UOL Notícias Internacional
 

22/02/2006

Hong Kong barra a construção do que seria um dos maiores centros culturais do mundo

The New York Times
Keith Bradsher

Em Hong Kong
O governo de Hong Kong suspendeu nesta terça-feira (21/02) o projeto de construir um dos maiores centros culturais do mundo, depois que incorporadores recusaram-se a participar porque as exigências financeiras tinham se tornado onerosas demais. A decisão foi um golpe para vários museus importantes. O Centro Georges Pompidou em Paris, a Fundação Solomon R. Guggenheim e o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) vinham lutando pelo direito de administrar museus no centro cultural, que seria muitas vezes maior que o Lincoln Center.

Foster and Partners/The New York Times 
Maquete eletrônica do "Grand Canopy", o enorme e caríssimo centro cultural planejado para Hong Kong
O Centro Pompidou tinha persuadido o presidente da França, Jacques Chirac, a visitar Hong Kong em outubro de 2004 para defender sua proposta, enquanto Thomas Krens, diretor da Fundação Guggenheim tinha descrito publicamente a iniciativa como a "oportunidade mais excitante do mundo, por sua escala e localização".

O plano, porém, estava mergulhado em controvérsias há mais de um ano. Artistas locais diziam que as instituições culturais ocidentais estavam tendo um papel grande demais, enquanto populistas denunciaram versões anteriores do projeto como generosas demais com os incorporadores.

Em outubro, as objeções levaram o governo a exigir que o principal incorporador não só erguesse os museus, mas também criasse um fundo de US$ 3,87 bilhões (em torno de R$ 8,1 bilhões) para cobrir seus custos operacionais e atividades culturais nos próximos 30 anos. Em troca, poderia construir prédios de escritórios, hotéis e apartamentos.

A exigência levou os incorporadores a retirarem seu apoio ao projeto nas últimas três semanas. O secretário Rafael Hui, segunda maior autoridade local, disse que ia chefiar um novo comitê para estudar uma forma de Hong Kong ainda construir um bairro cultural na localidade escolhida pelo governo, em Kowloon do Oeste, uma península de 420.000 metros quadrados no coração do famoso porto de Hong Kong.

Hui disse em conferência com a imprensa que o governo estava retirando seu apoio a propostas depois que os incorporadores se recusaram a submeter pedidos cumprindo os novos requerimentos. O governo também vai desistir de sua insistência que grande parte da península seja coberta com uma abóbada elaborada, projetada por Norman Foster. A abóbada tinha sido prevista como símbolo de Hong Kong, como a Ópera de Sidney é um símbolo da cidade portuária igualmente famosa da Austrália.

Hui lembrou de um provérbio chinês tradicional, que diz que durante uma viagem algumas vezes é necessário parar para organizar as bagagens e voltar a montar o cavalo. Ele insistiu que não tinha desistido do projeto e que seu novo comitê voltaria a se pronunciar em setembro.

"Não estamos voltando à estaca zero", disse ele. "O plano geral e as principais construções continuam tendo forte apoio."

Mas Abraham Shek, membro do Conselho Legislativo diretamente eleito pelos interesses imobiliários da cidade, disse que a retirada do governo colocou em questão a construção do distrito cultural na península. Ele acusou o governo de ter estabelecido um preço alto demais pelas terras em resposta aos protestos públicos do ano passado.

Donald Tsang, predecessor de Hui como secretário e hoje líder de Hong Kong como executivo, advertiu em entrevista em dezembro de 2004 que se o plano original não fosse adotado seria preciso um longo tempo antes de outro obter apoio amplo.

"Vai requerer uma nova geração de políticos, uma nova geração de artistas e talvez uma nova geração de pessoas para ver a idéia sob uma nova luz", disse ele.

Quase dois anos atrás, o governo promoveu um projeto pedindo que um único incorporador construísse quatro grandes museus e vários espaços abertos e fechados para todo tipo de apresentações, desde concertos de rock até óperas, em troca da permissão de construir prédios comerciais e residenciais em outras partes da península. O incorporador teria que construir os museus e outros centros culturais e cobrir todos seus custos de operação dos próximos 30 anos, mas não pagaria pelas terras.

Diante das críticas populistas que o projeto era um presente para os incorporadores e que apenas os mais ricos poderiam entrar na concorrência, o governo reviu as regras em outubro. Então passou a dar ao principal incorporador permissão para construir apenas metade dos prédios comerciais e residenciais na península, enquanto outros poderiam solicitar o resto.

Mas o principal incorporador ainda assim teria que erguer os museus e áreas para apresentações e montar um fundo para cobrir os custos de operação.

As mudanças no projeto associadas a um leve esfriamento do mercado imobiliário local no inverno provaram-se inaceitáveis aos três grupos de incorporadores que tinham submetido propostas no final de 2004 sob as regras originais.

Bruno Racine, presidente do Centro Pompidou, disse na terça-feira que sua instituição estava esperando a confirmação oficial de Hong Kong, mas que ainda assim queria participar do projeto de Hong Kong e discutiria o mais recente desdobramento com o Guggenheim. Orçamento de US$ 3,87 bi para o enorme museu espanta empresas Deborah Weinberg

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