UOL Notícias Internacional
 

26/02/2006

Liderança iraquiana luta para conter crise sectária

The New York Times
Sabrina Tavernise

Em Bagdá, Iraque
O primeiro-ministro do Iraque, seu gabinete e toda a elite política do país se reuniram em uma sessão de emergência na noite de sábado, em um esforço para conter a crise sectária que paralisou o país.

A reunião, transmitida ao vivo em rede nacional de televisão a partir da casa do primeiro-ministro Ibrahim Al Jaafari, foi uma demonstração altamente pública de boa vontade e ocorreu em meio a uma nova onda de violência que deixou cerca de 46 mortos. Ainda assim, as represálias sectárias promovidas por turbas, que tiveram inicio na quarta-feira após o atentado a bomba em Samarra contra um dos templos mais sagrados do Islã xiita, parecem ter diminuído.

Os esforços intensivos de diplomacia no sábado vieram até dos Estados Unidos: o presidente Bush telefonou para vários líderes iraquianos, incluindo o mais proeminente líder político xiita, Abdul Aziz Al Hakim, para lhes pedir que retomem as negociações sobre o novo governo, que foram atrapalhadas pela violência e recriminação.

O encontro em Bagdá, que contou com a participação dos partidos sunitas do Iraque, que antes boicotavam o processo político, veio acompanhado de uma enxurrada de declarações conjuntas e orações por parte dos líderes políticos e religiosos do Iraque, indicando o desejo de superar a crise e representando um passo crucial para tentar impedir uma queda perigosa do país na direção de uma guerra civil, disseram autoridades americanas.

"Todos acreditam que a perspectiva de uma guerra civil diminuiu significativamente nos últimos dias", disse Zalmay Khalilzad, o embaixador americano, em comentários feitos aos repórteres antes de participar da reunião. "Todos os principais líderes do Iraque acreditam que uma guerra civil deve ser evitada. É muito positivo que eles todos estejam dizendo isto."

Ainda assim, ele acrescentou, "nós ainda não estamos completamente fora de risco".

Os ministros do Interior e da Defesa do Iraque anunciaram uma prorrogação parcial do toque de recolher que foi imposto desde quinta-feira. O trânsito ainda estará proibido na capital até domingo, mas os carros poderão sair à partir das 6 horas da manhã em outras três províncias.

No sábado ocorreu um atentado a bomba em um mercado em Karbala, uma cidade sagrada para os xiitas, que resultou em cinco mortos e 35 feridos. Também ocorreram disparos fatais contra 12 membros de uma família xiita em uma fazenda ao norte de Bagdá.

O cortejo fúnebre de um jornalista iraquiano morto durante a tensão sectária foi atacado no oeste de Bagdá, matando dois policiais. E corpos continuam aparecendo: além da família xiita, as autoridades iraquianas encontraram 11 outros corpos não identificados em Bagdá e arredores.

Em outro ataque, policiais locais em Kirkuk, no norte do Iraque, disseram que uma grande bomba explodiu dentro de uma mesquita xiita, chamada Imã Ridha, danificando seu domo e um de seus minaretes.

Em uma aparição ao vivo na televisão iraquiana, os ministros do Interior e da Defesa defenderam as ações do governo pela primeira vez desde o início da violência na quarta-feira, dizendo que os relatos de ataques contra mesquitas sunitas foram exagerados.

Mesmo assim, eles disseram que mais soldados iraquianos foram preparados para serem posicionados em todo país e pediram aos líderes políticos e clérigos iraquianos para baixarem o tom de sua retórica.

Ao mesmo tempo, as forças armadas americanas disseram que aumentaram sua presença pública, se juntando às patrulhas e bloqueios de estrada.

"Todos os políticos, todos os clérigos, todos os iraquianos honestos devem dedicar todos os esforços para impedir o derramamento de sangue iraquiano e estes tumultos", disse o ministro da Defesa, Saidoon Al Dulaimy. "Se uma guerra civil tiver início neste país, ela não acabará nunca mais."

Havia outros sinais de esperança além da reunião na casa de Al Jaafari. O maior bloco político árabe sunita do Iraque anunciou no sábado que as mesquitas sunitas também serão reconstruídas.

Mas os relatos de violência continuavam, os sunitas nos bairros mistos mais atingidos permaneciam assustados e muitos disseram que empregaram as primeiras horas da noite, após o toque de recolher, para mudar suas famílias para áreas mais seguras.

Em pelo menos um caso, soldados do governo entraram em choque com sunitas em uma mesquita no bairro de Bayaa, no sul de Bagdá, resultando em 14 policiais iraquianos mortos, disse um funcionário do Ministério do Interior.

"Você pode imaginar como todos estão assustados", disse Adnan Pachachi, um ex-ministro das Relações Exteriores e membro da Assembléia Nacional. "Finalmente está havendo o entendimento de que algo precisa ser feito. Não se pode permitir que isto prossiga sem que nada seja feito." Tradução: George El Khouri Andolfato

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