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09/02/2006

Crescem afinidades das dinastias Bush e Clinton

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Washington
Quando os Bush e os Clinton deram-se as mãos diante de 15.000 pessoas em luto no funeral de Coretta Scott King, na terça-feira (07/2), parecia um momento de prece na vida da nação. Mas como todos sabiam, por baixo da imagem tranqüila entre as duas famílias que lideram a política dos EUA, há um drama de ambição, rivalidade, amor e aliança que pode determinar a eleição presidencial de 2008.

A cena, em meio à celebração de seis horas da vida e do poder político de King entre os negros nos EUA, apresentou camadas complexas de relacionamentos interconectados --pai e filho, marido e mulher, presidente e ex-presidente, adversário que se tornou aliado e primeira-dama que se tornou senadora e provável candidata à presidência.

Foi uma das mais públicas manifestações até hoje da estranha amizade e necessidade mútua de duas dinastias que, ao menos na superfície, não têm nada em comum. Mas, como disse o presidente Bush em uma entrevista à CBS News no mês passado, "Bush, Clinton, Bush, Clinton". Bush fez a referência em uma conversa reveladora com Bob Shchieffer, que disse: "Bem, se a senadora Clinton se tornar presidente."

"Isso", disse Bush.

"Talvez chegue o dia", continuou Shchieffer.

"Bush, Clinton, Bush, Clinton", respondeu Bush.

No início da entrevista, quando Shchieffer observou que a senadora Clinton estava "dando duro agora pela nomeação democrata", Bush chamou-a de "formidável", uma avaliação extraordinariamente amigável. Talvez tenha sido por isso que Ken Mehlman, diretor do Comitê Nacional Republicano, atirou em Clinton no domingo, dizendo que a candidata tinha um "histórico de esquerda" e "muita raiva".

As pessoas que conhecem os Clinton e os Bush disseram que a observação de Bush sobre a Senadora era sua mais honesta opinião pessoal. Refletia, disseram, a crescente amizade entre o ex-presidente Clinton e o primeiro presidente Bush, o efeito de uma experiência compartilhada que apenas cinco homens vivos compreendem totalmente --os dois Bush, Clinton e os ex-presidentes Jimmy Carter e Gerald R. Ford.

"Eles têm um aperto de mãos secreto, que ninguém conhece. Amigos dos dois dizem que o atual presidente Bush e Clinton passaram a gostar um do outro durante o mandato de Bush, mesmo depois deste ter desdenhado o relacionamento de Clinton com Mônica S. Lewinsky", disse o deputado Rahm Emanuel, democrata de Illinois que foi alto assessor da Casa Branca de Clinton.

"Sim, o presidente Bush tem um desgosto pessoal pelo comportamento privado de Bill Clinton", disse Lanny J. Davis, advogada de Washington que coordenou a operação de controle de danos da Casa Branca nos escândalos de Clinton, amiga de Bush e Clinton há 30 anos. "Mas o presidente Bush também seria o primeiro a dizer que passou por um período em que sua conduta pessoal não era algo a se orgulhar. Assim, os dois passaram por tempos difíceis, aprenderam humildade e a diferenciar a política do pessoal."

A amizade, dizem republicanos e democratas, tem uma dimensão política. Quando se aproximam dos Bush, mesmo que temporariamente, Clinton ganha um ar mais estadista e sua mulher mais centrista.

Na quarta-feira pela manhã, a senadora Clinton lançou amplo ataque ao governo Bush por "jogar a carta do medo" do terrorismo para vencer as eleições. A conduta pessoal de Clinton durante sua presidência pode se tornar um problema para sua mulher, se ela tentar se eleger presidente. Assim, ela pode ter importante proteção das referências a seu caráter por duas gerações de Bush.

Enquanto isso, amigos dos ex-presidentes Bush e Clinton dizem que, depois das turnês pelas vítimas da tsunami e do furacão Katrina, os dois construíram uma amizade genuína. Os dois teriam dito a membros de seus partidos que parassem de reclamar da ligação.

Em junho, Clinton visitou o retiro de Bush em Kennebunkport, Maine, onde jogaram golfe e passearam de lancha. Eles também se encontraram uma dezena de vezes no ano passado, para reuniões, apresentações na televisão e refeições privadas.

O ex-presidente Bush também disse aos amigos que aprecia a deferência de Clinton a ele. No ano passado, quando os dois iniciavam uma viagem de quatro dias à região atingida pela tsunami, Clinton, hoje com 59, insistiu que Bush, hoje com 81, ficasse com o quarto no avião das Forças Aéreas.

"Eu disse: 'Não, vamos lá, você fica aí, e trocamos no próximo trecho'", disse Bush à revista "Time" em dezembro. "'Não, não', disse ele. Acho que queria jogar cartas a noite toda. Mas ainda assim, significou algo para mim. Sou mais velho, e foi uma grande cortesia. Então o relacionamento é divertido para mim. E você tem essa sensação de fazer algo importante, algo maior que você mesmo."

Membros da equipe da senadora Clinton parecem ambivalentes sobre a amizade e seus efeitos na disputa política de 2008. Questionados sobre o que a amizade significava para Hillary Clinton politicamente, Howard Wolfson, alto assessor da senadora, disse: "Não sei. Tampouco impediu o diretor do Partido Republicano de atacá-la nesta semana." Ambição, rivalidade e a luta pelo poder podem afetar eleição 2008 Deborah Weinberg

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