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17/02/2006

Sr. vice-presidente, é hora de voltar para casa

The New York Times
Bob Herbert

Em Nova York
NYT Image

Bob Herbert é colunista
É hora de Dick Cheney renunciar --pelo bem do país e pelo bem do governo Bush. Sua conduta desajeitada na fazenda elegante de Armstrong, no sul do Texas, pareceu hilariante a princípio. Mas quando soubemos que Harry Whittington tinha sofrido um ataque cardíaco depois de ser baleado pelo vice-presidente em um acidente de caça, fez-se necessária uma avaliação mais sóbria do fiasco na fazenda e, inevitavelmente, do comportamento controverso e até bizarro do vice-presidente.

Há uma razão por que Dick Cheney é obsessivo em evitar a imprensa. Seu currículo não é do tipo que você guarda para avaliar melhor.

Mais do que qualquer outro, ele foi fanático em aumentar e distorcer os dados de inteligência que nos fizeram mergulhar no evidente atoleiro do Iraque. Ele insistiu que Saddam Hussein tinha armas químicas e biológicas e estava quente na trilha de bombas atômicas. Ele martelou a sugestão falsa de que o Iraque estava, de alguma forma, ligado à Al Qaeda. E espalhou o boato de que a guerra que tanto queria seria um passeio no parque.

"Realmente acredito", disse a Tim Russert, "que seremos recebidos como libertadores".

Bem, ele conseguiu sua guerra. E enquanto os bravos jovens soldados e Marines viajam pelo Iraque em carros vergonhosamente vulneráveis, fugindo dos tiros, bombas e mecanismos explosivos improvisados, Cheney (medalha de ouro em dispensa de serviço militar em época de guerra) sentiu-se perfeitamente confortável empacotando sua rebuscada espingarda Perazzi de calibre 28 e partindo para o Texas com um bando de tubarões gordos para atirar em codornas.

Tudo foi pelos ares quando, em vez disso, atirou em Whittington.

Foi nesse momento que a lenda do vice-presidente durão, águia que não faz prisioneiros, começou a assumir uma imagem pouco heróica de um incompetente total, imprudente que confundiu seu amigo com um pássaro.

Essa história não vai desaparecer. Harry Whittington é a Mônica de Dick Cheney. Quando Whittington morrer (daqui a muitos anos, espera-se, e de causas naturais) será lembrado como o companheiro de caça que levou um tiro do vice-presidente dos EUA. Essa história vai colar em Cheney como Super Bonder, e isso é má notícia para o governo Bush.

O tiro e o subseqüente comportamento arrogante de Cheney se encaixam perfeitamente com o estereótipo dele como figura poderosa mas perigosa, considerada por muitos como uma força negativa no governo. Ele nem tenta fingir transparência em sua vida pública ou privada. Esse é o homem que foi até a Suprema Corte em sua luta para manter suas reuniões na Casa Branca com os chefões da indústria de energia tão secretas quanto o Projeto Manhattan. (Ao longo do caminho, ele foi caçar patos em um campo privado de Lousiana acompanhado do juiz Antonin Scalia).

Esse também é o homem cujo assessor mais próximo, Lewis "Scooter" Libby, foi indiciado por perjúrio e obstrução de justiça como resultado da investigação sobre a revelação da identidade da agente secreta da CIA, Valerie Wilson.

Cheney é arrogante, presunçoso e às vezes estupidamente vulgar. Certa vez disse ao senador Patrick Leahy para fazer um ato obsceno consigo mesmo.

Cheney, que hoje se tornou objeto de piadas, não pode de forma alguma ser considerado um bem à nação ou ao presidente. É um vice que insiste em escrever suas próprias regras, que dá de ombros diante da idéia de transparência no governo e cujo discernimento em questões políticas cruciais foi mais fora do alvo (e com resultados infinitamente mais trágicos) do que suas ações no Texas no final de semana.

O governo Bush beneficiar-se-ia de novas idéias e perspectivas em questões como a guerra do Iraque, a ameaça potencial do Irã, o preparo do país para lidar com outro ataque terrorista, o desenvolvimento de uma política de energia ampla e outras questões importantes.

O índice de aprovação do presidente Bush caiu abaixo de 40% em pesquisas recentes. Até os republicanos estão criticando abertamente a conduta do governo na guerra, a resposta ao furacão Katrina e outros fracassos e desastres variados.

Dick Cheney é um lembrete constante das coisas que a Casa Branca mais gostaria de esquecer: as ameaças, os erros de inteligência, a incapacidade de pacificar o Iraque, o mal uso de informações sigilosas e a incompetência assustadora que parece se espalhar pelo governo.

Cheney faria um favor a este país e seu presidente fechando as malas e voltando ao Wyoming. Ele se tornou uma piada, mas nada engraçada. Dick Cheney --que confundiu um colega com uma codorna ao caçar no Texas-- é arrogante, presunçoso e às vezes estupidamente vulgar Deborah Weinberg

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