UOL Notícias Internacional
 

14/02/2006

Ficar nu é o que há de mais moderno nos palcos

The New York Times
Gia Kourlas

Em Nova York
Quando o espetáculo "NOVA", de RoseAnne Spradlin, finalmente veio a público em dezembro, no palco de um pequeno estúdio na West Broadway, o público estava a apenas a alguns suspiros de mini-globos de discotecas, que brilhavam ao menor toque. Vestindo densas camadas de roupas, dois bailarinos, Walter Dundervill e Jennifer Kjos, subiram em dois tamboretes. Dois outros, Chase Granoff e Tasha Taylor, entraram em cena manuseando tesouras e encarando os outros bailarinos como quem está diante de telas em branco. Aí começaram a cortar.

John Kane/The New York Times - 8.fev.2006 
As dançarinas Renee Jaworski, à esq., e Jennifer Macavinta em show que casa o nu com a dança contemporânea
Enquanto os retalhos coloridos se espalhavam pelo chão, Granoff e Taylor, perseverantes e assustadores, cortavam tudo o que podiam dos trajes dos outros, que foram sendo despidos como se fossem esculturas. A cena, divertida e desconfortável, transforma os espectadores em voyeurs. Mas funcionou em mais de um sentido. Além de ser emocionante, é uma metáfora, que repercute por toda a cena da dança contemporânea --trata-se de perfurar as camadas até chegar à pele.

Além do impactante "NOVA", de RoseAnne Spradlin, a nudez na dança recentemente foi vista em trabalhos de Miguel Gutierrez, Ann Liv Young, DD Dorvillier, Sasha Waltz, Pascal Rambert e Ohad Naharin e, em fevereiro, surgirá nas apresentações de Jeremy Wade e do grupo de Heather Kravas e Antonija Livingstone.

A dança contemporânea e a nudez já coexistem há algum tempo, mas em muitas performances recentes a pele nua praticamente tomou o lugar dos figurinos. Atualmente, essa tendência não está fundamentada na liberação sexual, como ocorreu quando os corpos nus apareceram em cena nos anos sessenta, ou numa atitude política, quando eles voltaram à cena, nos anos oitenta.

Em vez disso, agora os coreógrafos estão tirando as roupas dos bailarinos como uma maneira de revelar algo de essencial sobre a experiência humana. A nudez que se vê atualmente é crua e pesada, embora mantenha o indefectível aspecto vulnerável.

RoseLee Goldberg, escritora, historiadora e diretora que fundou a Performa, organização com sede em Nova York voltada para a pesquisa e a produção de trabalhos de arte visual, acredita que a nova onda de nudismo pode ter algo a ver com uma reação contra o aumento da incidência de tecnologia em trabalhos de multimídia. "Parece que de tempos em tempos precisamos nos lembrar de que a coreografia tem a ver com o corpo", ela diz. "Assim nos afastamos do aspecto decorativo e mais uma vez retomamos um pensamento mais sério a respeito da dança."

A nudez proposta por uma nova geração de coreógrafos não é gratuita, mas talvez ninguém, nem mesmo entre a mais sofisticada estirpe de nova-iorquinos, está totalmente habituada a ela. Na dança, a nudez é uma maneira de provocar algum desconforto na platéia. "A sua pele fica perturbada quando está próxima de pessoas nuas", acredita Goldberg.

"Isso realmente atinge o corpo e a mente. E todos temos que processar a nudez em nossas cabeças. Por que estamos reagindo, de maneira positiva ou negativa? Você não fica simplesmente observando a nudez e deixando passar; você realmente se vê imerso em toda uma série de questionamentos. Acho que esse é o assunto em pauta, e nesse sentido a nudez sempre funciona."

Em Nova York, a nudez na dança ainda não saiu do circuito alternativo, ainda não atingiu a região "uptown"; uma dança toda nua apresentada pelo New York City Ballet provavelmente ainda seria chocante. E é impossível prever se as platéias normais de dança pelos Estados Unidos aceitarão a estética vanguardista da nudez.

John Kane/The New York Times - 8.fev.2006 
Para os eógrafos, a nudez de dançarinos e atores ajuda a representar a vulnerabilidade humana nos palcos
"Sinto que realmente temos a sorte de estar trabalhando em Nova York", diz Cathy Edwards, diretora artística do instituto Dance Theater Workshop. "Eu imagino como seria uma turnê . Estou certa de que tudo correria bem em São Francisco, Los Angeles e Chicago. Acho que problemas só poderiam surgir fora dos centros urbanos do mundo artístico."

Jodee Nimerichter, co-diretora do American Dance Festival em Durham, no estado da Carolina do Norte, já antecipa que haverá nudez em alguns dos trabalhos que serão apresentados nesse próximo evento. "Nós apresentamos todos os tipos de trabalho, sem fazer restrições", diz a organizadora do festival.

"Sei que algumas pessoas estão à vontade com isso e outras não. No nosso material de divulgação sempre esclarecemos o que irá acontecer. Não queremos que alguém apareça e se sinta ofendido, caso isso possa vir a ofendê-las."

A expansão da nudez poderá até tornar a dança uma arte mais marginal, mas de qualquer forma o objetivo aqui não é o de assegurar muitas exibições em turnês. Em vez disso, a pele nua reflete uma investigação mais profunda do corpo, e poderemos sentir por muitos anos os efeitos dessa nudez na dança enquanto manifestação artística.

Alguns dos pioneiros da dança experimental tinham um pouco de receio de montar coreografias para corpos nus. O mais perto disso que Merce Cunningham ousou foi em sua coreografia de 1968 "RainForest" (Floresta Tropical), em que ele usou os travesseiros de poliéster inflados com gás hélio criados por Andy Warhol. Jasper Johns perguntou a Warhol se ele também gostaria de criar os figurinos; aí Warhol sugeriu que os bailarinos se apresentassem pelados.

"Eu não achei que aquilo seria prático", Cunningham recorda, se divertindo. "Havia vários movimentos que provavelmente ficariam mais difíceis sob essas circunstâncias,então criamos collants da cor da pele, tesourados, dando a aparência de pele arranhada."

Em 1970, como parte do "Judson Flag Show" na igreja Judson Memorial - era um evento que debatia a dessacralização da bandeira - o balé "Trio A" de Yvonne Rainer apresentou balarinos que estavam nus sob bandeiras americanas, usadas como se fossem babadores.

Uma fotografia desse evento que aparece no livro de Yvonne, "Work, 1961-73", mostra um jovem David Gordon suspenso no ar, com sua bandeira desfraldada ao vento. Parecia estar perfeitamente composto, mas agora ele diz que a experiência foi absolutamente aflitiva.

"Eu tinha 35 anos e não amava o meu corpo", ele se lembra. "Eu arriei minhas calças e as cuecas, empilhando tudo nos bastidores como típica criatura obsessiva que sou, amarrei a maldita bandeira ao redor do pescoço e fui à luta". A apresentação recebeu muita atenção, lembra o bailarino, a ponto de atrair equipes de televisão. "E eu lá fazendo piruetas pelado com uma bandeira amarrada no pescoço", recorda. "Foi a experiência mais aterradora e constrangedora, que eu nunca mais repeti."

O novo trabalho de Heather Kravas e Antonija Livingstone, que estreou quarta-feira passada no palco do Dance Theater Workshop, prevê a apresentação de cenas diferentes a cada noite, mostrando cada vez mais nudez à medida em que a semana avança. "A terceira e a quarta noite da semana já estão bem lotadas", Kravas observa secamente.

Ela parece blasé quando comenta as apresentações, mas pelo menos no nível pessoal ela não se mostra indiferente à nudez. "Eu detesto tirar as minhas roupas, mas eu me percebo nua não só nas coreografias dos outros, como em todas as minhas também", ela diz, às gargalhadas. "Percebo que o que busco alcançar é a condição do corpo sem roupas. Estou utilizando meu corpo como um elemento visual. Mas detesto ter que tirar a roupa, sou tímida."

Para Heather Kravas, lidar com essa timidez física tem sido uma batalha pessoal, o que acaba se refletindo em suas coreografias. "Todos temos vergonha sobre nossos corpos de uma forma ou de outra, e eu quero transcender esse pudor, não apenas em mim, mas também no sentido cultural", reflete a coreógrafa.

"Ao mesmo tempo, essa é mesmo uma questão problemática. Não temos escapatória quanto à sexualização dos corpos. Nós nos comparamos com os outros, ou então classificamos os outros em termos de grau de sedução e atratividade. Eu detesto isso, mas acabo repetindo esse padrão."

Jeremy Wade recentemente apresentou "Glory", um dueto nudista, como parte de sua temporada no instituto Dance Theater Workshop. Assim como Kravas, Jeremy diz que nunca teve maiores desconfortos quanto à nudez. A primeira oportunidade que ele teve para aproveitar essa vantagem foi quando trabalhou como go-go boy e barman na noite de Manhattan.

Para o balé "Glory", ele se inspirou em fotografias que mostravam corpos desconjuntados após o massacre de Jonestown e por imagens de massas prostradas.

Ele apresenta a nudez mais como escultura do que em termos figurativos, ainda que a aparência resultante não seja particularmente boa, o que também acontece no trabalho fantasmagórico dos coreógrafos japoneses Eiko e Koma ou nos fragmentos maleáveis e acrobáticos da companhia Pilobolus Dance Theater. "Glory", que apresenta bailarinos se contorcendo e rastejando pelo chão como seres perturbados e elásticos, é algo que irá lhe alterar.

"Estou interessado nos sentimentos de vulnerabilidade, angústia, repressão, violencia, loucura, medo, perversão e pânico", explica Wade, "e tudo isso parece ficar bem evidente na simplicidade do estar nu." Ainda assim, certos problemas aparecem. Jeremy Wade diz que ele e o bailarino e coreógrafo Michael Portnoy já pensaram em anunciar nos programas do espetáculo algo como: "Eles encolhem - os órgãos genitais dos homens no espetáculo têm um tamanho diferente do que aparece em cena."

Miguel Gutierrez também já teve uma boa experiência se apresentando nu, incluindo os dois trabalhos que fez com o coreógrafo John Jasperse: "Giant Empty" e "Excessories", um trabalho revolucionário em que os bailarinos agitam seus seios e pênis num vigoroso estudo sobre a objetificação.

Ele também atuou num importante trabalho de Sarah Michelson, "Group Experience", em que a nudez em questão, aqui também, não era propriamente erótica, tendo a ver mais com uma visão patética, embora bela, de corpos nus executando um vocabulário corporal rigoroso.

Em seu solo mais recente, "Retrospective Exhibitionist", Gutierrez diz não ter planejado ficar nu; mas durante os ensaios ele por várias vezes ficou sem roupa. "O tema da coreografia era a auto-exposição", explica. "Eu me sentia ficando velho e gordo, e queria mostrar isso de um jeito explícito. Eu também considero interessante a idéia de que a dança é a arte do homem pobre. Afinal, viver pelado sai bem mais barato."

Para um coreógrafa como Ann Young, a nudez pode ser tão contundente quanto um tapa na cara. Em "Michael", uma coreografia impetuosa e desbragada apresentada em outubro no Dance Theater Workshop, ela levou a vulgaridade a um ponto tão radical --o balé era um tanto parecido com um dos primeiros filmes de John Waters-- que o que a princípio poderia parecer chocante acabou se tornando quase banal.

"Minha mãe viu `Michael', e foi o meu primeiro trabalho que ela apreciou", lembra Ann. "Ela me disse,'Depois dos primeiros cinco minutos, eu nem notava mais que havia gente pelada.' Foi importante ouvir isso da minha mãe, porque ela simplesmente não vê nenhum motivo para pessoas ficarem nuas em cena."

Criada no estado interiorano da Carolina do Norte no começo dos anos noventa, Ann Young sofreu uma das mais miseráveis angústias sofridas pelos adolescentes: "Eu usava o tamanho 4 e tinha seios bem grandes, e sempre me gozavam por isso", ela confessa. Aos 16 anos, pasou por uma cirurgia de redução mamária, o que mudou a relação dela com o corpo."

Simplesmente ficar nua às vezes é mais confortável do que tentar esconder seios grandes sob as roupas", ela diz. "Não sei se isso realmente teve tanto efeito assim no meu trabalho, mas é interessante. Acho que, para mim, ficar nua tem a ver com um tipo de autenticidade. Tenho interesse nessa honestidade."

Na dança, a singeleza da nudez continua servindo para manter o público em estado de alerta máximo. Para Lucy Sexton, que formou a revolucionária companhia Dancenoise com Anne Iobst nos anos oitenta, a nudez era uma ferramenta absoluta, junto com a sua sensibilidade punk-rock e de vez em quando também com esguichos de sangue. Embora o duo seja mais conhecido pelas incursões na arte performática, o Dancenoise influenciou inúmeros coreógrafos na arte da dança.

Sexton continua se apresentando nua e atualmente pode ser vista no m
naravilhoso espetáculo "Lucy Show" no espaço Collective: Unconscious (Coletivo: Inconsciente) no Lower East Side de Manhattan. Ela ainda está fascinada pela maneira como a nudez molda instantâneamente a dinâmica entre o público e o artista.

"A nudez rapidamente se transforma num figurino", ela diz, "e é esse o motivo pelo qual se fica nu no palco: Há um momento inicial em que a porta se abre e cai a tal barreira entre o artista e a platéia. Eles estão nervosos e excitados, assim como você no palco, e é nesse ponto que desaba o tabu social."

A companhia Dancenoise desancava os yuppies, Ronald Reagan e a AIDS num estilo sóbrio mas que mesclava a provocação com o humor. Lucy Sexton e Anne Iobst, cujo personagem em cena se chama Dama Nua, permanecem sendo personalidades poderosas tanto para os bailarinos como para os artistas performáticos - não apenas pelo estilo agressivo delas, mas também pelos corpos normais que elas despiam em cena.

"Quando os bailarinos têm corpos belos e musculosos, isso entorpece a platéia", diz Lucy Sexton. "É como se dessa forma eles se valessem de armaduras, e não é tão constrangedor como quando você vê outras mulheres no vestiário da academia de ginástica, onde você acaba vendo aquelas pelancas da vida real, não tão perfeitas.

Fiquei satisfeita por não termos corpos perfeitos de bailarinos. E isso vai ficando mais verdadeiro depois de termos crianças e quando passamos dos quarenta anos. Para mim, ficar nua em cena, o que ainda estou fazendo, é o que é: sou uma mulher de meia-idade nua e pronto."

Para RoseAnne Spradlin, o trabalho de artistas como os da Dancenoise estava conectado à uma política de busca de identidade e com "as pessoas tentando encontrar seu caráter humano sob toda essa luta que vivemos." Observando por esse aspecto, pouca coisa mudou.

"Acho que artistas de verdade querem mostrar ao mundo que se importam com algo mais que seu próprio conforto e prestígio", diz a coreógrafa. "Ficar nua em cena pode ser desconfortável. E um artista mostra que está mesmo disposto a suportar desconfortos, quando busca encontrar um sentido no que faz."

No clássico livro de arte de de 1956, "The Nude: A Study in Ideal Form" ( O Nu: Um Estudo Sobre a Forma Ideal ), sir Kenneth Clark faz uma importante distinção entre estar pelado e estar nu. ( O "pelado" está cheio de conotações duvidosas, mas o "nu" é considerado aceitável.) O atual paralelo que se pode traçar no mundo da dança poderia estar nos termos "carne" e "pele". Mostrar a pele, mesmo que seja toda a pele, é natural; já o aspecto carnal causa problemas.

Experiência carnal

Uma das performances recentes mais arriscadas foi bem carnal, não foi propriamente uma coisa de pele. Sob o aspecto técnico, não houve nudez em "Prone" de John Jasperse, coreografia apresentada no espaço Kitchen em dezembro. Mas a platéia queria algo de mais nervoso em termos de experiência carnal --queria uma proximidade clínica.

Os espectadores ficam deitados em camas infláveis enquanto os bailarinos --Luciana Achugar, Levi Gonzalez e Eleanor Hullihan, vestindo shortinhos-- se enroscam nos corpos pela platéia, proporcionando visões microscópicas de pele castigada e com celulite.

"Meu gerente já criticou esses figurinos, e eu aí disse, `Acho que o problema que você aponta não tem a ver com os shortinhos mas sim com o que está dentro deles"', John Jasperse lembra, se divertindo.

"Levi e Luciana já não estão assim tão jovens como já foram, e isso me interessou. E, para mim, quer saber, Eleanor é ótima. Eu não a considero gorda, mas como se fosse um bebezão."

No começo, segundo Jasperse, Luciana Achugar estava meio grilada quanto à aparência: "Aí ela chegou um dia e disse, `Eu me dei conta que sim, tenho celulite. Você pode conferir. E eu aposto que alguns de vocês também têm celulite.' Naquele instante, percebi que estavamos tomando um rumo."

De uma maneira curiosa, parte do poder que a nudez exerce está fundamentada na noção de que, por si só, o corpo nu não é particularmente sexy. Mark Morris inicialmente pretendia que "Cargo", que terá sua estréia nova-iorquina na Brooklyn Academy of Music em março, fosse apresentada em nu total. Ele já criou peças sobre o nu, como a coreografia de 1986 "Striptease", baseada num artigo de Roland Barthes escrito em 1955.

Mas, após muita deliberação, Morris decidiu vestir seus bailarinos --embora com pouca roupa-- com sutiãs e roupas de baixo. "A música é `A Criação do Mundo' por Milhaud, e isso já é estar nu, pelo que eu entendo", diz o coreógrafo.

"Mas usando figurinos é melhor; é muito mais erótico do que se estivéssemos nus." Além disso, acrescenta, a exibição irrestrita da anatomia transforma alguns dos movimentos mais vigorosos, como ele diz, "em algo um tanto mais cômico."

Mas ele acredita que a nudez na dança sempre apresentará um paradoxo. "Os americanos são ao mesmo tempo muito licensiosos e muito puritanos", diz Morris. "Apresentar a nudez é como anunciar `Cerveja de Graça'.

Eu sempre ameaço fazer alguma peça com pessoas se movimentando nuas, e eu dou o maior apoio para quem faz. Mas, para mim, isso geralmente gera mais problemas do que vale a pena. Se alguma coisa está balançando por ali, é para aquilo mesmo que todo mundo vai olhar." Coreógrafos tiram as roupas dos bailarinos como uma maneira de revelar algo de essencial sobre a experiência humana. A nudez que se vê atualmente é crua e pesada, embora mantenha o indefectível aspecto vulnerável Marcelo Godoy

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