UOL Notícias Internacional
 

23/02/2006

Governo Bush diz que cessão de portos a país árabe não ameaça segurança nacional

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Carl Hulse

Em Washington
A administração Bush decidiu no mês passado que o negócio visando a ceder o controle das operações de uma série de portos americanos importantes para uma companhia árabe sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, não tinha qualquer relação com a segurança nacional e, como tal, não requeria análises maiores e mais demoradas, podendo ser aprovado, declararam nesta quarta-feira (22/02) funcionários da gestão.

Marko Georgiev/The New York Times - 20.fev.2003 
Contêineres e guindastes do porto de Newark, um dos maiores dos EUA e alvo de Dubai

Com esta autorização, os portos de Nova York, Nova Jersey, Filadélfia, Baltimore, Miami e Nova Orleans serão controlados pela Dubai Ports World (DP World), a qual comprou a companhia britânica P&O Ferries, até então responsável do controle das operações daqueles portos.

A decisão foi tomada por um comitê inter-agências presidido pelo deputado e secretário do Tesouro Robert M. Kimmitt. O grupo incluiu funcionários de 12 departamentos e agências, entre os quais os departamentos da Defesa, da Justiça, de Estado e da Segurança do território, assim como do Conselho de Segurança Nacional e do Conselho Econômico Nacional.

Numa entrevista por telefone que ele concedeu a The New York Times na quarta-feira, Kimmitt afirmou que a companhia em questão, a Dubai Ports World, havia sido investigada exaustivamente pela administração, inclusive pelas agências de inteligência, e que em 17 de janeiro, os membros do comitê aprovaram a transferência por unanimidade.

"Nenhum deles contestou a operação em função de motivos relacionados à segurança nacional", disse.

Kimmitt fez esses comentários em meio a um clima de furor político em torno do caso dos portos que tomou conta de Washington, onde muitos republicanos, no Congresso, permaneciam em rebelião aberta contra o presidente Bush, enquanto a Casa Branca passou o dia tentando acalmar os ânimos e domar a rebelião.

Qualquer objeção por parte de qualquer um dos membros do Comitê inter-agências teria dado início, conforme manda a lei, a um exame adicional da transação por um período de 45 dias. Ora, governadores e membros do Congresso vinham exercendo pressão para que este novo exame seja realizado. Mas Bush e seus principais assessores impuseram uma resistência ferrenha a essas tentativas.

"Se houvesse um risco qualquer de esta venda colocar em perigo a segurança dos Estados Unidos, ela não ocorreria", disse o presidente nesta terça-feira.

Até mesmo antes que a transferência se tornasse de conhecimento público, os membros do comitê encarregados de controlar os investimentos estrangeiros nos Estados Unidos haviam sido objetos de fortes críticas por não se mostrarem "sensíveis" o suficiente em relação aos imperativos de segurança nacional.

Em setembro, o Escritório de Responsabilidade Governamental (Government Accountability Office), um braço investigativo do Congresso, afirmou que o Departamento do Tesouro, na qualidade de líder do Comitê inter-agências que analisa tais transações, havia utilizado uma definição excessivamente estreita do que são as ameaças à segurança nacional, isso por querer incentivar os investimentos estrangeiros.

O departamento rebateu essas avaliações, afirmando que o comitê havia se baseado numa definição adequada de segurança nacional e que essa decisão havia sido tomada por consenso pelas diferentes agências que examinaram a questão, baseando-se, cada uma, em aspectos específicos.

O diretor de operações da Dubai Ports World, Edward H. Bilkey, explicou que ele participou de um grupo de executivos que se reuniram com o comitê dirigido por Kimmitt em dezembro e que houve desde então uma série de outras reuniões antes que a decisão seja tomada.

"Não existe qualquer problema grave nesta transação, nenhum bicho de sete cabeças", disse Bilkey numa entrevista. "Nós atendemos às exigências que haviam sido impostas, e não houve problema algum". Empresa estatal de Dubai adquiriu controle de 6 terminais marítimos Jean-Yves de Neufville

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