UOL Notícias Internacional
 

15/02/2006

Homem baleado por Cheney tem ataque cardíaco

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Anne E. Kornblut*

Em Washington
O advogado de 78 anos baleado pelo vice-presidente Dick Cheney em um acidente de caça no final de semana sofreu leve ataque cardíaco no início da terça-feira (14/02). Segundo funcionários do hospital no Texas, a disfunção resultou do alojamento de um projétil em seu coração.

O advogado, Harry Whittington, voltou à unidade de terapia intensiva no Hospital Christus Spohn em Corpus Christi, Texas, para ser monitorado nos próximos dias, caso o projétil no coração ou outros em seu corpo se movam para outros órgãos, disseram os funcionários em entrevista coletiva. David Blanchard, chefe da emergência, acredita que Whittington tenha mais de cinco e "provavelmente menos de 150 a 200" pedaços de chumbo alojados em seu corpo.

Blanchard disse que cardiologistas do hospital estavam otimistas que o chumbo no coração não ia progredir e que o órgão funcionaria normalmente. Os médicos não consideram os outros projéteis em seu corpo problemáticos.

O gabinete de Cheney, em seu primeiro pronunciamento oficial sobre o incidente, divulgou declaração pouco depois das 14h30 dizendo que os "pensamentos e preces" do vice-presidente estavam "com o Sr. Whittington e sua família" e que Cheney havia conversado ao telefone com Whittington uma hora antes.

"O vice-presidente desejou melhoras ao Sr. Whittington e perguntou se precisava de alguma coisa", disse a declaração. "O vice-presidente disse que estava pronto para ajudar." Segundo a vice-presidência, o humor de Whittington estava "bom", mas "obviamente sua situação merece o monitoramento cuidadoso que seus médicos estão fornecendo".

A queda na saúde de Whittington mudou significativamente o tom da reação da Casa Branca ao acidente de caça. No Texas, Carlos Valdez, promotor distrital do condado de Kleberg, disse que em caso de morte haveria nova investigação da delegacia local e provavelmente um grande júri.

Quando começou o dia, o porta-voz do presidente, Scott McClellan, ainda não sabia do ataque cardíaco de Whittington. Depois de ser criticado pelos repórteres na segunda-feira por um atraso de quase 24h da Casa Branca em revelar o acidente, McClellan abriu sua primeira coletiva de terça-feira brincando, como haviam feito os programas de humor à noite.

McClellan disse que os jogadores do Texas Longhorn, campeões de futebol americano que estavam na Casa Branca para cumprimentar o presidente, vestiriam a cor do time, laranja, mas não por estarem "preocupados com a presença do vice-presidente".

Ainda brincando com a cor usada pelos caçadores como precaução contra um tiro acidental, McClellan mostrou sua gravata laranja e cinza. "Mas é por isso que eu estou usando", disse ele, provocando risadas.

Mas em sua entrevista de meio dia, quando já tinha consciência da condição de Whittington mas não a revelou aos repórteres, seu tom era sério. Ele foi impaciente com perguntas persistentes sobre o tiro: "Se vocês quiserem continuar com o assunto, tudo bem", disse McClellan aos repórteres. "Nós vamos passar para as prioridades do povo americano."

Assessores de Cheney disseram que ele soube da mudança na condição de Whittington quando chegou em seu escritório na Ala Oeste, cerca de 7h40 da manhã de terça-feira, pouco depois de os médicos em Corpus Christi dizerem que tinham identificado um batimento irregular de Whittington em suas rondas matinais.

Os médicos disseram que o pedaço de projétil que estava próximo ao coração evidentemente tinha chegado ao músculo cardíaco, causando "tremores" chamados de fibrilação atrial. Whittington, baleado por Cheney no sábado, saíra da UTI na segunda-feira, mas foi levado imediatamente de volta ao cuidado intensivo.

Cheney foi informado de que Whittington ia precisar de um cateterismo cardíaco para determinar a condição de seu coração, segundo a declaração da vice-presidência. O procedimento foi feito em torno das 10h. O vice-presidente continuou sua agenda normalmente, mas mudou de planos quando foi informado por seu chefe de gabinete, durante uma reunião de segurança nacional no Capitólio, que os médicos de Whittington iam fazer uma conferência com a imprensa.

O senador Trent Lott, que tinha brincado com o vice-presidente antes da reunião, disse que Cheney voltou imediatamente à Casa Branca para assistir a entrevista coletiva. "Ele não parecia estar se divertindo", disse o republicano Lott sobre o vice-presidente. Autoridades locais não consideraram entrar com queixa pelo acidente porque ninguém, incluindo a vítima, acusou Cheney de falta.

"Até agora, todo mundo disse que foi um acidente", disse Valdez, democrata cujo cargo é eleito. "A vítima provavelmente disse ao delegado que foi um acidente. Agora, se o pior acontecer, e o homem morrer, tomaremos outras medidas."

Sob a lei, uma fatalidade de caça pode resultar em processo criminal. Cheney seria acusado de negligência, definida como incapacidade de compreender os perigos envolvidos, ou imprudência, definida como compreensão dos perigos e demonstração de indiferença.

Depois de alguma confusão inicial sobre que medidas a polícia local tinha tomado para investigar o incidente no sábado, membros do Serviço Secreto disseram na terça-feira que o vice-presidente estaria disponível para ser interrogado assim que possível, mas que o xerife local tinha concordado em esperar até domingo.

Eric Zahren, porta-voz do Serviço Secreto, disse que o acidente ocorrera às 17h50, pouco depois da Casa Branca ter dito a princípio. Depois de ajudar Whittington a entrar na ambulância, os agentes de segurança de Cheney voltaram a seu posto de comando na fazenda Armstrong às 18h30. O supervisor do Serviço Secreto de McAllen, Texas, tinha telefonado ao delegado do condado de Kenedy para contar sobre o incidente às 19h, disse Zahren.

O supervisor do Serviço Secreto combinou com o delegado que o vice-presidente seria questionado na fazenda às 10h de domingo, disse Zahren. Mas o gabinete do vice-presidente preferiu marcar para as 8h.

Houve relatos, inclusive do próprio delegado, de que um policial tinha sido enviado à fazenda Armstrong na noite de sábado e que não tinha sido recebido. Zahren disse que policiais locais tinham ouvido falar do incidente quando uma ambulância foi enviada para pegar Whittington e apareceram na fazenda sem serem chamados. Guardas privados, que não eram agentes do Serviço Secreto, não sabiam o que tinha acontecido e enviaram os guardas embora.

A Casa Branca soube do incidente quando alguém do grupo do vice-presidente ligou para a Sala de Crise, pouco depois do acidente, disse McClellan na terça-feira. Mas a pessoa --McClellan não quis identificá-la-- informou apenas que tinha havido um acidente de caça envolvendo o vice-presidente, não que o próprio Cheney tivesse atirado em Whittington.

O pessoal da Sala de Crise passou as informações a Andrew H. Card Jr., chefe de gabinete da Casa Branca, que contatou o presidente Bush. Card também ligou para Karl Rove, subchefe de gabinete, que chamou a proprietária da fazenda, Katharine Armstrong. Esta disse a Rove que Cheney havia atirado em Whittington, e Rove então ligou para Bush às 20h, para dar a notícia.

*Colaborou David D. Kirkpatrick. Caçador de 78 anos foi atingido por tiro do vice-presidente dos EUA Deborah Weinberg

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