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09/02/2006

Antes do rex, dragão coroado dominava a China

The New York Times
John Noble Wilford

Em Nova York
Cientistas chineses e americanos descobriram aquele que parece ter sido o avô de todos os tiranossauros, um dinossauro primitivo com crista que viveu há 160 milhões de anos no noroeste da China.

Institute of Vertebrate Paleontology and Paleoanthropology, Beijing via NYT 
O Guanlong wucaii é apontado por paleontólogos como ancestral do tiranossauro rex
Os cientistas anunciaram nesta quarta-feira (8/2) que uma análise dos fósseis de dois espécimes sugere que eram ou restos do tiranossauro mais primitivo conhecido ou o primeiro ramo na árvore genealógica que leva ao Tyrannosaurus rex, o símbolo do predador da Era dos Répteis.

O dr. James M. Clark, um paleontólogo da Universidade George Washington, disse que a descoberta "nos mostra como os ancestrais do tiranossauro deram o primeiro passo que levou ao gigante T. rex, quase 100 milhões de anos depois".

A equipe de pesquisa, liderada por Clark e Xing Xu, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia em Pequim, batizou a novo espécie de Guanlong wucaii. O primeiro nome, ou gênero, vem da palavra mandarim para "dragão coroado", um referência a sua grande e frágil crista. O segundo nome, ou espécie, se refere às ricas cores da Bacia de Junggar, o remoto local da descoberta no norte da cordilheira de Tian Shan.

A descoberta, feita em 2002, é descrita em detalhe na edição de quinta-feira da revista "Nature". Clark e outros membros da equipe discutiram o tiranossauro ancestral na quarta-feira em uma coletiva de imprensa em Washington.

Dois espécimes da nova espécie foram encontrados um perto do outro. O mais revelador, disseram os cientistas, era o de um adulto de 12 anos, de 2,7 metros e com crista na cabeça que supostamente seria típico da espécie. O outro era menor, um jovem de 7 anos. Quase que imediatamente, Clark disse, "nós sabíamos que tínhamos algo bem raro".

As evidências mais claras do elo ancestral com o tiranossauro eram os dentes e a estrutura pélvica dos dois esqueletos. Um exame mais minucioso, disse Clark, afastou qualquer ceticismo restante e mostrou um claro relacionamento com o tiranossauro posterior.

O dr. Mark A. Norell, um paleontólogo do Museu Americano de História Natural em Nova York e um membro da equipe, disse: "A descoberta deste tiranossauro primitivo está nos dando um quadro muito mais amplo da diversidade deste grupo e seus ancestrais".

Norell notou vários traços primitivos nos esqueletos, incluindo a presença de longos antebraços e mãos com três dedos. O conhecido T. rex, que viveu há cerca de 70 milhões de anos, no fim do período Cretáceo do tempo geológico, evoluiu antebraços curtos que praticamente não tinham função e mãos com dois dedos, e um corpo imenso com duas ou três vezes o comprimento destes ancestrais.

As diferenças sugerem que os animais recém-descobertos foram um passo intermediário na evolução entre o primitivo coelurossauro, um grupo de dinossauros parecidos com aves, e o tiranossauro.

Os esqueletos foram encontrados em sedimentos do final do período Jurássico, quando o local na bacia desértica era uma terra quente de lagos e pântanos. A região da descoberta, perto da fronteira da China com a Mongólia e o Cazaquistão, foi explorada anteriormente por uma expedição chinesa-canadense à procura de fósseis nos anos 80. Outros paleontólogos disseram não ter ficado surpresos com o fato da região ter gerado mais descobertas de épocas anteriores no tempo dos dinossauros.

Apenas poucos vestígios de fósseis de dinossauros foram descobertos anteriormente em depósitos jurássicos, mas Clark disse que a era do espécime Guanlong era "aproximadamente aquela em que esperávamos que estariam os tiranossauros mais antigos".

O tiranossauro mais antigo anterior era um espécime com penas de 130 milhões de anos, o Dilong paradoxus, que cientistas americanos e chineses relataram dois anos atrás. Nenhum sinal de penas foi encontrado nos dois espécimes de Guanlong.

A presença de uma crista na cabeça do Guanlong adulto foi uma total surpresa, disse Clark, mostrando que "claramente ainda há muito mais a ser aprendido sobre os primeiros tiranossauros".

A equipe de pesquisa disse que a crista é aproximadamente tão fina quanto uma tortilha e com apenas pouco mais de 6 centímetros de altura. Ela aparentava conter vesículas aéreas e lembrava aos paleontólogos as penas ornamentais encontradas em algumas aves vivas, como casuares e calaus.

Norell disse que a crista era fina demais para fornecer alguma proteção, ou para ser usada em choque de cabeças em combate. Mais provavelmente, ele disse, a crista destes "dragões coroados" tinha algo a ver com atração de parceiros ou identificação dos membros da espécie. Cientistas dizem que evolução do animal resultou no tiranossauro George El Khouri Andolfato

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