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23/02/2006

Republicanos para Bush: Você está louco!

The New York Times
Maureen Dowd

Em Washington
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
É o suficiente para provocar saudade daqueles rudes estivadores de "Sindicato de Ladrões", aqueles penduravam ratos em ganchos e tiraram a chance de Marlon Brando ser um concorrente.

Talvez seja racismo corporativista, mas eu não quero que companhias estrangeiras, especialmente as ligadas aos atentados de 11 de Setembro, administrem portos americanos.

Que tipo de império somos nós se temos de terceirizar nosso litoral para um grupo de xeques que não reconhecem Israel, de um país onde se lavou o dinheiro para os atentados de 11 de Setembro? E que deixou o cientista nuclear paquistanês A.Q. Khan contrabandear componentes nucleares através de seu porto para a Líbia, Coréia do Norte e o Irã?

Causa estupefação que o presidente Bush tenha aceitado que uma aliança de sete emires assuma o controle de seis de nossos portos. Mas, como de costume, George Distraído nem sequer sabia disso até que se tornou fato consumado. (Nem Rummy, embora ele seja o chefe de um dos órgãos que deu luz verde para o acordo.)

É o mesmo velho padrão: uma decisão de segurança nacional estúpida e contraproducente é tomada em segredo, explodindo as verbas e balanços, e o presidente está por fora.

W. estaria ocupado demais para não ligar para Dick Cheney para saber por que ele atirou num cara [num acidente de caça], para não se envolver em uma decisão crítica sobre a segurança dos EUA? O que ele está esperando --um informativo presidencial diário advertindo: "Bin Laden está decidido a atacar portos americanos"?

Nossos portos já são quase nus em termos de segurança. Somente uma fração dos contêineres que entram no país é verificada. E quando a Casa Branca nos garante que o Departamento de Segurança Interna vai supervisionar a segurança nos portos, isso deveria nos fazer dormir melhor? Não depois do imbecil espetáculo Chertoff-Brownie no Capitólio.

"Nossas fronteiras estão escancaradas", disse Jan Gadiel, da organização Famílias do 11/9 para uma América Segura. "Não sabemos quem está em nosso país neste momento, não temos a menor pista. E agora eles estão dando nossos portos de presente." A rotina do "confiem em nós" de W. e Cheney está desgastada.

Quanto mais W. advertiu que vetaria a legislação contra esse acordo, mais legisladores deram entrevistas coletivas contra ele --até os conservadores que realmente apoiaram W. sobre o Iraque, o Ato Patriótico, a tortura e os grampos sem mandado judicial.

Bush está sendo vítima de seu próprio veneno. Durante quatro anos a Casa Branca acusou qualquer um do Congresso ou da imprensa que defendesse as liberdades civis ou questionasse a guerra do Iraque de ser brando contra o terrorismo. Hoje, enquanto o Congresso e a imprensa devolvem a acusação à Casa Branca, Bush parece mistificado pela orgia xenófoba.

Os congressistas, muitos deles candidatos à reeleição, aprenderam bem com Karl Rove. Jogar a carta do terror funciona.

Um Bush irritado disse na terça-feira que fechar o acordo enviaria "um ótimo sinal" para um aliado valioso. Ele comparou os "Grandes Britânicos" com os Emirados Árabes Unidos. Bem, só se for a Grã-Bretanha do século 12.

Além disso, a população americana pode ser perdoada por estar confusa sobre o que significa no mundo árabe ser aliado dos EUA. É um país que nos ajuda às vezes, mas também nos vicia em petróleo e depois aumenta o preço, se recusa a reconhecer Israel, nega direitos básicos às mulheres, tolera religiosos radicais antiamericanos, olha para o outro lado quando seus cidadãos queimam embaixadas e consulados por causa de charges e muitas vezes se fazem de sonsos sobre caçar os terroristas que há entre eles?

Em guerras passadas, os EUA tiveram países específicos para demonizar. Mas hoje na "guerra global ao terrorismo" --GWOT [global war on terrorism], como eles a chamam-- o inimigo é uma vantagem sem face que o governo usa sempre que quer ganhar uma batalha política. Quando algo como isto acontece, não admira que o público faça seu próprio transplante de face.

Um dos problemas reais aqui é que este governo acumulou déficits comerciais e orçamentários tão enormes que estamos penhorados aos árabes e chineses em centenas de bilhões de dólares. Se eles simplesmente convertessem seus títulos em dinheiro, seriam donos de nossos portos e não precisariam alugá-los.

Só porque os estrangeiros ricos que possuem nossa dívida podem nos chantagear com sua vantagem econômica, quer dizer que também devemos expor a eles nosso patrimônio de segurança?

Como parte da defesa lunática da Casa Branca, Dan Bartlett alegou que "pessoas estão tentando colocar cunhas e transformar isto numa questão política". Mas, como indicou o editor Peter Beinart, de "The New Republic", numa coluna recente, W. fez da guerra ao terrorismo "uma enorme questão-cunha" para dividir o país.

Hoje, porém, o presidente nos uniu. Quase todos concordamos: tirem as mãos de nossos portos. Presidente quer ceder portos dos EUA para empresa ligada ao terror Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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