UOL Notícias Internacional
 

09/02/2006

Recuperando um símbolo de otimismo atômico

The New York Times
Claudia Steinberg

Em Bruxelas, Bélgica
Como a Torre Eiffel, o Atomium --uma réplica gigantesca de uma molécula de ferro com nove esferas de alumínio-- foi certa vez o centro de uma Feira Mundial. Ele foi montado em 1958, como emblema do crescimento industrial do pós-guerra na Bélgica e seu otimismo em torno da energia nuclear. Os visitantes passavam por tubos ligando as esferas para ver uma exibição chamada "Átomo é Igual à Esperança" e lanchavam no bar do ponto mais alto da estrutura.

A feira terminou após seis meses, mas o Atomium, plantado em um parque no limite norte da cidade, nunca partiu. Os turistas continuaram chegando, atraídos pela estranha e grandiosa silhueta: 100m de altura, com globos de 20m de diâmetro. Com o tempo, o Atomium deixou de ser uma relíquia e tornou-se uma causa.

A causa renderá frutos no dia 14 de fevereiro, quando o Atomium dará uma festa de inauguração celebrando a reforma de US$ 33 milhões (em torno de R$ 66 milhões).

Como se fosse anunciar um novo capítulo em um velho caso de amor, as luzes vão brilhar na nova pele de aço inoxidável espelhada do Atomium, enquanto celebridades passearão pelos interiores totalmente reformados, átomo por átomo. O evento ocorrerá quatro meses após a morte de André Waterkeyn, engenheiro belga que desenhou o Atomium, há 48 anos.

Seis dos nove globos foram reformados, gerando um espaço para mostras de arte, uma galeria de observação, uma esfera infantil, salas de reunião e um espaço para festas. Os visitantes vão passear por escadas rolantes banhadas em luzes projetadas por Ingo Maurer. Um elevador com teto de vidro vai subir um mastro de 90m até o restaurante fino equipado com reproduções Vitra de uma cadeira Verner Panton, de 1960, e porcelana belga dos anos 50, de Royal Boch.

Com o passar dos anos, vários novos papéis foram sugeridos para o Atomium, inclusive um cassino e um museu dedicado ao personagem de história em quadrinho Tintin. Mas em 2001, alguns políticos locais, alarmados com as estimativas da restauração, fizeram campanha para demoli-lo. A cobertura de alumínio estava manchada; não havia aquecimento ou ventilação, não havia sistema de sprinkler ou saídas de emergência suficientes.

"Parecia que você estava entrando em um submarino russo da época da Guerra Fria", disse Diane Hennebert, diretora do Atomium, lembrando a primeira vez que entrou lá.

Ainda assim havia motivos para salvá-lo. "Em geral, adoro a idéia de estruturas ícônicas, enigmáticas, sem escala e esculturais", disse Aaron Betsky, diretor do Instituto de Arquitetura da Holanda em Roterdã. Esta especificamente o fez pensar: "Noguchi encontra Richard Rogers." E assim começou uma restauração de US$ 33 milhões (aproximadamente R$ 66 milhões).

Hennebert ajudou a organizar um grupo sem fins lucrativos para salvar o Atomium há quatro anos. Depois que a cobertura de alumínio desgastada foi retirada, 1.000 peças triangulares de 1m80 foram vendidas como "edição limitada", por cerca de US$ 1.200 (em torno de R$ 2.400). Isso gerou um orçamento inicial de US$ 1,2 milhão e o resto foi coberto por doações privadas, além da prefeitura de Bruxelas e o governo belga. O grupo sem fins lucrativos conquistou 500 membros, entre eles 30 corporações multinacionais, aproximadamente.

Cerca de 600 trabalhadores trabalharam praticamente sem parar por 22 meses na reconstrução do Atomium, disse Hennebert. Cerca de 200 especialistas, contratados no mundo todo, se penduraram em cordas ou subiram em guindastes e colocaram no lugar os triângulos curvados de aço estupidamente brilhoso.

Conix Architecten, de Antuérpia, Bélgica, venceu três outras firmas para projetar os interiores. Como parte da reforma da entrada, Maurer acrescentou um colar de clarabóias, permitindo que se veja a barriga do globo inferior. Um sofá Vitra de 11m, baseado no Marshmallow Sofa de George Nelson, mas curvado como uma esfera, foi instalado sobre o chão de mármore restaurado da entrada.

A Conix Architecten usou uma palheta restrita: paredes de aço cinza com divisórias brancas, vermelho para as escadas e corrimões marcando o caminho para as novas saídas de emergência e azul para guiar as pessoas de uma esfera à outra. A firma reabriu pequenos buracos escondidos pelo isolamento acrescentado durante os anos 70 e substituiu uma grade rachada no bar original -que virou o novo restaurante- com uma balaustrada de vidro grosso.

Maurer, respondendo questões na semana passada em um escritório próximo, explicou sua abordagem para a iluminação dos tubos. "Eles devem dar a impressão de uma escada de Jacó, levando ao infinito, e simultaneamente sugerir um mergulho nas profundezas do subconsciente", disse ele -e levar os visitantes ao "delírio".

Na esfera de festas, ele criou um mecanismo no teto com fibra de vidro e placa de alumínio suspenso, de 4m de diâmetro, e iluminou-o com uma luz de cobalto. Onze pequenas figuras humanas de plástico flutuam a sua volta, como astronautas em torno de uma nave.

A esfera infantil vai ser inaugurada com uma mostra sobre o tempo, criada por Alicia Framis, artista espanhola que montou uma estrutura molecular usando 30 bolas de poliuretano macio para representar a formula da água. Framis disse que inspirou-se no tempo chuvoso de Bruxelas. As bolas são grandes o suficiente para se deitar em cima -caso a turma queira dormir, disse Hennebert.

Um passeio pré-inaugural dos espaços deu uma noção do encanto do Atomium. Um sentimento desorientador ocorre quando se passa pelos tubos e globos. Somem as orientações espaciais comuns, de direita e esquerda, junto com a sensação de tempo. "Afeta o comportamento e o humor das pessoas, porque em um espaço redondo você perde suas referências", disse Hennebert. "E a ausência de cantos, de alguma forma, eleva seu humor."

O Atomium abrirá ao público a partir de 18 de fevereiro. O ingresso custará entre US$ 8 e US$ 11 (entre R$ 16 e R$ 22). Informações podem ser encontradas no site www.atomium.be. Europeus recuperam o Atomium, a "Estátua da Liberdade nuclear" Deborah Weinberg

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