UOL Notícias Internacional
 

05/02/2006

Será que os commodities se tornaram as novas ações de tecnologia?

The New York Times
Conrad De Aenlle
A volta ao básico tem sido o grande tema nos mercados. Se os investidores no final dos anos 90 deram um salto audacioso para o futuro com ações de tecnologia -em um alto precipício, como se mostrou- eles agora estão abraçando esteios econômicos ancestrais, como cobre, madeira, petróleo e ouro.

Um referencial amplamente acompanhado dos preços dos commodities, o índice CRB (Commodity Research Bureau), atingiu recentemente uma alta recorde após quase dobrar desde o final de 2001. As ações das empresas que fornecem tais materiais -operadoras de gasodutos, mineradoras de metais preciosos e industriais, empresas de produtos florestais- têm seguido uma trajetória semelhante, mas alguns analistas argumentam que os preços têm subido demais, muito rápido.

"Provavelmente há algumas áreas que oferecem melhores perspectivas" para os investidores "porque as expectativas para os preços dos commodities estão muito altas", disse Stuart Schweitzer, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset Management. "Eu ficarei surpreso se as ações de commodities forem o grupo de melhor performance em 2006."

Os commodities, especialmente os industriais como cobre e madeira serrada, são uma aposta no crescimento econômico. Schweitzer espera a continuidade do crescimento na Ásia e em outros mercados emergentes -uma tendência que tem pressionado os preços dos commodities- mas também espera um crescimento mais contido em outros lugares, especialmente nos Estados Unidos, do que nos últimos dois anos. "Eu suspeito que a economia americana desacelerará um pouco neste ano", devido à queda no setor de habitação, ele disse. "Se estiver certo, a demanda por commodities cairá um pouco."

Alguns administradores de fundos com portfólios especializados em produtores de commodities também estão começando a demonstrar preocupação com os ganhos acelerados nos preços. Apesar de manterem perspectivas otimistas de longo prazo, eles expressaram reservas quanto ao futuro próximo.

"Nós passaremos por uma recuperação de longo prazo após níveis exagerados estúpidos", disse Fred Sturm, que administra o fundo Ivy Global Natural Resources. "Os preços de muitos destes commodities estavam insustentavelmente baixos." No final dos anos 90 e início dos anos 2000, ele apontou, o ouro e o petróleo estavam sendo negociados no valor mais baixo em quase 20 anos após terem caído em mais de dois terços.

Os preços em depressão ajudaram a forçar os produtores de commodities a se fundirem -Alcoa e Reynolds no alumínio, por exemplo, e Exxon e Mobil em energia- e a darem outros passos para melhorar suas finanças. Isto levou ao primeiro passo no que ele espera que será uma alta em três estágios nos mercados de commodities.

O último estágio, ele previu, será "uma fase de verdadeira escassez, quando a Mãe Natureza nos der um tapa na cara e chamar nossa atenção à força, nos dizendo que estamos ficando sem commodities como petróleo em um momento em que as pessoas continuam querendo mais".

Mas isto está mais além no futuro, disse Sturm. No momento, "nós estamos em uma grande fase intermediária gorda onde os preços dos commodities deverão se manter bem acima da média, mas não apresentarão uma tendência de alta acentuada", disse ele. "Nós esperamos uma mudança nos patamares recentes de energia e de alguns metais, como cobre."

Ele descreveu sua perspectiva para as ações de commodities durante este período estável como "pressão persistente mas moderada" e disse que as valorizações "ainda são muito atraentes, mesmo se os ganhos não continuarem crescendo no mesmo ritmo exagerado" dos meses recentes.

Pouco mais da metade do fundo de Sturm está investido em fornecedores de energia, incluindo a ChevronTexaco, Thai Oil e Massey Energy, uma empresa americana de mineração de carvão. Nos últimos seis meses, ele disse, ele tem alocado mais dos US$ 2,5 bilhões do fundo para ativos de produtores de metais preciosos como uma aposta no crescimento dos mercados em desenvolvimento.

"O ouro continua sendo uma forma de dinheiro, e em grande parte do mundo emergente, onde eles não confiam no que sai do caixa eletrônico, as pessoas podem comprar uma barra extra de ouro e guardá-la como dinheiro", disse Sturm. Ele também disse que os produtores de energia no Oriente Médio e em outras partes estão propensos a comprar ouro com o superávit de dinheiro, o que eles têm feito bastante ultimamente.

Sua aposta em metais preciosos também é uma garantia contra eventos negativos imprevistos. "O ouro é a melhor forma de seguro quando você não sabe contra o que está se garantindo", ele explicou. Entre as mineradoras de metais preciosos em seus portfólios estão a Buenaventura, do Peru, e a Impala Platinum, da África do Sul.

John Hill, um analista do Citigroup, disse que também acha que a alta no ouro ainda irá mais longe. Ele tem dito aos seus clientes que os preços continuam subindo diante de um cenário econômico freqüentemente associado a fraqueza para o metal, incluindo aumento das taxas de juros, inflação controlada e dólar forte.

"Nós continuamos positivos em relação ao ouro", ele escreveu, citando "fundamentos de oferta-demanda saudáveis na forma da produção indiana, investimento chinês no varejo e fluxo de petrodólares no Oriente Médio".

Os analistas do Citigroup estão indicando compra para Newmont Mining e Barrick Gold, e estão neutros em relação a outra grande produtora norte-americana, a Placer Dome. Eles também recomendam a compra da Alcoa, U.S. Steel e da siderúrgica Nucor. Outros componentes proeminentes do portfólio de Sturm são a Aracruz Celulose e a Suzano, empresas de papel e celulose brasileiras; Nalco, uma empresa americana de tratamento de água; e a Companhia Vale do Rio Doce, ou Cvrd, uma mineradora brasileira de metais básicos.

Sturm acentuou um segmento -produtos químicos- que se beneficia quando os preços de outros commodities caem. Energia é um grande custo na produção química, e com os preços da energia caminhando para uma moderação, em sua opinião, os fabricantes de produtos químicos poderão prosperar.

Ele está especialmente otimista com os fornecedores de gases industriais. "As empresas poderão desfrutar de uma maior lucratividade e da capacidade de quitar dívidas" nos próximos dois anos à medida que aumentarem os preços dos gases que produzem, ele disse. Ações de empresas como Praxair, Air Liquide e Air Products and Chemicals "são mais atraentes do que parecem". A perspectiva para a Praxair parece tão boa que um investidor que raramente compra produtores de commodities, Rick Drake, co-administrador do ABN Amro Growth Fund, a mantém em seu portfólio.

Drake descarta ações de commodities. "Elas tendem a ser empresas cíclicas", ele disse, "e nosso foco é em um crescimento sustentável, consistente, durante todas as etapas do ciclo".

"Elas se saem bem quando os preços disparam", ele acrescentou, "então alguém aparece e forma um estoque elevado, o preço cai e as empresas são prejudicadas".

A performance da Prexair não é tão volátil, ele disse. Ela é uma empresa de materiais básicos que produz hidrogênio, e Drake espera um crescimento de seu uso. "O ramo de hidrogênio tem se mostrado bem forte devido ao petróleo", ele disse, "não porque os preços do petróleo estão altos, mas porque as leis ambientais exigem que quando você obtém óleo cru de baixa qualidade, você empregue mais hidrogênio para refiná-lo".

O hidrogênio também torna mais eficiente a produção de aço, notou Drake, e é usado em salas limpas para, entre outras coisas, a produção de semicondutores. Sua alta "se deve mais à participação na produção industrial" do que a inflação no preço dos commodities, ele disse, descrevendo a Praxair como "uma empresa de crescimento constante, consistente".

O crescimento constante é desejável, mas os investidores estão freqüentemente dispostos a arriscar em empresas com fluxos de ganhos mais voláteis se acreditarem que podem pegar um movimento de alta. Gil Knight, um administrador sênior de portfólio da Gartmore, argumenta que a alta nos preços dos commodities é robusta o suficiente para dar uma exposição significativa ao setor, apesar de também se preocupar com o fato dos preços terem subido rápido demais.

Knight há muito possui ações de empresas de exploração e extração de petróleo, como Halliburton, Ensco International, Southwestern Energy e Range Resources, mas alertou contra seguir seu exemplo.

"Eu não compraria nenhuma destas ações", ele disse. "Elas estão em uma faixa muito alta." Ainda assim, ele disse, "em termos de percentual de ganhos em comparação a outros setores, eu não acho que se sairão tal mal quanto as pessoas acham."

Ele vê maiores oportunidades em outros setores. Ele disse que acrescentou mais da Freeport-McMoRan Copper and Gold em janeiro, quando as ações caíram ligeiramente em meio às alegações de que a empresa tinha ligações impróprias com as forças armadas da Indonésia. Suas ações subiram mais de 50% nos últimos seis meses.

Entre suas favoritas estão a Joy Global, uma fabricante de equipamento de mineração que ele chamou de "pequena empresa fantástica", e duas fornecedoras de cimento e outros produtos básicos, a Florida Rock e Vulcan Materials.

Ele concordou que os preços dos commodities serão sustentados pela força das economias emergentes. "Se você prestar atenção no crescimento", disse Knight, "você terá que manter ações de energia e provavelmente algumas de commodities neste ano". George El Khouri Andolfato

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