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24/02/2006

Descoberta de fóssil gera nova hipótese da ordem evolucionária do período jurássico

The New York Times
John Noble Wilford

Em Nova York
Na opinião convencional, os primeiros mamíferos eram pequenas criaturas primitivas, parecidas com o musaranho, que só começaram a explorar os ambientes variados do mundo depois que os dinossauros morreram, há 65 milhões de anos. No entanto, cientistas estão divulgando nesta sexta-feira (24/02) que descobriram fósseis de um mamífero que nadava e comia peixes e viveu na China há 164 milhões de anos. Ou seja, muito antes do que se pensava que mamíferos poderiam passar grande parte de suas vidas na água.

Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History/via NYT 
Descoberta de mamífero que nadava e comia peixes exige uma nova teoria da seqüência evolucionária
A espécie extinta parece ser um amálgama de animais. Tem um rabo amplo e escamoso, plano como de um castor. Seus dentes afiados parecem ideais para comer peixe, como de uma lontra. Seu estilo de vida provável --cavando túneis em terra e nadando cachorrinho na água-- lembra o dos ornitorrincos modernos.

Seu esqueleto sugere que tinha cerca de meio metro de comprimento, do focinho à ponta do rabo, o tamanho aproximado de um gato.

A descoberta surpreendente, feita em 2004 nos abundantes depósitos de fósseis na província de Liaoning, China, está sendo publicada na revista "Science" por uma equipe internacional liderada por Qiang Ji, da Universidade de Nanjing.

No artigo, Ji e outros pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Geológicas de Pequim e do Museu de História Natural de Carnegie, em Pittsburgh, afirmam que o esqueleto mostra que alguns mamíferos ocupavam nichos ecológicos mais diversos do que se suspeitava no período jurássico, dominado pelos dinossauros.

Thomas Martin, autoridade em mamíferos primitivos do Instituto de Pesquisa Senckenberg em Frankfurt, Alemanha, disse que a descoberta empurrou "a conquista das águas pelos mamíferos em mais de 100 milhões de anos" e "contradiz de forma impressionante" a visão convencional.

"Esse fóssil excitante", escreveu em um comentário que acompanha o artigo, "é mais uma peça no quebra-cabeça de uma série de descobertas recentes que demonstram que a diversidade e a história evolucionária dos mamíferos são muito mais complexas do que se percebia há menos de 10 anos."

Apesar da similaridade com alguns animais modernos, o mamífero jurássico não tem descendentes modernos e não está relacionado com nenhuma espécie existente. Os descobridores chamaram-no de Castorocauda lutrasimilis, que quer dizer rabo de castor e semelhança com a lontra.

Zhe-Xi Luo, um dos descobridores e curador de paleontologia vertebrada do museu Carnegie, disse que o espécime estava bem preservado, diferentemente de fragmentos de ossos e dentes da maior parte dos mamíferos encontrados dos tempos dos dinossauros.

O esqueleto é acompanhado de marcas de pêlo, escamas e membranas nos membros posteriores. Luo disse que o pêlo servia para afastar a água da pele do animal. Este é o mamífero conhecido mais primitivo preservado com cabelo, evidência de sua evolução antes do aparecimento de mamíferos mais complexos.

Os cientistas disseram que o rabo e os membros do espécime eram bem desenvolvidos para a vida aquática. Eles concluíram que, como o ornitorrinco, o Castorocauda nadava nos rios e lagos, comia animais aquáticos e insetos e construía ninhos em tocas. O animal tinha molares especializados para comer pequenos peixes e invertebrados aquáticos.

"Até agora, é o único mamífero semi-aquático do Jurássico", disse Luo.

O esqueleto foi encontrado por camponeses em Liaoning, província no nordeste da China que, nos últimos anos, produziu várias descobertas notáveis da diversidade mamífera.

O mamífero semi-aquático foi descoberto no mesmo campo montanhoso onde paleontólogos coletaram fósseis de dinossauros com penas e dois animais de 130 milhões de anos que não se encaixam na imagem primitiva de mamíferos do período.

Um deles tem o tamanho de um marsupial e tinha comido um pequeno dinossauro antes de morrer.

Jin Meng, do Museu de História Natural Americano em Manhattan, um dos descobridores dos primeiros fósseis de mamíferos de Liaonaing que não participou da mais recente descoberta, disse em entrevista telefônica que mais de uma dúzia de novos mamíferos encontrados na área recentemente constituem "verdadeira evidência da diversidade de estilos e comportamentos de mamíferos" na era dos dinossauros.

"Estamos encontrando (fósseis de) mamíferos que eram maiores que ratos ou camundongos, alguns que subiam em árvores e agora outros que podiam nadar", disse Meng.

Martin, especialista alemão, disse que o potencial desses depósitos ricos em fósseis na China "está apenas começando a ser explorado". Animal híbrido viveu muito antes do surgimento dos mamíferos Deborah Weinberg

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