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16/02/2006

Rice diz ter plano para apoiar democracia no Irã

The New York Times
John O'Neil

Em Washington
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse a uma comissão do Senado nesta quarta-feira (15/02) que pretende pedir US$ 75 milhões para promover a democracia no Irã, mas encontrou perguntas afiadas dos democratas sobre se as políticas do governo Bush estão promovendo a ascensão de governos antiamericanos em todo o mundo.

Rice disse à Comissão de Relações Exteriores do Senado que o dinheiro para o Irã, além dos US$ 10 milhões já previstos no atual orçamento, será usado "para apoiar as aspirações democráticas da população iraniana" e contrabalançar a influência do novo regime linha-dura de Teerã.

"Ninguém quer ver o Oriente Médio dominado pela hegemonia iraniana, especialmente quando eles têm acesso à tecnologia nuclear", disse Rice, e mais tarde chamou o Irã de "nosso maior desafio estratégico" na região.

Ela disse em sua declaração previamente preparada que os US$ 75 milhões extras "nos permitiriam aumentar nosso apoio à democracia e melhorar nossas transmissões de rádio, iniciar a transmissão de TV via satélite, aumentar os contatos entre nossas populações através de mais bolsas de estudos para estudantes iranianos e reforçar nossas iniciativas públicas em prol da democracia".

O grosso do dinheiro, US$ 50 milhões, iria para o estabelecimento de uma transmissão de televisão ininterrupta para o Irã no idioma farsi, segundo um oficial do Departamento de Estado, juntamente com aperfeiçoamentos nas transmissões de rádio e satélite.

"As políticas do regime estão ameaçando o total isolamento do Irã, e a população iraniana não deve sofrer isso", disse Rice à comissão do Senado.

Rice e outros membros do governo intensificaram suas críticas ao Irã nas últimas semanas, pressionando por sanções da ONU contra seu programa nuclear e acusando o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad de fomentar protestos violentos contra a publicação de desenhos satíricos representando o profeta Maomé.

Mas o enfoque no Irã na quarta-feira também refletiu uma sensação de que sua posição cresceu conforme a região mudou nos últimos anos, com um governo amigável dominado por xiitas preparando-se para assumir no Iraque, o Hamas vencendo as eleições para o Parlamento palestino e grupos radicais como o Hezbolah e a Irmandade Muçulmana conquistando votos no Líbano e no Egito.

O senador Joseph R. Biden, de Delaware, o principal democrata do painel, disse que qualquer sanção ao Irã que inclua um embargo das compras de petróleo "teria um impacto negativo drástico". O senador republicano Chuck Hagel, de Nebraska, chamou o Irã de "o país mais poderoso do Oriente Médio" e "o mais difícil".

Hagel comentou que os iranianos têm os militares americanos muito perto, no Iraque e no Afeganistão, e que há países da região --Israel, Índia e Paquistão-- que possuem armas nucleares.

Hagel elogiou o governo por trabalhar estreitamente com a Agência Internacional de Energia Atômica para tentar conter o programa nuclear do Irã, dizendo que foi uma mudança da postura indiferente que prevaleceu antes da invasão do Iraque em 2003.

"Espero que estejam terminados os dias de Chalabi, de confiar naquela turma ou naquele tipo de política", ele disse, referindo-se a Ahmad Chalabi, o ex-líder iraniano exilado cujo grupo forneceu grande parte das informações sobre os programas do Iraque para desenvolver armas de destruição em massa, que mais tarde se verificaram falsas.

Em resposta, Rice disse que "o Irã está seguindo políticas no Oriente Médio que são 180 graus, ou pelo menos 170, opostas ao tipo de Oriente Médio que nós construiríamos".

Mas ela disse que "não queria exagerar a influência iraniana, reconhecendo que ela é diluída por diversas outras forças e fatores que suspeitam profundamente da influência do poder iraniano".

Rice disse que os comentários ásperos de Ahmadinejad desde que assumiu o cargo no último verão "cristalizaram as preocupações da comunidade internacional, porque ele fala de maneira mais crua sobre as ambições iranianas do que os governos anteriores".

Rice reconheceu que o Irã provavelmente terá relações estreitas com o novo governo xiita do Iraque, mas disse que ela vai viajar para a região do golfo Pérsico para conversar com líderes locais e tentar conter a influência iraniana.

Ela disse que em longo prazo a ascensão da democracia no Oriente Médio será desvantajosa para a a teocracia iraniana, mas enfrentou sérias críticas de alguns senadores, especialmente democratas.

A senadora Barbara Boxer, da Califórnia, citou pesquisas internacionais que segundo ela mostram a má situação dos EUA na opinião pública mundial, e os atribuiu às vitórias de partidos inamistosos na Venezuela e na Bolívia, assim como no Oriente Médio.

"Às vezes as eleições vão numa direção em que preferiríamos que não fossem", Rice reconheceu. Mas ela disse que dar ao povo uma oportunidade de fazer opções livres é preferível a uma política que lhes negue essa liberdade.

A vitória do Hamas, ela disse, representa "um momento difícil nas perspectivas de paz". Mas "o povo palestino teve uma oportunidade de ir às urnas e expressar seu desejo de mudança". "Não acho que nossa política possa ser de só aprovar a eleição de nossos candidatos preferidos", ela disse.

O senador republicano Lincoln Chafee, de Rhode Island, retrucou: "Se não falarmos com os vencedores, acho que é um problema". Secretária de Estado defende eleições livres, mesmo quando forças que se opõem aos EUA são eleitas, exemplo do Hamas na Palestina Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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