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15/02/2006

GE investe em programas de energia alternativa

The New York Times
Claudia H. Deutsch

Em, Nova York
É difícil se manter em um negócio no qual você literalmente --assim como figurativamente-- se apóia em moinhos de vento. Mas tal negócio pode estar recebendo os ventos mais favoráveis da sua história. Quando o presidente Bush pediu, no mês passado, que sejam envidados mais esforços para o desenvolvimento de energias alternativas, um negócio que no ano passado atraiu apenas US$ 7 bilhões em investimentos em todo o país, os 300 engenheiros e financistas da GE Energy Financial Services já tinham entrado nesse jogo. Mas isto não significa que não estejam felizes com o fato de a Casa Branca estar reconhecendo a importância do setor.

Sandy Huffaker/The New York Times - fev.2006 
Turbinas de vento em Kumeyaay, na periferia de San Diego, Califórnia, GE aposta na energia eólica
"A fala do presidente não mudou nada para nós. Ela foi simplesmente um reconhecimento daquilo que já conhecíamos", afirma David L. Calhoun, vice-presidente da GE Infrastructure, o grupo que inclui tanto a manufatura de turbinas quanto o financiamento de programas do setor de energia.

Por ora, a energia eólica é a única estrela que dá lucros na galáxia de energia alternativa da GE, e tanto o setor financeiro da empresa quanto o de equipamentos sabem que estão fazendo uma aposta ao investirem em energia solar e outras tecnologias incipientes. Mesmo assim, os analistas aplaudem as decisões no sentido de desenvolvê-las.

"Quando o presidente fala sobre energia renovável, isto gera empolgação na GE", diz Deane M. Dray, uma analista da Goldman Sachs que avalia positivamente as ações da GE.

Certamente, o fato está chamando a atenção da Energy Financial Services. A unidade adquiriu recentemente um complexo de energia eólica na Alemanha, e está instalando novas turbinas no local em um ritmo acelerado.

Ela investiu em complexos de energia solar na Califórnia, e está nos estágios finais de negociações para implementar um grande projeto de energia solar na Europa. De fato, os projetos de energia alternativa já respondem por US$ 1 bilhão do patrimônio total de US$ 11 bilhões da unidade, que é o seu nicho de crescimento mais acelerado.

"O espaço das energias renováveis realmente se aqueceu, e espero que ele venha a responder por cerca de 20% ou 30% dos nossos investimentos nos próximos cinco anos", afirma J. Alex Urquhart, o presidente da unidade.

Atualmente, o financiamento de energia alternativa representa apenas uma fração diminuta do total de lucros da GE. Mas a máquina GE está se preparando para uma mudança. Em 30 de janeiro último --um dia antes de o presidente lamentar "o vício em petróleo" do país--, Urquhart criou um grupo distinto para se concentrar somente nos projetos de energia alternativa.

Lorraine Bolsinger, que administra o programa Ecomagination da GE, diz que passou a "gerenciar os projetos financeiros por meio do nosso processo de cartões de marcação", para identificar quais deles deveria incluir no seu grupo de produtos "verdes" da GE.

O ritmo também está se acelerando no campo industrial da GE. Equipamentos de energia e serviços relacionados, que responderam por cerca de US$ 42 bilhões da renda total de US$ 149,7 bilhões da GE no ano passado, se constituem no maior negócio industrial da GE. Produtos de energia alternativa como geradores eólicos responderam por menos de US$ 6,3 bilhões das vendas do ano passado.

Quatro anos atrás, a GE comprou a unidade de turbinas eólicas da Enron, e esta se constitui, atualmente, em um negócio de US$ 2 bilhões, e que caminha rapidamente para chegar aos US$ 4 bilhões. Em cinco anos, a GE espera que os seus produtos de energia alternativa respondam por mais de um quarto de suas rendas obtidas com equipamentos de energia.

Se isso acontecer, provavelmente será uma ótima coisa também para a Energy Financial Services. No ano passado, o financiamento de energia foi retirado do setor de finanças da GE e colocado sob o guarda-chuvas de Calhoun, juntamente com outros fabricantes de equipamentos.

Os membros da equipe financeira dizem que o fato de trabalharem lado a lado com os gurus dos equipamentos técnicos os está ajudando a fazer escolhas entre os potenciais investimentos.

Eles dizem que recebem alertas antecipados sobre que tipos de desenhos e materiais para pás resultam nas turbinas eólicas mais eficientes, além de saberem se a energia solar está ganhando ímpeto, ou se as tecnologias terão algum valor de revenda ou reutilização caso um projeto não funcionar, ou se o devedor deixar de pagar.

"Somente 60% dos nossos projetos envolvem tecnologias GE, mas o centro de pesquisa global nos ajuda a decidir em quais tecnologias investiremos", explica Kevin Walsh, diretor de administração do novo grupo de energia renovável da Energy Financial.

A potente mistura de especialidades já está rendendo frutos. A Energy Financial, por exemplo, investiu em um complexo de energia solar na Califórnia depois que os especialistas industriais da GE aprovaram o projeto --que não utiliza equipamentos da GE.

Os especialistas em finanças do setor energético estão ajudando Calhoun a avaliar o potencial econômico de um projeto de gasificação de carvão. Se ele se mostrar viável, os especialistas ajudarão a promover e a financiar projetos similares em outros locais.

É claro que a GE não é a única a apoiar as energias renováveis. Em novembro a Goldman Sachs se comprometeu a investir US$ 1 bilhão em energia renovável, e já estão "bem no rumo" para alcançar esta meta, segundo Lucas van Praag, um porta-voz da companhia.

O J.P. Morgan Chase também disse que investirá mais de US$ 250 milhões em projetos de energia eólica. E os investidores vêm injetando capital há algum tempo em projetos e tecnologias menores de energia renovável.

Segundo Michael T. Eckhart, presidente do Conselho Americano de Energias Renováveis, os US$ 7 bilhões investidos em projetos de energias renováveis no ano passado deverão aumentar em cerca de 25% por ano durante os próximos anos.

Ele e muitos outros acreditam que, caso o discurso do presidente resultar em novas regulamentações ou incentivos fiscais, uma quantidade ainda maior de dinheiro de Wall Street será atraída para tais projetos.

A energia eólica tem sido a principal fonte de energia alternativa nos últimos anos. Os preços das turbinas têm decrescido, ainda que a confiabilidade e eficiência destes equipamentos tenham aumentado. A GE, a Goldman, o J.P. Morgan Chase e outros estão financiando usinas de energia eólica em todo o mundo.

Contrastando com tal situação, a escassez persistente de silício, necessário para a fabricação de painéis solares, impediu que o setor de energia solar decolasse segundo uma trajetória similar.

E uma quantidade muito pequena de dólares de Wall Street está sendo direcionada para projetos que envolvem a produção de megawatts a partir de resíduos agrícolas, sejam eles provenientes de culturas como o milho ou das pastagens do oeste norte-americano, conforme sugeriu Bush. E, pelo menos até o momento, quase não houve interesse no metano produzido a partir de esterco.

Porém, os apoiadores deste setor acreditam que o discurso de Bush envia um novo sinal que pode favorecer algumas das fontes mais exóticas de energia. "Agora que o presidente manifestou apoio ao etanol, muitos conservadores que achavam que os biocombustíveis eram uma idéia estúpida passarão a vê-los como uma oportunidade normal de investimento".

Por ora, no entanto, os investidores dizem que a logística envolvida na seleção de locais para as fábricas e no transporte dos biocombustíveis impede que eles sejam economicamente competitivos. "George Bush falou coisas interessantes sobre potenciais oportunidades derivadas da biomassa, mas precisamos entender melhor quaisquer mudanças legislativas ou de regulamentos que possam ser motivadas pelos seus comentários", diz Van Praag, da Goldman.

A GE Energy Financial Services adotou algumas medidas exploratórias com relação à biomassa. Ela fez um investimento de longo prazo, embora reduzido, em usinas que queimam aparas de madeira para a produção de combustível. E a empresa está buscando conselhos sobre potenciais investimentos em biocombustíveis junto a colegas da Jenbacher, uma companhia austríaca comprada pela GE em 2003, e que fabrica geradores movidos a gases emitidos por depósitos de lixo.

"Vou continuar chamando o nosso pessoal em Washington, e examinar que tipo de legislação está evoluindo em torno da idéia do biocombustível", diz Urquhart.

Enquanto isso, ele está de olho em projetos que possam merecer investimentos, ainda que não contem com incentivos adicionais do governo.

Calhoun está atento à solicitação de Urquhart, esperando que surja algo que a GE deva comprar ou fabricar.

"Alex nos ajuda a decidir onde investir os nossos dólares para o desenvolvimento de tecnologias, e nós o ajudamos a avaliar onde investir", explica Calhoun. "E se ele descobrir uma ótima fábrica de biomassa, ficaremos muito satisfeitos". Vento responde por US$ 1 bi do patrimônio de US$ 11 bi da unidade da empresa responsável pelo desenvolvimento de novas fontes Danilo Fonseca

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