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15/02/2006

Esquiador iniciante vence veterano consagrado nos Jogos Olímpicos de Inverno

The New York Times
Bill Pennington

Em Sestriere, Itália
Foi nos campos de treinamento do verão passado que alguns dos companheiros de equipe e técnicos de Ted Ligety começaram a chamá-lo de o próximo Bode Miller. Havia algo na forma como Ligety arrancava velocidade dos esquis, algo na forma como sempre escolhia a trilha mais audaciosa e potencialmente mais rápida no trajeto de descida. Aquilo lhes lembrava alguém. Ligety, 21 anos, não deu atenção ao apelido, mas também não estava em um plano de cinco anos para superar Bode Miller. Mesmo assim, no segundo semestre do ano passado, ele estava derrotando regularmente Miller no slalom, apesar de Miller estar em sua melhor forma.

Doug Mills/ The New York Times - 14.fev.2006 
Ted Ligety voa perto do topo da colina, parte da prova que venceu nos Jogos da Itália

"Nós sabíamos que tínhamos outro touro na fazenda", disse Phil McNichol, o técnico da equipe masculina de esqui americana.

No maior palco possível do esqui, Ligety acabou de vez com as comparações nesta terça-feira (14/02), criando um lugar na história do esqui olímpico americano que será definido por sua estupenda vitória, com Miller fora do quadro.

Ligety, usando óculos e luvas cor-de-rosa, se tornou o primeiro medalhista de ouro americano na prova olímpica masculina combinada com duas provas de slalom que o fizeram saltar da 32ª posição para o alto do pódio de medalhas. Em uma equipe repleta de grandes estrelas, foi Ligety, em seu segundo ano de esqui internacional, que conquistou a primeira medalha alpina para os Estados Unidos nos Jogos de Inverno de 2006.

Ele também é o favorito para conquistar outra medalha de ouro, no slalom masculino, em 25 de fevereiro. "É difícil de acreditar", disse Ligety. "Está acontecendo rápido demais."

O evento combinado é um percurso downhill seguido por dois de slalom, com os três tempos somados para determinar o vencedor.

O tempo de vitória de Ligety na terça-feira foi de 3 minutos 9,35 segundos, 0,53 segundos à frente de Ivica Kostelic da Croácia, que superou anos de lesões debilitantes no joelho para conquistar uma medalha olímpica. Após a prova, Ivica abraçou sua irmã, Janica, a múltipla vencedora olímpica, enquanto ambos choravam. Rainer Schoenfelder, da Áustria, ficou com a medalha de bronze.

Miller parecia destinado a roubar o show na terça-feira. Ele tinha uma grande vantagem após o percurso inicial downhill, com Ligety 3:06 atrás. Mas o enigmático Miller foi desqualificado após errar uma passagem no primeiro percurso de slalom. Benjamin Raich da Áustria, o líder do ranking mundial da prova combinada, assumiu a ponta no inicio da prova final de slalom, mas errou o percurso e também foi desqualificado.

Foi a primeira grande vitória internacional de Ligety, que quatro meses atrás iniciou sua temporada de esqui tão fora do radar que não contava nem mesmo com patrocinador comercial individual. Em seu capacete, no espaço acima de seus olhos, ele estampou uma mensagem aos únicos patrocinadores que pôde lembrar: mamãe e papai.

Após a prova de terça-feira, Bill Ligety, o pai de Ted, disse que seu filho nunca foi um astro, mesmo na juventude.

"Ele nunca se destacou", disse Bill Ligety. "Mesmo hoje, nós esperávamos que ele ficasse entre os 10 mais. Nós dizíamos para Ted ser realista."

Ted não deu ouvidos.

"Eu a tratei como uma prova de Copa do Mundo", ele disse. "E acho que é possível vencer uma prova de Copa do Mundo".

Apesar de Ligety ter ficado muito para trás após a percurso downhill, ele não desanimou. Ele tem pouca experiência em percursos downhill de elite e estava tentando não se afastar demais dos líderes.

Ou, como disse seu pai, "nós ficamos felizes por ele ter chegado inteiro ao fim do percurso downhill".

Quando o primeiro slalom teve início ao anoitecer, Ligety foi o segundo atleta a largar e fez o percurso em um estilo forçado, de alto risco, que exigiu grande extensão de perna e controle de seus esquis. Ligety dispara pelo percurso de slalom de forma mais reta do que a maioria dos esquiadores, assim como Miller. Isto é mais rápido mas exige uma precisão exata, porque há menos espaço para erro.

Esta sempre foi a abordagem de Miller, e após o primeiro percurso de slalom na terça-feira, a grande vantagem de Miller após o downhill tinha diminuído, mas ele ainda estava quase um segundo à frente de Raich. Mas logo um relato dos juizes de prova revelou que Miller, cuja melhor prova é a combinada, não tinha contornado com ambos os esquis uma das 56 balizas da prova.

Virando à esquerda, o esqui direito de Miller passou pela baliza mas seu esqui esquerdo passou por cima dela, ligeiramente mais à esquerda ou por dentro da baliza, o que não é permitido.

"Eu estava com Bode quando soube da desqualificação", disse Ligety. "Nós ficamos surpresos. Eu fiquei triste por ele."

Miller não protestou.

"Eu passei por cima da baliza e quando falei com Jesse, ele disse que no vídeo dava para ver claramente; e se está claro, está claro", disse Miller, se referindo a Jesse Hunt, o diretor de programa da equipe alpina americana. "Não é a primeira vez que acontece. Eu já passei por cima provavelmente mais vezes do que a maioria já terminou um slalom. É uma droga porque eu tinha uma grande vantagem."

Na equipe americana, a atenção se voltou rapidamente para Ligety, que passou a ocupar o terceiro lugar. Ele tinha o tempo mais rápido no primeiro percurso de slalom e estava apenas 0,86 segundos atrás de Raich e 0,46 de Kostelic.

"Eu não considerava impossível alcançá-los, mas não estava pensando nisso", disse Ligety. "Eu estava lá em cima pensando na descida".

Ligety realizou o vai e vem do slalom com a mesma intensidade do primeiro percurso e ultrapassou Kostelic. Raich seria o último atleta a fazer o percurso.

Na metade da descida, quando ele se desviou de uma baliza e saiu do percurso, Ligety tinha conquistado o ouro.

"Eu ainda não sei ao certo o que aconteceu", disse Raich. "Havia muito gelo e repentinamente eu estava na lateral."

Após o erro de Raich, Ligety se aproximou da linha de chegada, com um olhar de espanto e um grande sorriso no rosto enquanto erguia os braços. Seus companheiros de equipe, Steven Nyman e Scott Macartney, o agarraram e os três rolaram pela nele até Ligety se levantar e pegar uma bandeira americana para colocar sobre os ombros.

Cinqüenta minutos depois, ele ainda vestia a bandeira e o uniforme de competição em uma praça de Sestriere com seu pai, Bill, e sua mãe, Cyndi Sharp, ao seu lado.

Logo após a prova de terça-feira, McNichol, o técnico da equipe de esqui, disse sobre Ligety: "Ele realmente faz muitas das mesmas coisas que Bode faz".

Mas McNichol se corrigiu, como se estivesse falando de um Ted Ligety anterior, um que ainda não tinha conquistado um nova alcunha, a de campeão olímpico.

"Eu acho que agora são as coisas que Ted faz", disse McNichol. Ted Ligety conquista o ouro para sair da sombra de Bode Miller George El Khouri Andolfato

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