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10/02/2006

Conservadores de Nova York ameaçam romper com o Partido Republicano

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
Essa é a maior ameaça aos republicanos de Nova York neste ano: o Partido Conservador do Estado se opõe cada vez mais ao candidato a governador favorito dos republicanos, William F. Weld, e está desejoso de disputar a eleição com um candidato próprio. Tal medida poderia dividir a direita, e dar a eleição de presente aos democratas, alertam líderes de ambos os partidos.

Enquanto os conservadores se preparam para o seu conclave anual em Albany na próxima segunda-feira, o seu presidente, Michael Long, diz que um número cada vez maior de integrantes do partido se distancia de Weld diariamente, devido ao seu apoio ao direito ao aborto e ao fato de, no passado, ter elogiado o casamento de homossexuais.

"Para ser sincero, tenho que dizer que Weld terá que suar muito para conseguir o nosso apoio", disse Long em uma entrevista na última quarta-feira. "Os republicanos podem indicar Weld para disputar a campanha, mas ele conta com muito pouco apoio no nosso partido. Queremos um candidato que tenha os nossos valores, e não apenas alguém capaz de vencer. Se os republicanos indicarem Weld, poderemos presenciar uma grande divisão eleitoral entre republicanos e conservadores em novembro".

Desde a sua fundação, em 1962, para lutar contra os liberais republicanos do ex-governador Rockefeller, o Partido Conservador tem sido um espinho persistente, e às vezes um aliado, para os republicanos, que são de longe mais influentes, possuindo 3,1 milhões de eleitores registrados, contra 155 mil dos conservadores.

Nenhum republicano ganhou uma eleição de âmbito estadual sem o apoio do Partido Conservador desde 1974, e tais votos poderão ser cruciais no próximo outono, caso o enfrentamento seja contra o favoritíssimo candidato democrata, o procurador-geral Eliot Spitzer.

Weld disse acreditar que o seu histórico no setor fiscal --especialmente o fato de ter reduzido impostos 19 vezes quando foi governador de Massachusetts-- poderia acabar fazendo com que conquistasse a simpatia dos conservadores.

"'Uma muralha', foi como Mike definiu a dificuldade de obter tal apoio", disse Weld, referindo-se à avaliação de Long quanto às suas chances. "Ouço os conservadores dizerem que as questões econômicas são mais importantes que as sociais. Se isto for verdade, vou ter problemas para me aliar a eles. Mas vou estar com os conservadores na segunda-feira, e falarei diretamente a eles, esperando pelo melhor".

Alguns republicanos crêem que os conservadores acabarão fazendo um acordo para apoiarem Weld. Mas as lideranças conservadoras dizem que estão prontas a sacrificar a sua própria chance de vitória e se conformar com um prêmio de consolação: obter votos suficientes para reconquistar o seu estimado terceiro lugar nas urnas, que eles perderam para o Partido da Independência. O total de votos para cada partido decide a ordem de apresentação dos candidatos nas urnas.

"Há muitos conservadores que prefeririam mostrar que têm fibra e apoiar um candidato que realmente compartilha os nossos valores, e ficar com pelo menos o terceiro lugar, em vez de apoiar Weld", afirma Ralph Lorigo, o influente líder conservador do condado de Erie. "Os republicanos precisam entender que, para nós, os ideais têm importância".

Enquanto isso, os três rivais republicanos de Weld começaram a disputar o apoio dos conservadores.

Alternativas

Cada um deles está tentando se tornar o anti-Weld, depois que transpirou a notícia que Tom Golisano, um popular republicano da região norte do Estado de Nova York, não disputará a eleição.

Um desses rivais, John Faso, foi alvo de um ataque surpresa nesta semana, desfechado por um aliado conservador de um outro candidato, o parlamentar estadual Patrick Manning, devido à sua atuação como lobista em 2005. Também nesta semana, Manning e o terceiro rival de Weld, Randy A. Daniels, obtiveram o apoio de líderes conservadores e republicanos, e venderam a idéia de suas candidaturas a outros, professando a sua lealdade à Segunda Emenda, à redução de impostos e a Ronald Reagan.

Weld, que foi funcionário do Departamento de Justiça dos Estados Unidos na década de 1980, tentou neutralizar a ação dos seus rivais na última terça-feira, em um discurso na região norte do Estado, quando elogiou o seu "antigo patrão", Reagan, e se descreveu como um "redutor de impostos".

Os conservadores lembram com freqüência como o seu partido possibilitou a margem de vitória a George E. Pataki, quando este derrotou Mario M. Cuomo em 1994. Eles deram a Pataki mais de 300 mil votos. E na eleição anterior, em 1990, os conservadores concorreram com um candidato próprio, Herbert London (que apoiou Weld na última segunda-feira). O resultado foi que o candidato republicano, Pierre A. Rinfret, sofreu uma derrota esmagadora. E os oponentes de Weld não se esqueceram dessa história.

"Se os conservadores disputarem com o seu próprio candidato, os republicanos estarão simplesmente condenados a sofrer uma derrota", afirma Daniels, que até recentemente era secretário de Estado na administração Pataki, e que está deixando o cargo neste ano após vencer três eleições como candidato da coalizão republicana-conservadora.

"O que vemos agora são outros candidatos que estão desesperados para obter a aprovação dos conservadores, e que tentam modificar os seus passados e reinventar as suas vidas", argumenta Daniels. Ele se refere a Weld, que atualmente diz se opor ao casamento homossexual, e a Faso, que tenta se livrar do rótulo de lobista.

Basicamente, o Partido Conservador está se engajando em um jogo de confrontação irredutível com os republicanos, na esperança de conseguir a indicação do seu candidato preferido, provavelmente Faso, em vez de Weld.

Esta é a estratégia: os conservadores estão ameaçando escolher um candidato próprio antes que os republicanos escolham o seu durante a sua convenção em maio. Faso, um ex-parlamentar estadual, que foi o candidato de republicanos e conservadores para o cargo de supervisor estadual em 2002, possui uma forte vantagem junto às lideranças conservadoras, diz Long. Caso os conservadores escolham Faso, os republicanos poderiam se ver obrigados a escolher entre apoiar Faso, ou perderem a eleição geral devido a uma cisão entre Weld e Faso.

Todos os quatro candidatos republicanos disseram a Long que, caso recebam apoio, seguirão a agenda conservadora, ainda que isto implique não seguir integralmente a plataforma republicana. Faso, em uma entrevista, disse ter consciência de que não é capaz de ganhar somente com o apoio dos conservadores, mas afirmou não esperar que a situação chegue a tal ponto.

"Creio que a maior parte das lideranças do Partido Republicano sabe que não é capaz de vencer sem o apoio dos conservadores", explicou Faso, cuja oposição ao direito ao aborto e as promessas de que cortará impostos e reduzirá gastos estaduais lhe renderam aliados conservadores.

O diretor do Partido Republicano no Estado, Stephen J. Minarik III, que está apoiando Weld, admitiu que há "riscos" para ambos os partidos, caso cada um deles concorra com um candidato próprio. Os conservadores poderão encontrar dificuldades para obter pelo menos 50 mil votos, o número mínimo exigido para que o partido possa disputar a próxima eleição. E os republicanos, é claro, poderão perder.

"Acredite, eu torço para que não haja uma cisão entre os dois partidos", disse Minarik. Candidato ao governo William F. Weld é considerado muito liberal Danilo Fonseca

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