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11/02/2006

Punições por doping ofuscam início festivo dos Jogos Olímpicos de Inverno em Turim

The New York Times
Lynn Zinser e Juliet Macur

Em Turim, Itália
Outros quatro esquiadores cross country foram suspensos e o principal corredor de Skeleton (trenó) do mundo, o americano Zach Lund, foi suspenso dos Jogos Olímpicos de Inverno nesta sexta-feira (10/02), horas antes dos atletas olímpicos começarem a desfilar na cerimônia de abertura ao som de música disco, em um Estádio Olímpico lotado de pessoas que aplaudiam e dançavam em suas cadeiras.

As penas foram anunciadas pouco antes desta cidade industrial ter tentado se livrar do desinteresse e demonstrar alguma paixão pelos Jogos, com uma cerimônia que incluiu árias cantadas pelos tenores Luciano Pavarotti e Andrea Boccelli, o desfile tradicional dos atletas e a tocha sendo conduzida pela duas vezes medalhista de ouro Sylvia Belmondo, que acendeu a pira, que explodiu em uma queima de fogos.

Ainda assim, a noite foi ofuscada pelo potencial escândalo de doping. Um total de 12 esquiadores cross country, incluindo dois americanos, já foram suspensos nos últimos dois dias por nível excessivo de hemoglobina. A hemoglobina é a parte dos glóbulos vermelhos que transporta o oxigênio dos pulmões para todas as células e os atletas a têm usado para aumentar a oxigenação dos músculos.

A Federação Internacional de Esqui, que anunciou as suspensões de nove homens e três mulheres no cross country, foi cuidadosa em caracterizar a ação como preventiva para proteger a saúde dos esquiadores. Desidratação pode causar níveis elevados de hemoglobina. Assim como transfusões de sangue, que aumentam a oxigenação dos músculos e são proibidas segundo as regras antidoping mundiais.

As suspensões dos esquiadores duram cinco dias, prazo após o qual os atletas farão novos testes. Mas Lund foi suspenso por um ano após ter sua apelação rejeitada após um teste positivo pelo uso de um agente mascarador proibido.

A cerimônia de abertura dos Jogos encerrou um último dia frenético de preparativos, com a tocha percorrendo o centro de Turim protegida por uma falange de policiais da tropa de choque, que visavam afastar os persistentes manifestantes.

Os italianos esperam que a cerimônia embale os Jogos, marcados até o momento por uma recepção local amistosa mas tépida. Havia muitos comentários sobre a notável ausência do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, que nem mesmo esteve presente na cerimônia de abertura. A primeira-dama dos Estados Unidos, Laura Bush, estava entre os espectadores no reformado Estádio Olímpico e acenou para a delegação dos atletas americanos, que incluía o esquiador Bode Miller e a patinadora Michelle Kwan.

A segurança era grande, mas pareceu não enfrentar nenhuma grande ameaça ou problema, enquanto transcorria a cerimônia. Os atletas olímpicos entraram no estádio reformado, originalmente construído por Mussolini, atualmente exibindo os anéis olímpicos e onde dois times profissionais de futebol de Turim deverão mandar suas partidas após os Jogos. Cada país desfilou na ordem tradicional, puxadas pela Grécia e com o país anfitrião encerrando o desfile. Os italianos vestiam casacos prateados com gola de pele.

Os americanos entraram conduzidos pela porta-bandeira Chris Witty, uma atleta que já participou de cinco Olimpíadas e que está desfrutando de sua última. O patinador John Baldwin ergueu sua companheira, Rena Inoue, durante parte do desfile.

Ao todo, um recorde de 80 países estão participando dos Jogos, incluindo delegações com um só atleta como a do Quênia, com o esquiador cross country Phillip Boit, e da Etiópia, com o esquiador Robel Teklemariam.

O dia transcorreu pacificamente, com até mesmo o normalmente congestionado trânsito de Turim ficando mais livre com a suspensão das aulas nas escolas durante as Olimpíadas. As crianças livres da escola desfrutaram de um maravilhoso dia como de primavera, com temperaturas na faixa dos 10 graus e o sol brilhante fazendo os Alpes reluzirem à distância.

As montanhas foram cobertas apenas por uma recente tempestade de neve e os organizadores lutavam para manter as condições de neve para os eventos alpinos de esqui, que começarão no domingo.

Os locais montanhosos, particularmente Sestriere, se prepararam para a chegada dos Jogos e das dezenas de milhares de espectadores, atletas e mídia. Qualquer piora no clima daria aos Alpes uma sensação real de inverno, mas poderia prejudicar o sistema de transporte que conta com trânsito livre pela sinuosa estrada de duas pistas na montanha.

Ainda assim, nada parecia arranhar a confiança do comitê organizador de que Turim será capaz de realizar seu primeiro evento internacional de tal magnitude. Enquanto a montagem era encerrada às pressas nos locais de provas e muitos pontos pela cidade, os moradores da cidade pareciam ter reservas com a chegada dos Jogos, desmentindo o lema de um modo de vida apaixonado.

A única paixão parecia ser exibida pelos manifestantes que protestavam e obrigaram a tocha olímpica a ter seu trajeto desviado três vezes nesta semana. Na sexta-feira, cerca de 300 pessoas promoveram outro protesto, apesar das tropas de choque os terem mantido afastados da tocha enquanto ela queimava no topo da torre Mole Antonelliana, antes de um praticante de rapel ter decido com a tocha em uma mão. Foi o momento mais singular do trajeto até que a tocha chegasse ao Estádio Olímpico.

Os manifestantes, que condenam o custo dos Jogos e seu patrocínio corporativo, disseram não terem ficado desapontados por não poderem chegar mais perto e terem perdido a causa assim que a tocha chegou em segurança ao estádio para a cerimônia de abertura na noite de sexta-feira.

"Nós não estamos fazendo isto para tentar impedir a tocha", disse Aldo Chiariglione, 56 anos, que disse trabalhar em fontes renováveis de energia. "Nós estamos fazendo isto para mostrar que podemos realizar um protesto pacífico e mostrar que somos contra a forma com que estes Jogos foram organizados e como o dinheiro foi gasto."

Apesar de muitos turineses apoiarem um motivo dos protestos -a passagem de uma linha de trem de alta velocidade na região- as pessoas comuns não demonstraram muito interesse pelas manifestações. Uma mulher caiu na gargalhada na sexta-feira em um grupo composto praticamente por jovens, carregando faixa, tocando tambores e bebendo cerveja.

"São quatro manifestantes; há muito mais policiais", disse uma mulher que disse apenas seu primeiro nome, Francesca. "Não vamos nos enganar: não há ninguém aqui. Parece mais um carnaval."

Uma das principais preocupações dos manifestantes é o capitalismo, que permanecia em plena exibição a poucas quadras de distância, na lotada loja olímpica na Piazza Vittorio Veneto. Havia agasalhos de 320 euros, bonés de 45 euros, garrafas de vinho de 30 euros, juntamente com montanhas de canecas, lápis, cobertores, canivetes e sacolas --todos ostentando o logo olímpico. Jonathan Hyman, 24 anos, um americano que produz alfinetes de lapela, disse que pode ser hiperconsumismo, mas ajuda a bancar os Jogos.

"No final é disto que se trata", ele disse. Doze atletas são afastados por ter nível excessivo de hemoglobina George El Khouri Andolfato

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