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24/02/2006

Entre o mar e a montanha em tendas da Califórnia

The New York Times
Bonnie Tsui

Em Nova York
Antes de encomendar a obra exagerada que se tornou o Castelo Hearst, o magnata dos jornais William Randolph Hearst e sua família passavam suas férias no mesmo local na costa de Big Sur, na Califórnia, em alojamentos mais modestos --uma série de tendas. O esquema era rústico, mas com estilo: paredes de tecido listrado, piso de madeira, escrivaninhas, tapetes e até tendas separadas para entretenimento.

Peter DaSilva/The New York Times - 14.fev.2003 
Acomodações consistem em 16 yurts com vista para o Oceano Pacífico, na Califórnia

O acampamento de Hearst, naquele tempo em que esta região de San Simeon era conhecida como Camp Hill, foi um prenúncio das estruturas simples e elegantes do Treebones Resort, a cerca de 40 km pela costa acidentada.

Inaugurado há cerca de um ano, o hotel conta com 16 yurts que acompanham o topo das montanhas acima da Highway 1 e incorpora a beleza natural e o estilo de vida tranqüilo que há muito caracterizam Big Sur. Pouca coisa mudou no cenário desde os "acampamentos" de Hearst --programas costeiros e de conservação impediram o desenvolvimento desmedido da região.

Até hoje, é possível passar horas dirigindo pelas curvas traiçoeiras da estrada de duas pistas da Highway 1, entre as montanhas de Santa Lucia e a costa do Pacífico, sem que nada atrapalhe a vista. Além da Floresta Nacional de Los Padres, uma série de campos selvagens, parques estaduais e reservas ao longo da costa criam oportunidades de caminhadas; no inverno, não se vê ninguém, nem nas trilhas mais populares.

É uma parte extraordinária dos EUA que continua como Henry Miller descreveu-a em 1957 -um encontro de extremos, "uma região onde a pessoa está sempre consciente do tempo, espaço, da grandeza e do silêncio eloqüente".

Por causa das próprias restrições ao uso da terra que mantém bela a região de Big Sur, é difícil encontrar um lugar para se hospedar na região que fique entre um simples camping e um resort de luxo exclusivo. (A estadia no Post Ranch Inn sai por mais de US$ 525 por noite, ou cerca de R$ 1.100).

Peter DaSilva/The New York Times - 14.fev.2003 
Pôr-do-sol no Pacífico é um dos atrativos de Big Sur, que une turismo com preservação
John e Corinne Handy levaram 20 anos para conseguir as licenças e o capital para abrir o Treebones --o nome vem de um velho moinho local. O resultado é uma forma confortável de apreciar o mar maravilhoso e que não ofende a paisagem. Os yurts são estruturas circulares como tendas, similares às usadas pelos nômades da Ásia Central. Eles aqui são equipados com amenidades modernas, inclusive piso de pinho polido, portas francesas, lâmpadas de leitura, colchas coloridas, colchões de pluma e telhados com clarabóias para ver o sol durante o dia e as estrelas à noite.

O hotel tem seu próprio poço e tudo é movido a gás propano; o calor produzido no processo é usado para aquecer a água e alguns yurts. Vários têm lareiras a gás.

O chalé principal, a menos de um minuto da trilha de cascalho do yurt mais distante, tem um salão com sofás, lareira e mesas para jantar (O café da manhã com waffles está incluído; jantares de churrasco são extra). Há também um terraço externo, com piscina aquecida.

Os banheiros ficam no chalé principal --os yurts não têm banheiros privados, mas todos têm pia. É um pouco chato encontrar o caminho até o banheiro no meio da noite, mas com prática é uma boa desculpa para se apreciar o céu estrelado.

O inverno é tempo de admirar o cenário em todo seu drama, quando milhares de baleias cinza migram pelo Cabo St. Martin, ponto rochoso em que se situa o Treebones. Durante uma recente visita ao hotel, pedi um yurt com vista para o mar e fiquei no número 9. Era adjacente a um ponto chamado de Mirante das Baleias, com banco para sentar e tudo. Eu vi baleias -centenas de esguichos durante o dia.

Joyce Nichelini, que mora há muito tempo em Oakland, Califórnia estava em Big Sur com a filha, Joanie, que tinha vindo de Colorado. "Sua visita foi um motivo para virmos até aqui", disse Nichelini, 74, que lera sobre os yurts no jornal local. "Ela tem as Montanhas Rochosas, que são espetaculares, mas nada se compara a isso -o Pacífico, as vistas abertas. Ontem, vimos duas baleias passando bem aqui na frente dos yurts. Acho que isso realmente a faz sentir falta da Califórnia."

O inverno também é a melhor estação para ver os elefantes marinhos -ou talvez ouvi-los. "Trinta minutos ao sul, perto de San Simeon, é a melhor praia para ver os elefantes marinhos. Mas podemos ouvi-los a noite toda aqui. Tem um grupo deles logo acima do morro, que não dá para ver", disse Bill Brown, caseiro do Treebones.

Se você já ouviu os sons dos elefantes marinhos antes, sabe que são extremamente vocais e pouco melodiosos. Os enormes machos adultos gritam com seus focinhos, enquanto os bebês parecem cem Miss Piggys iradas gritando com o Caco. (As ondas e o vento soprando misturam tudo em um ronco, mas talvez você prefira trazer tampões de ouvido.)

Eu queria ver aqueles animais buzinando em toda sua glória. Então, no dia seguinte, dirigi os 40 km em ziguezague até Piedras Blancas, onde a praia que Brown descrevera pode ser observada da Highway 1. De dezembro a março, milhares de elefantes marinhos descansam em terra, quando procriam antes de voltarem ao mar. A organização sem fins lucrativos de San Simeon chamada Amigos dos Elefantes Marinhos ensina aos visitantes sobre os hábitos dos animais.

"As damas têm uma vida dura no harém", disse Greg Glaze, voluntário, apontando para um macho de duas toneladas cercado por uma dúzia de fêmeas, todas elas preguiçosamente abanando a areia para se protegerem do sol.

A 6 m de nós, dois filhotes minúsculos rebolavam para se aproximarem da mãe e se protegerem, enquanto a multidão se deleitava. "Não há lugar melhor no mundo para assistir a isso do que aqui", disse Glaze.

Quando o sol se põe em Big Sur, a atenção se volta do mar para o céu. Eu tinha ouvido falar que o Post Ranch Inn tinha sessões especiais de observação de estrelas no terraço externo -com astrônomos e telescópio moderno- então dirigi 50 km ao Norte de Treebones para participar.

A experiência foi excitante: sob a tutela de James Barrow, examinei os anéis de Saturno, identifiquei constelações e vi meteoros cruzarem o céu. Depois de observar a superfície vermelha de Marte, comi uma decadente refeição de quatro pratos no restaurante premiado do hotel, o Sierra Mar: uma procissão hedonista de moluscos embrulhados em salmão, sopa de pato com anis estrela, porco Niman Ranch e bolinhos de amêndoas com musse de marzipã. O jantar não foi barato: US$ 85 (em torno de R$ 200) por pessoa preço fixo, sem vinho.

No dia seguinte, com o sol da tarde entrando, teve massagem no yurt 9, que custou quase o mesmo preço que o jantar. Mas enquanto ouvia os elefantes marinhos rindo e o vento assobiando, sabia que a experiência era mais rica e verdadeira ao Big Sur. E pensei novamente no tal Sr. Hearst, apreciando os confortos de seu acampamento. Seu tipo de vida dura, decidi, era todo o luxo que eu precisava.

Se você for observar a natureza tomar seu rumo:

Mais de 20.000 baleias cinza têm o Pacífico como lar. De dezembro a fevereiro, a principal população se aproxima da costa da Califórnia, quando vai do Alasca para sua residência de inverno nas águas quentes de Baja Califórnia.

Em março, as baleias começam a voltar, freqüentemente trazendo seus filhotes. Entre os melhores pontos de visão, está o Treebones Resort em Cape St. Martin (71895 Highway 1, 877-424-4787; www.treebonesresort.com; yurts a partir de $129, ou cerca de R$ 270). Há também cinco locais disponíveis para acampamento de duas pessoas.

Os elefantes marinhos se fazem ouvir nas praias de Piedras Blancas, ao norte de San Simeon. Veja os filhotes nascendo e haréns se formando no mirante Elephant Seal (Mile Marker 63, Highway 1).

Para maiores informações, procure Friends of the Elephant Seal (805-924-1628; www.elephantseal.org). Com as noites claras, não há melhor instrumento para caçar estrelas e planetas do que o telescópio de 12 polegadas GPS do Post Ranch Inn (Highway 1, Big Sur; 800-527-2200; www.postranchinn.com; quarto para casal $525). Há sessões noturnas para ver as estrelas com astrônomos locais de 20h às 21h, se o tempo estiver bom.

Acompanhe a experiência com um jantar de preço fixo de US$ 85 por quatro pratos no Sierra Mar (reserva obrigatória, 831-667-2800). Na mostra permanente no centro de visitantes do Hearst Castle (750 Hearst Castle Road, San Simeon; 800-444-4445; www.hearstcastle.org; ingressos a $20, em torno de R$ 42), você pode ver fotos da família nas tendas de Camp Hill e examinar objetos do tempo de Hearst.

Em um local pitoresco da costa, Orson Welles e Rita Hayworth compraram um pequeno chalé, em 1947. Depois, venderam-no para a família Fassett, que abriu um restaurante banhado em sol, o Nepenthe, com vistas excelentes (Highway 1, Big Sur; 831-667-2345; www.nepenthebigsur.com; almoço para dois a US$ 40, ou cerca de R$ 84). Yurts acomodam os turistas diante do silêncio eloqüente do Big Sur Deborah Weinberg

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