UOL Notícias Internacional
 

18/02/2006

Aumenta a concorrência no turismo espacial

The New York Times
John Schwartz

Em Nova York
Agora é uma corrida espacial.

O setor de turismo espacial, com seus candidatos a passageiros milionários batucando impacientemente em seus cartões de crédito platinum, acabou de ficar um pouco mais lotado, com os anúncios de uma nova empresa de desenvolvimento de foguete e planos para a construção de um espaçoporto de US$ 265 milhões nos Emirados Árabes Unidos.

Space Adventures Ltd./The New York Times 
Projeto do "espaçoporto" de US$ 265 mi a ser construído nos Emirados Árabes Unidos
Três empreendedores de telecomunicações do Texas se juntaram à Space Adventures Ltd., a empresa que enviou os primeiros passageiros pagantes à Estação Espacial Internacional, para o desenvolvimento da primeira espaçonave de passageiros para vôos suborbitais.

Os veículos serão projetados por uma empresa russa e as primeiras naves poderão ficar prontas antes de 2008, disse um dos empreendedores, Hamid Ansari, que juntamente com sua esposa, Ansousheh, e o irmão, Amir, ajudaram a financiar a competição Ansari X Prize --que resultou no primeiro vôo privado ao limite do espaço em 2004.

E a Space Adventures anunciou nesta sexta-feira (17/02) que construirá o espaçoporto no emirado de Ras al Khaimah, com um investimento inicial de US$ 30 milhões de seu governo. Eric Anderson, presidente e executivo-chefe da Space Adventures, disse que Cingapura anunciará em breve seus próprios planos de espaçoporto.

Estes e outros recentes desdobramentos aumentam a probabilidade de, em poucos anos, não-astronautas com capacidade para pagar uma passagem de seis dígitos terem a chance de desfrutar de alguns poucos minutos de ausência de peso e céu escuro.

"Parece que há muitas pessoas com dinheiro à vontade para as quais esta é uma perspectiva atraente", disse John Logsdon, diretor do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington. "Há pessoas que desejam experiências radicais não prontamente disponíveis e que estão disposta a pagar por elas."

Ele comparou a experiência a um "bungee jump ao contrário".

Anderson, da Space Adventures, disse que os anúncios representaram um grande momento para o setor.

Traçando um paralelo ao setor de aviação comercial, Anderson disse: "Nós estamos criando a 'Boeing' para construção e produção destas espaçonaves".

O prazo de entrega de 2008, se cumprido, poderá colocar a empresa de Ansari, a Prodea, à frente dos esforços bastante divulgados esforços de sir Richard Branson de enviar passageiros pagantes ao espaço por sua empresa, a Virgin Galactic, em naves criadas por Burt Rutan, o projetista da SpaceShipOne, a pequena nave que ganhou o X Prize de US$ 10 milhões.

O novo empreendimento está sendo anunciado em um momento agitado para o recém-nascido setor do turismo espacial. Nesta semana, o legislativo do Novo México autorizou uma verba de US$ 100 milhões ao longo dos próximos três anos para a construção de um espaçoporto perto de Las Cruces. O Estado se tornará a sede mundial da Virgin Galactic de Branson, assim como lar da copa anual X Prize, um evento anual de foguetes que começará em outubro deste ano, com corridas de aeronaves movidas a foguetes, que foi rotulada de Liga de Corrida de Foguetes.

Uma concorrência entre a Virgin e o novo esforço será saudável, disse Ansari, porque "o principal motivo para o sucesso é a concorrência". Os parceiros russos, ele disse, são conhecidos por projetos simples, confiáveis e econômicos: "Eles sabem que quanto mais coisas você tiver lá, maior o potencial para coisas saírem errado".

Um vôo suborbital, como os primeiros vôos espaciais Mercury dos Estados Unidos nos anos 60, atingirão mais de 105 quilômetros acima da superfície do planeta e retornarão em uma rota parabólica. As energias exigidas para alcançar tal órbita e os riscos de reentrada na atmosfera representam desafios técnicos imensos.

O primeiro veículo financiado privativamente para enviar uma pessoa além do limite do espaço foi o SpaceShipOne, projetado por Burt Rutan e pago por Paul Allen, o co-fundador da Microsoft. Após a nave ter feito três vôos bem-sucedidos, Branson contratou Rutan para desenvolver uma SpaceShipTwo maior para a Virgin Galactic.

Mas restrições federais de exportação de tecnologia podem impedir que a espaçonave projetada por Rutan seja usada fora dos Estados Unidos. E isto cria uma oportunidade para a nave projetada pelos russos, disse o dr. Peter Diamandis, fundador da fundação X Prize e um criador de vários negócios ligados ao espaço, para o qual a concorrência é um sinal do surgimento de uma indústria real.

"Eu acho que estamos entrando em uma nova era de vôo espacial pessoal", disse ele. "A concorrência leva a um aumento da confiabilidade e a uma queda dos preços."

Will Whitehorn, o presidente da Virgin Galactic, disse que 157 pessoas já realizaram depósitos totalizando US$ 12,2 milhões para voar na nave de Rutan, cujos vôos testes devem ser realizados no final do próximo ano e poderá já estar voando comercialmente no final de 2008.

Ele disse estar confiante de que os esforços de sua empresa serão bem-sucedidos apesar da nova concorrência e quaisquer possíveis restrições à venda dos veículos fora dos Estados Unidos.

"O melhor local para iniciar um negócio como este é nos Estados Unidos porque é onde se encontram três quartos dos clientes no momento", disse ele.

Sobre seus novos concorrentes, ele disse, "eu lhes desejo boa sorte". Nova empresa anuncia construção de "espaçoporto" de US$ 265 mi George El Khouri Andolfato

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