UOL Notícias Internacional
 

28/02/2006

Estudo mostra que os alemães deram aos americanos os planos de defesa de Bagdá

The New York Times
Michael R. Gordon

Em Washington
Dois agentes da inteligência alemã em Bagdá obtiveram uma cópia do plano de Saddam Hussein para defesa da capital iraquiana, que uma autoridade alemã repassou aos comandantes americanos um mês antes da invasão, segundo um estudo confidencial das forças armadas americanas.

Ao fornecer o documento iraquiano, os membros da inteligência alemã ofereceram aos Estados Unidos uma ajuda mais significativa do que o governo alemão reconheceu publicamente.

O governo alemão foi um crítico particularmente vociferante da decisão do governo Bush de usar força militar para derrubar Saddam. Apesar do governo alemão ter dito que tinha agentes de inteligência em Bagdá durante a guerra, ele insistia que apenas forneceu ajuda limitada à coalizão liderada pelos Estados Unidos.

Mas o estudo militar confidencial americano documenta uma ajuda mais significativa por parte da inteligência alemã.

Contatado por telefone no domingo, Ulrich Wilhelm, o porta-voz chefe alemão, se recusou a comentar o papel dos agentes alemães.

O prelúdio para a guerra no Iraque foi um período de grande tensão nas relações entre Estados Unidos e Alemanha. Em sua campanha política de 2002, Gerhard Schröder, o então chanceler alemão, alertou contra uma invasão e jurou que Alemanha não participaria. Irritado com as posições antiguerra da Alemanha e da França, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld, ofendeu os dois países ao rotulá-los de "velha Europa" pouco antes da guerra, em março de 2003.

Mas as antigas relações entre as agências de inteligência americana e alemã persistiram. Enquanto os americanos se preparavam para invadir o Iraque, os agentes da inteligência alemã buscavam obter o plano de Saddam para defender Bagdá.

Um relato do papel alemão na aquisição de uma cópia do plano de Saddam está contido no estudo militar americano, que se concentra na estratégia militar do Iraque e foi preparado em 2005 pelo Comando Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Após a obtenção pelos alemães do plano iraquiano, eles o enviaram cadeia de comando acima, segundo o estudo.

Em fevereiro de 2003, um diretor da inteligência alemã no Qatar forneceu uma cópia a um funcionário da Agência de Inteligência da Defesa dos Estados Unidos, que trabalhava no quartel-general de guerra do general Tommy Franks, segundo o estudo militar americano.

Na quinta-feira, o governo alemão divulgou um relatório que reconheceu que agentes alemães forneceram alguma inteligência, mas sugeriu que era muito limitada.

O relatório público não mencionou nada sobre a obtenção do plano de defesa de Bagdá ou o repasse dele às forças armadas americanas, nem o governo alemão divulgou qualquer informação a respeito.

O relato do relatório militar americano confidencial descrevendo o papel alemão no fornecimento do plano de defesa de Saddam Hussein aos Estados Unidos e outros relatos neste artigo são baseados em "Cobra II: The Inside Story of the Invasion and Occupation of Iraq".

O livro, o produto de mais de dois anos de reportagem, será lançado pela Pantheon Books em março. Ele foi escrito por Michael R. Gordon, o correspondente militiar chefe de The New York Times, e Bernard E. Trainor, um general de exército aposentado do Corpo de Marines e um ex-correspondente militar do NYT. O ex-chanceler Schröder fez dura oposição à guerra do Iraque George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h39

    0,78
    3,282
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h45

    -1,72
    61.562,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host