UOL Notícias Internacional
 

23/02/2006

Irã promete verba ao governo palestino do Hamas

The New York Times
Steven Erlanger

Em Jerusalém
Uma alta autoridade iraniana prometeu nesta quarta-feira (22/02) dar apoio financeiro à Autoridade Palestina controlada pelo Hamas, que está com dificuldades orçamentárias e enfrenta a possibilidade de mais cortes de verbas assistenciais.

"Definitivamente vamos ajudar esse governo financeiramente, para que resista à crueldade americana", disse Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Nacional de Segurança do Irã, referindo-se à Autoridade Palestina. Ele falou em Teerã depois de reunir-se com o líder político do Hamas Khaled Meshal, mas não deu detalhes ou números sobre o tipo ou nível de apoio que o Irã, rico em petróleo, fornecerá.

Israel já suspendeu o repasse de US$ 50 milhões (em torno de R$ 105 milhões) por mês em impostos e tarifas alfandegárias coletadas para a Autoridade Palestina, deixando-a com um déficit mensal no orçamento de US$ 110 milhões (em torno de R$ 230 milhões). Os EUA e Israel alegam que o Irã já ajuda a financiar o Hamas, apesar de os iranianos negarem.

Israel respondeu dizendo que teria o "direito de usar todos meios legais" para bloquear o fluxo de dinheiro iraniano para a "liderança terrorista" da Autoridade Palestina.

Os EUA e outros membros do quarteto que tenta promover negociações de paz entre Israel e os Palestinos --União Européia, Rússia e ONU-- exigiram que o Hamas reconheça o direito de Israel existir, desista da violência e aceite acordos anteriores entre israelenses e palestinos. De outra forma, terá que enfrentar o isolamento e profundas reduções em apoio orçamentário, com financiamento apenas para grupos humanitários que não beneficiem a Autoridade Palestina.

O quarteto, porém, concordou em financiar uma autoridade palestina "provisória" até que o Hamas forme um governo, o que pode demorar semanas. A União Européia e a ONU estão falando em estudar o programa de governo do Hamas antes de cortar as verbas.

Meshal fez uma excursão por países muçulmanos para pedir ajuda financeira para os palestinos. Na segunda-feira, o líder religioso supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, exortou os países muçulmanos a darem à Autoridade Palestina patrocínio anual como meio de união espiritual.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que pediu que Israel fosse varrido do mapa, sugeriu na segunda-feira após o encontro com Meshal que o Irã dará fundos consideráveis. "Como os tesouros divinos são infinitos, você não deve se preocupar com questões econômicas", disse a Meshal, segundo a agência de notícia Irna.

Mark Regev, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, disse que Israel ia tentar impedir que o dinheiro iraniano alcançasse a Autoridade Palestina.

"Temos o direito de usar todos os meios legais para impedir que esse dinheiro chegue aos terroristas", disse Regev. Ele disse que os novos líderes palestinos "têm que decidir se querem fazer parte da comunidade internacional legítima ou se querem, por suas ações, alinharem-se com párias internacionais."

No Cairo, Egito, na quarta-feira, o líder do Partido do Trabalho de Israel, Amir Peretz, pediu aos muçulmanos que compreendam que seu país não pode negociar com o Hamas. "É uma posição moral clara. Não podemos reconhecer um partido que pede a destruição de Israel", disse aos repórteres depois de se reunir com Mubarak.

Larijani acusou os EUA de hipocrisia, na quarta-feira: "Os EUA mostram que não estão querendo democracia na região quando cortam ajuda financeira à Palestina" mesmo depois de o "Hamas ter sido eleito por voto popular".

De fato, os EUA ainda não suspenderam sua ajuda, mas anunciaram uma revisão da mesma, exigindo que a Autoridade Palestina devolva US$ 50 milhões dados a ela no ano passado para investimentos em infra-estrutura que não foram feitos depois que Israel saiu de Gaza. Os palestinos usaram quase tudo, exceto US$ 400.000 (em torno de R$ 840.000), como garantia para empréstimos para pagar salários, dizem autoridades palestinas.

Na Cidade de Gaza, líderes do Hamas conduziram negociações na quarta-feira com a facção derrotada Fatah, que disse que ia continuar procurando um "terreno comum" com o Hamas e assumir alguns cargos no novo governo. A Fatah disse que continuaria na oposição, mas Azzam Al Ahmad, líder da base parlamentar da facção, disse: "O diálogo acabou de começar. Queremos encontrar terreno comum e esperamos selar um acordo."

No entanto, a Fatah está insistindo que o Hamas aceite o programa de negociações de Abbas com Israel e ofereça apenas resistência pacífica à ocupação israelense.

Mahmoud Zahar, líder da facção do Hamas no parlamento, disse: "Há uma intenção de todas as facções de participar no próximo governo, inclusive dos irmãos na Fatah." Fundo compensa bloqueio de repasse mensal de R$ 50 mi de Israel Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host