UOL Notícias Internacional
 

12/02/2006

Um cupê de quatro portas com curvas de arrebatar

The New York Times
James G. Cobb
Alto estilo pode deixar você tonto, não apenas ao ver saias subirem e descerem ou assistir supermodelos trocando de roupa. Por exemplo, você pode se abaixar para entrar no banco traseiro do refinado Mercedes-Benz CLS 500 e bater o rosto no teto baixo. Enquanto você se ajeita no assento traseiro de uma só pessoa arredondado, atordoado, você não perceberá que não há lugar para sua cabeça.

The New York Times - 10.fev.2006 
O CLS 500 é um dos carros mais bonitos na rua e provavelmente será bastante imitado

Estilo pode ser doloroso, mas com o CLS é dor gostosa. O carro segue uma antiga tradição de estilo masoquista -penteados de gaiola da França do século 18, pés amarrados na China, espartilho apertado vitoriano, salto agulha que provoca joanete.

Os desconfortos do CLS praticamente começam e terminam nos assentos traseiros, e para ser honesto, eles ficam para trás diante do estilo dramático, romântico do carro. A Mercedes tenta rebater as queixas chamando o carro de um "cupê de quatro portas", apesar de ser claramente um sedã, mas a aparência é tão luxuosa que quem deseja discutir?

Sim, estilo é subjetivo e o CLS rompe de tal forma a tradição de lateral reta da Mercedes que algumas pessoas poderão não gostar. Mas aposto que ainda chamará sua atenção quando ele passar por você, quase um ano depois dos primeiros chegarem às concessionárias, especialmente nas versões preta ou cinza granito. Por alguns ângulos -a melhor visão pode ser a traseira, ligeiramente de lado- o carro é tão bonito que dá vontade de chorar, da forma como Daisy Buchanan derrama lágrimas diante do esplendor das belas camisas de Gatsby.

Se você é facilmente seduzido por curvas, cuidado: o CLS tem algumas linhas maravilhosas. A começar por todo o contorno, da frente à traseira, o arco que forma a cabine e por uma linha que começa no paralama da roda dianteira e segue até o contorno das luzes traseiras. Ao mesmo tempo que parecem reduzir a massa de um grande carro de luxo, estas linhas também liberam o sedã da caixa em que costumava vir. Resumindo, o CLS tem a dignidade incomum e o tipo de graça disponíveis em apenas uns poucos veículos produzidos em massa -pense no antigo Jaguar XJ6 ou alguns Packards pré-guerra.

O CLS também demonstra como a Mercedes-Benz passou a atender a nichos de mercado. Essencialmente um sedã médio de luxo Classe E disfarçado, o CLS de US$ 65.675 custa US$ 7 mil a mais do que a E 500. A Mercedes agora tem 13 linhas distintas de veículos para passageiros nos Estados Unidos -sem contar a Mayback, Smart ou as divisões de caminhões comerciais, ou os carros vendidos apenas no exterior- rivalizando a Chevrolet e a Toyota em oferta de opções.

Algumas destas opções fazem mais sentido que outras. No meu ponto de vista, a principal distinção do esporte "Classe R" é que ele parece mais francês que alemão. O CLS, por outro lado, tem um estilo de design tão refinado que você espera que ela fale italiano.

Felizmente, há substância por baixo do estilo. A estrutura do Classe E está além de repreensão e os engenheiros acrescentaram algumas atrações -como rodas maiores de 18 polegadas e um ajuste de suspensão mais esportivo- para se somar às dimensões maiores e peso extra.

Diferente do Classe E, o CLS não vem com motor V-6. Eu testei o CLS 500 com um motor V-8 de 302 cv que pode chegar a 96,5 km/h em 5,5 segundos. Mas infelizmente ele consome bastante combustível. Fazendo 6,8 quilômetros por litro na cidade, 9,3 quilômetros na estrada, o CLS 500 garante US$ 1.300 em imposto de gasolina.

Aqueles que gostam de estilo mas não querem compartilhá-lo com espectadores podem optar pelo CLS 55 AMG de US$ 90 mil. Com 469 cv, ele passa rápido demais para ser apreciado.

O CLS 500 tem uma transmissão automática de sete marchas com três modos de mudança: manual, conforto ou esporte. A hesitante resposta de aceleração -você tem certeza de que quer avançar?- é uma característica da Mercedes tanto quanto a estrela de três pontas.

Assim que está rodando, o CLS é um veículo eficiente em todos os aspectos e que também encara estradas secundárias sinuosas com mais domínio do que você esperaria de um veículo de luxo de 2 toneladas e 4,8 metros de comprimento.

A direção é rápida e responde rapidamente, apesar de um pouco distante (e em velocidades baixas, leve demais para meu gosto). A suspensão de ar regulável oferece três ajustes, de firme a muito firme. Em algumas superfícies, incluindo a West Side Highway em Manhattan, o carro exibiu um estranho movimento de balanço lateral. A presença de cada emenda na estrada foi sentida.

Apesar do CLS ser maior do que o Classe E, seu estilo apresenta uma baixa: a posição do assento do meio na traseira é substituído por um console com tampa sanfonada. Cada um dos quatro assentos do carro tem sua própria zona climática, incluindo controles separados de ventilador.

Com uma borda alta, as janelas laterais são estreitas. Isto não ajuda a visibilidade e a base da janela é alta demais para permitir dirigir como caipira, como o braço na porta. Mas a cabine rebaixada reforça a impressão de que o carro é baixo, veloz e especial.

O interior é ostentoso, com grandes áreas de madeira e muito mais cromo do que você está acostumado a ver de Stuttgart. Também há uma coisa com a qual relutantemente acabei me acostumando, uma tela de comando que controla várias funções do veículo. Pelo menos o CLS oferece um conjunto separado de controles climáticos no meio do painel. Com 14 botões e dois de girar, sem contar os controles para aquecimento e ventilação dos assentos, o conjunto é mais complicado do que precisaria ser.

As luzes de teto dianteiras e traseiras possuem o charme de peças fluorescentes de banheiro dos anos 50. Mas elas incluem um anel de iluminação que fornece uma agradável baixa luz. Os espaços de armazenagem são decepcionantes, com bolsos laterais rasos e um console mais ou menos. Mas os porta copos que pareciam inicialmente rasos, vem com elevadores espertos: aperte um botão e eles se erguem para envolver uma garrafa.

Não é segredo que a Mercedes tem lutado ultimamente com o controle de qualidade, e algumas peças no meu carro de teste pareciam mais baratas do que o preço de US$ 73.889 poderia sugerir. Por exemplo, a tampa de plástico do compartimento de primeiros socorros debaixo do assento abria sozinha repetidamente.

Pior, uma feia protuberância mancha a adorável traseira do carro; um disco de plástico preto, que recebe os sinais de navegação por satélite, foi rudemente rosqueado em uma tampa azul-acinzentada.

Tais vacilos de lado, o CLS é um dos carros mais bonitos na rua e um que provavelmente será bastante imitado. Desenhos não oficiais do sedã proposto da Porsche, o Panamera, mostram um perfil semelhante. No mês passado, a Aston Martin causou agitação com um estudo semelhante de quatro portas chamado Rapide. Viril e elegante, este carro é impressionante, talvez mais bonito que o CLS.

E aqui está o problema em ter um olho voltado para moda. Sua cabeça é virada com tamanha facilidade que você pode terminar indo para casa com o próximo carro bonito que aparecer. George El Khouri Andolfato

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