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20/02/2006

Uma carreira perdida volta para o "bairro"

The New York Times
Lewis Beale
Em 1997, Cuba Gooding Jr., que ainda não tinha 30 anos, já tinha tudo que o show business podia oferecer. Os críticos o adoravam. Colegas votaram nele para o Oscar por seu papel como o exuberante jogador de futebol Rod Tidwell, em "Jerry Maguire". E o respeito que por sua atuação anterior como o adolescente complicado Tre Styles em "Os Donos da Rua" perdurava.

Que a carreira de Gooding desde então se tornou um desastre não é novidade. Na última década, ele demitiu vários agentes, ficou sem representação por quase um ano e estrelou uma série de projetos duvidosos que geralmente foram metralhados pelos críticos. Sua fama caiu tão fundo que em certa altura, um site satírico divulgou a manchete: "Academia exige que cuba Gooding Jr. devolva seu Oscar".

Divulgação/Matthew Cazier 
Cuba Gooding Jr. em cena do filme "Homens de Honra"

"Os estúdios não me vêem agora", disse Gooding ao telefone de Los Angeles, onde está gravando seu mais recente filme "What Love Is", uma comédia romântica independente na qual contracena com Anne Heche e Sean Astin.

"Como entidade comercial, sei que minhas ações estão em baixa", acrescentou o ator, que hoje tem 38 anos. Lembrando seus bons tempos, Gooding disse: "Eu estava onde Don Cheadle está hoje, onde Terrence Howard está. Eu era esses caras três ou quatro anos atrás."

Ultimamente, porém, a volta de Gooding ao mundo do cinema de baixo orçamento está começando a parecer uma reinvenção um pouco mais honesta e menos puro desespero. Em "Dirty", que estréia no dia 24 de fevereiro, Gooding faz o papel de um policial cruelmente corrupto em Los Angeles. A revista Variety chamou sua atuação de "a tônica certa para um ator que passou por excessivos papéis de bonzinho desde 'Jerry Maguire'". Na primavera, Gooding também será visto em "Shadowboxer" como um assassino estóico cuja parceira, interpretada por Helen Mirren também é sua amante.

Lee Daniels, que dirigiu "Shadowboxer" e produziu o vencedor de Oscar "A Última Ceia" (que ajudou a impulsionar a carreira de Halle Berry) disse que acreditava que a queda de Gooding tinha se originado em seu discurso de aceitação do Oscar. Gooding passou 30 segundos quicando satisfeito pelo palco, gritando obrigado a todos em Hollywood, antes de ser cortado pela orquestra.

"Ele deu uma de Stepin Fecthit", disse Daniels. "Muitos negros ficaram irritados. O que aconteceu foi que, depois daquilo, ele perdeu o respeito do pessoal de 'Os Donos da Rua'. E, como empresário, ficou sem dinheiro. Como ator negro, você tem que tomar cuidado, e ele escolheu ir atrás do dinheiro e não da arte."

Peter Harry Brown, autor de "The Real Oscar" (o verdadeiro Oscar), disse que a eclipse de Gooding também era uma função da temida praga do Oscar, que afligiu vários vencedores do Oscar.

"Você ganha um Oscar, faz mais um bom filme, depois um monte de filmes medíocres", explicou Brown. "Ele recebeu essas ofertas e as aceitou porque era o cara mais quente do momento." Gooding e seus agentes então olharam para todos esses filmes e viram que eram um monte de porcarias, acrescentou.

Depois de participar no sucesso de crítica e bilheteria "Melhor é Impossível", Gooding rapidamente pareceu adotar o mantra de Rod Tidwell "Mostre-me a grana!". Ele estrelou em farsas furiosas ("Tá todo mundo louco! - Uma corrida por milhõe$", "Neve pra Cachorro"), fantasias exageradas ("Amor Além da Vida"), aventuras fracas ("Suando Frio") e filmes presunçosos que no fundo servem para fazer a pessoa se sentir bem ("Meu Nome é Rádio" e "Homens de Honra"). Alguns desses tiveram bom resultado de bilheteria ("Neve pra Cachorro" arrecadou mais de US$ 80 milhões, em torno de R$ 160 milhões), mas em geral foram eviscerados pelos críticos.

"Acho que Cuba queria fazer os personagens. Apesar do roteiro não ser dos melhores, ou o projeto não ser de bom nível, ele ainda acreditava nos papéis", disse Chris Fischer, diretor de "Dirty".

O nadir aconteceu em 2002, com "Cruzeiro das Loucas", no qual Gooding fez o papel de um heterossexual que vai parar em um cruzeiro só para gays. Elvis Mitchell, em sua crítica ao New York Times referiu-se ao filme como o mais recente "projeto 'Dê a Cuba Gooding Jr. rápida assessoria de carreira'".

Lembrando-se dos projetos, Gooding disse: "Achei que as pessoas queriam que eu as fizesse rir. Mas estava errado de muitas formas. Tentei pegar toda minha energia e exuberância levar para a comédia, e aí sou terrível. E também foi pelo dinheiro. Quando entrei em 'Cruzeiro das Loucas' achei que era hora de fazer alguma coisa que me tornasse um ator de US$ 20 milhões" (em torno de R$ 40 milhões).

Gooding admitiu que por muito tempo foi levado por um número de fatores: tentar "competir com Will Smith"; fazer uma carreira de humorista e não de ator; e ser "um ator negro para um público branco".

Ele alegou que seus problemas com as agências --ele passou pela Paradigm, William Morris, International Creative Management, Endeavor, United Talent e várias vezes a Creative Artists, onde está hoje-- veio de mentirem para ele sobre os projetos. Em alguns casos, ele assinou com uma agência e depois sua pasta foi entregue a um profissional iniciante, disse ele.

"É difícil tomar decisões quando você sente que não está tirando o suficiente da relação e você tem que sair", disse ele. "Foi assim que me senti depois do Oscar, que não estava recebendo o que estava vindo para mim. Eu tive que fazer decisões sobre o que eu achava que Cuba Gooding merecia. Se sentisse que estavam mentindo, mudava."

A atual aposta de Gooding para renovar sua carreira não é nova em Hollywood. O mais recente exemplo foi de Charlize Theron, que transformou-se de uma menina de glamour em atriz séria (e vencedora de Oscar) quando aceitou fazer o filme de baixo orçamento "Monster - Desejo Assassino".

Howard Bragman, publicitário antigo que trabalhou com Cameron Diaz, Whoopi Goldberg e outros, mas não representa Gooding, disse que sentia que o ator finalmente poderia pegar a direção certa. "Se um batedor começa a errar, ele não deve tentar um home run", disse ele. "Deve tentar jogadas simples. Você tem que montar sua credibilidade, voltar aos fundamentos." Daniels, que chama Gooding de "um ator brilhante", acha que questões de raça tiveram um papel na queda do ator. "É muito difícil para qualquer pessoa de cor manter uma carreira nesse ramo", disse ele.

No entanto, Daniels disse que sentia que o sucesso renovado estava apenas a um passo para Gooding. "Ele está semeando agora, fazendo esses filmes independentes", disse o diretor. "Apenas rezo para que, se algum desses filmes fizer sucesso, ele não desça pelo caminho de 'mostre-me a grana', porque isso pode ser muito destrutivo." Cuba Gooding Jr. está de volta ao mundo do cinema de baixo custo Deborah Weinberg

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