UOL Notícias Internacional
 

14/02/2006

Resposta ao Katrina foi "inaceitável", diz Chertoff

The New York Times
David Stout

Em Washington
A resposta do Departamento de Segurança Interna ao furacão Katrina foi insatisfatória, admitiu o secretário Michael Chertoff nesta segunda-feira (13/02). No entanto, ele disse que o departamento está aumentando rapidamente sua capacidade e negou que os desastres naturais tivessem menor importância que o terrorismo na agenda da agência.

"Temos que tomar medidas para reforçar nossa eficácia operacional para desastres de rotina e para uma catástrofe verdadeiramente excepcional", disse Chertoff à conferência da Associação Nacional de Gerenciamento de Emergência em Alexandria, Virgínia.

Ele anunciou várias mudanças para fortalecer o departamento e particularmente a Agência de Gerenciamento de Emergência Federal (Fema), que foi duramente criticada por seu desempenho durante o furacão e o alagamento subseqüente.

"Como disse o presidente, os resultados de nossa resposta ao Katrina foram inaceitáveis", disse Chertoff. "Algumas coisas funcionaram bem, mas outras que deveriam ter funcionado, não."

Chertoff disse que haviam sido tomadas medidas para melhorar a comunicação dentro de seu departamento e com outras agências; que o sistema de computador e tecnologia "ultrapassado" da Fema será renovado e que a agência desenvolverá "um núcleo altamente treinado de funcionários permanentes" como centro de sua força de trabalho, no caso de um desastre.

Outro passo importante, disse Chertoff, é a instalação de um "sistema de gerenciamento de logística do século 21". Com ele, os funcionários poderão acompanhar carregamentos de suprimentos e equipamentos a cada passo, desde a origem até as pessoas afetadas pelos desastres --como qualquer um faz hoje para acompanhar por computador o progresso de um pacote ou carta.

Chertoff e outras altas autoridades já admitiram que a reposta do governo ao Katrina foi inadequada em todos os níveis. Com a enchente que se seguiu, o desastre foi considerado um dos piores da história americana.

Além disso, foram levantadas recentemente sérias questões sobre se o governo Bush poderia ter reagido à catástrofe mais rapidamente, diante de evidências de que a Casa Branca soube da extensão do dano em Nova Orleans mais rapidamente do que havia sido alegado.

Michael D. Brown foi diretor da Fema na época do furacão e tornou-se o rosto dos erros da Fema. Ele disse a um conselho do Senado recentemente que a Casa Branca soube da extensão do alagamento em Nova Orleans muito antes do que admitiu. Brown também afirmou que a eficácia da Fema foi grandemente reduzida quando foi absorvida pelo Departamento de Segurança Interna, que foi criado em resposta aos ataques terroristas de 2001.

Apesar de Chertoff não mencionar Brown, ele refutou qualquer sugestão de que a Fema tinha se tornado uma agência secundária dentro do departamento. "A Fema é parte vital de nossa comunidade de resposta à emergência desde 1979; ela faz parte do DNA do Departamento de Segurança Interna", disse Chertoff.

Enquanto Chertoff falava na Virgínia, o Comitê de Segurança Interna do Senado estava ouvindo testemunhos sobre fraudes que atrapalharam a resposta do governo à catástrofe. Além disso, um relatório do conselho especial da Câmara desta semana deve criticar duramente a resposta do governo às dificuldades de Nova Orleans. Finalmente, o Departamento de Justiça disse hoje que 212 pessoas enfrentam acusações de fraude, roubo e outras irregularidades relacionadas às verbas federais distribuídas depois do Katrina.

Foram citados inúmeros exemplos de desperdício ou gastos fraudulentos ocorridos nos quase seis meses desde a calamidade da costa do Golfo. A senadora Susan Collins, republicana de Maine e diretora do conselho de segurança interna, disse hoje que a maior parte do dinheiro foi para as vítimas.

"Entretanto, parte do dinheiro, demais para quem realmente precisava, foi para pessoas que não estavam nem perto do furacão e não foram de forma alguma prejudicadas por ele", disse ela. A senadora disse que investigadores do Escritório de Contabilidade do Governo tinham descoberto episódios nos quais verbas federais foram usadas para pagar "tatuagem, jogo, multas de trânsito e um anel de diamante."

Gregory D. Kutz, do escritório de contabilidade, disse ao comitê que sua agência tinha encontrado casos nos quais vários indivíduos trabalhando juntos usaram dezenas de números de previdência social para receber assistência de moradia de forma ilegal -até US$ 122.000 (cerca de R$ 244.000) em um caso.

"Em outro caso, oito indivíduos usaram 30 números de previdência diferentes para receber US$ 92.000" (em torno de R$ 184.000), disse Kutz. "Das propriedades, 22 eram no Texas. Visitei o Texas em janeiro e, sabem o que? Os 22 endereços eram falsos."

(Em Nova Orleans, um juiz federal permitiu que o governo federal tirasse de um programa de abrigo em hotéis cerca de 12.000 famílias que ficaram sem teto depois da tempestade. A decisão do juiz Stanwood Duval significa que a Fema não vai mais pagar pelos hotéis diretamente, apesar dos retirantes ainda receberem assistência federal.)

Chertoff não abordou especificamente essas questões hoje. Apesar de dizer que ele e outros líderes do departamento "fizeram uma profunda auto-análise" e aceitaram as críticas e a responsabilidade pelo que deu errado, Chertoff negou enfaticamente que o planejamento de desastres naturais tivesse se tornado de alguma forma menos importante do que a resposta ao terrorismo dentro do departamento.

"Quero pedir aos repórteres para pegarem suas canetas e escreverem, para não perderem o que vou dizer: quero dizer a vocês inequivocamente que rejeitamos fortemente essa tentativa de separar nossa preocupação com o terrorismo dos desastres naturais."

Essa divisão não só seria pouco apropriada, mas provavelmente impossível, sugeriu. "Muitas vezes enfrentamos desastres e não sabemos se é produzido pelo homem ou natural", disse ele. "E como não estamos tentando saber, nosso conceito de operação tem que ser integral, para operar diante de um ato de terrorismo ou de um ato da natureza." Auxiliar de Bush admite fracasso no socorro às vítimas do furacão Deborah Weinberg

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