UOL Notícias Internacional
 

17/02/2006

Semi-vazia, Nova Orleans prepara seu carnaval

The New York Times
Dan Barry e Adam Nossiter

Em Nova Orleans, Louisiana
Enquanto um crepúsculo apurpurado toma conta do céu sobre a cidade, alguns poucos trabalhadores reunidos num armazém parcialmente danificado pelo furacão Katrina dão os retoques finais nas cores berrantes de uma armada de carros alegóricos do Mardi Gras, o carnaval dos americanos.

Em breve, num desses próximos dias, essas armações grotescas sobre rodas estarão avançando pelas ruas da cidade, relembrando a todos que as estiverem vendo da importância de se aproveitar o dia de hoje, pois nunca se sabe do que o amanhã será feito.

Ozier Muhammad/The New York Times - 15.fev.2006 
Carros alegóricos do Mardi Gras; vida na cidade ainda é determinada pelo furacão Katrina

Do outro lado da rua meio-destruída onde fica o armazém, os trabalhadores podem avistar os trilhos da ferrovia e ver filas sem fim de trailers do governo brancos e básicos, apoiados em vagões baixos e planos, que mais se parecem com colares quebrados de pérolas carnavalescas desmedidas e sem cor.

Esses trailers, que despontam como armações grotescas de um tipo diferente, servirão de casa para os que tiverem essa sorte, relembrando a todos os que as virem que seis meses depois do Katrina, tempos difíceis, sem nenhuma diversão, continuam se impondo na grande cidade de Nova Orleans.

O primeiro desfile do carnaval de 2006 abrirá passagem em grande pompa e alto e bom som pela Avenida Napoleon e a área de St. Charles neste sábado (18/02), trombeteando um tema ainda traumático e próximo do lamento: "Que Deus Abençoe Nova Orleans". Este desfile, assim como os cerca de 25 outros que o seguirão ao longo dos 11 dias seguintes, circulará por uma cidade que foi despida de tudo pela ventania e a enxurrada, exceto do seu orgulho.

E as pessoas sobre os carros alegóricos arremessarão pérolas e moedas de plástico por sobre uma cidade que é a Nova Orleans que eles amam, mas não exatamente aquela Nova Orleans que eles conservaram na sua memória - uma cidade onde o famoso bordão que o folião grita para os que estão sobre os carros - "Lança alguma coisa para mim, mister" - passa a adquirir um novo significado, mais desesperado.

Pouco mais da metade dos 465.000 habitantes da cidade retornou do seu exílio provocado pela tempestade --mas outros continuam a chegar todos os dias, e mais rapidamente do que o esperado. Ainda assim, muitos residentes negros estão ausentes, sugerindo uma mudança demográfica e cultural em perspectiva para uma cidade que agora tem uma quantidade de brancos superior a dos negros, pela primeira vez em décadas.

O governo da cidade não tem dinheiro, mas diversos restaurantes elegantes ficaram lotados no Valentine's Day, em 14/02, o Dia dos namorados nos Estados Unidos. Praticamente metade dos semáforos nas esquinas da cidade permanecem quebrados, mas quem trabalha ao longo da Magazine Street controla o trânsito que vem aumentando na Uptown (parte alta da cidade).

Esta é a Nova Orleans no carnaval --um lugar onde o caminho do desfile rumo ao futuro permanece extremamente incerto. A partir deste sábado, na cidade ainda duramente atingida, os carros alegóricos destinados a despertar alegria deverão contrastar com a tristeza dominante Jean-Yves de Neufville

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