidade. Os colonos citaram esse fato como evidência de que o Estado apóia o posto avançado, mesmo que não seja formalmente.

Olmert não teceu comentários publicamente. No entanto, organizações de notícias israelenses, citando autoridades em uma reunião de segurança no governo, informaram que Olmert culpava os líderes dos colonos de terem planejado cuidadosamente um ataque.

Em 2003, Sharon prometeu derrubar os postos avançados como parte do "mapa do caminho", o plano de paz com os palestinos reconhecido internacionalmente. Mas o plano foi suspenso logo após sua introdução. Nem os israelenses nem os palestinos cumpriram suas obrigações iniciais. Sob Sharon, o governo israelense removeu alguns enclaves, mas a maior parte permaneceu.

O governo diz que identificou mais de 20 postos avançados, a maior parte consistindo de apenas alguns trailers. Alguns ficam em morros isolados, enquanto outros são efetivamente extensões de assentamentos formais. Amona fica ao lado do assentamento de Ofra, perto da cidade palestina de Ramallah.

O grupo de monitoração israelense Peace Now diz que existem mais de 100 postos avançados e que a metade foi construída depois de março de 2001. O plano de paz pede especificamente que todos os postos construídos depois dessa data sejam derrubados.

Os postos são separados dos 120 assentamentos formais na Cisjordânia, onde moram cerca de 250.000 colonos judeus. Além disso, mais de 200.000 israelenses moram no Leste de Jerusalém, que Israel capturou e anexou na guerra árabe israelense de 1967.

A ONU e entidades jurídicas internacionais nunca reconheceram a legalidade dos assentamentos israelenses construídos nas terras apreendidas na guerra de 1967, e os palestinos exigem sua remoção. O confronto, no enclave de Amona, perto de Ramallah, envolveu milhares de policiais e jovens judeus ortodoxos e foi mais violento do que os que ocorreram no verão passado, na Faixa de Gaza Deborah Weinberg

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