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02/03/2006

O melhor laptop Mac corta alguns velhos toques

The New York Times
David Pogue

Colunista de tecnologia
Lembra dos cinco famosos estágios da tristeza: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação? Se você é fã do computador Macintosh, conheça os cinco estágios da troca para o novo laptop da Apple: desejo, expectativa, prazer, desânimo e espera.

Normalmente, não é notícia quando uma empresa de computadores lança um novo modelo de laptop. Você não vê manchetes de jornal anunciando: "Novo P32-XC5 da Gateway acrescenta processador mais rápido, terceira entrada USB".

Apple/The New York Times 
O novo computador portátil da Appel, o MacBook Pro featuring iChat
Mas o novo Apple MacBook Pro (a partir de US$ 2.000) é uma história diferente. Apesar de parecer quase idêntico ao existente PowerBook de 15 polegadas da empresa, algo radical está acontecendo no seu interior.

Os laptops de ponta da Apple são bonitos, finos e leves, revestidos em alumínio escovado e cheio de características: rede sem fio Wi-Fi, Bluetooth, gravador de DVD, teclas iluminadas para digitar no escuro, alto-falantes estéreo, baterias com "medidores de carga" iluminados e muito mais. Mas a velocidade dos laptops da Apple avançou muito pouco nos últimos anos, por culpa dos fornecedores de seus chips processadores (IBM e Freescale).

A Apple tomou assim uma decisão espantosa, a de substituir tal família de chips pelos chips de outra empresa da qual você já pode ter ouvido falar: a Intel.

Mas mudar a família de chips no computador não é tão simples quanto trocar um CD no aparelho de som. Todo o sistema operacional e cada programa precisa ser reescrito --recompilado, diriam os geeks-- para falar a língua do novo chip. Tal processo pode levar semanas ou meses.

Mas a Apple achou que valia a pena fazer a grande transição. Em troca, ela recebe o que há de mais avançado em potência de laptop: o novo chip Core Duo da Intel, que conta com dois cérebros eletrônicos em vez de um.

Até o final do ano, todos os modelos de Macintosh receberão um transplante de cérebro Intel. (O mesmo chip Core Duo, rodando nas mesmas velocidades, também aparecerá nos novos laptops Windows. E não, o chip Intel não torna um Mac vulnerável aos vírus para Windows. Mas significa, na teoria, que com a ajuda de um kit de conversão que alguém certamente escreverá, um Mac poderá rodar Windows.)

No mês passado a Apple colocou um chip Intel no iMac; na terça-feira, ela colocou um no Mac Mini. E nesta semana, o primeiro laptop Mac contendo o processador Intel chega ao mercado -um PowerBook de 15 polegadas que foi inexplicavelmente rebatizado de MacBook Pro. (Por que os fãs de Mac odeiam tanto o novo nome? Em parte porque todas as consoantes tornam o nome mais feio e difícil de pronunciar.)

A Apple chama o MacBook de "o melhor laptop no mundo". Na verdade, uma descrição mais precisa seria "o melhor laptop no mundo, com uma pequena dose de decepção ao lado".

É possível ver o motivo de tanto apreço por parte da Apple pela sua máquina mais recente. O MacBook de 2,54 centímetros de espessura é apenas 2,5 milímetros mais fino que o PowerBook, mas parece enormemente mais esbelto e mais futurista. Forma, acabamento e qualidade são espetaculares.

A antena para comunicação sem fio foi deslocada, de forma que a recepção Wi-Fi está muito melhor. Suas entranhas, do circuito à placa de vídeo, foram substancialmente aceleradas. A duração da bateria praticamente é a mesma dos PowerBooks: 3 a 3,5 horas.

O MacBook supera seu antecessor em cinco áreas substanciais. Primeiro, a bela tela de 1.440 X 900 pixels é muito mais clara e brilhante. É muito, muito brilhante. Com meio brilho, ela se equipara ao brilho máximo de outros laptops; no brilho máximo é possível iluminar o caminho. É realmente brilhante.

Segundo, uma minúscula câmera de vídeo está inserida discretamente acima da tela. Ela é ideal para tirar fotos para Internet (640 X 480 pixels), capturar vídeo ou criar videoblogs para serem postados online. (O farto pacote de programas do laptop inclui software para criação de blogs, sites de Internet, vídeos e podcasts.)

Melhor ainda, a câmera torna o MacBook o companheiro perfeito para o programa iChat, que permite a realização de videoconferências em tela cheia, de forma suave, com até três outras pessoas pela Internet --de graça.

Outros laptops Mac podem se juntar a estas reuniões virtuais (usando uma câmera externa), mas o MacBook é o primeiro laptop com potência para iniciar uma. (Um Mac de alta velocidade deve ser o "host" de uma conferência em iChat; máquinas mais lentas devem se conectar depois.)

A terceira melhoria é um fino controle remoto do comprimento de um dedo. Você pode usá-lo para controlar o MacBook do outro lado da sala, ativando slide shows de suas fotos, seleções de sua coleção de música, exibir seus filmes ou executar um DVD que você inseriu.

Além disso, há um novo cabo de força. A maioria das pessoas provavelmente não deve considerar um cabo de força de laptop digno de atenção, muito menos de ocupar espaço precioso em jornal. Mas este é um avanço.

Ele é conectado magneticamente ao laptop. Se alguém tropeçar no cabo --o que, no mundo real dos laptops, é praticamente inevitável-- seu computador de US$ 2 mil não despencará no chão. Em vez disso, o cabo se desconecta educadamente e cai, deixando o laptop parado exatamente onde estava, consumindo a força da bateria.

Este novo conector ainda fica iluminado para indicar que está plugado em uma tomada em funcionamento. Por outro lado, o transformador de plástico branco --no meio do cabo-- é muito maior do que antes. E, é claro, o novo conector significa que você não poderá mais trocar cabos com qualquer outro laptop Mac, como fãs da Apple fizeram por anos.

Mas a maior mudança de todas é a velocidade do MacBook. Ela está longe das medições de 4 ou 5 vezes mais rápido feitas pela Apple. Mesmo assim, a máquina voa. Ela inicializa rapidamente, os programas abrem rapidamente, o iTunes importa CDs rapidamente, o iMovie processa vídeo de alta definição rapidamente e as páginas de Internet piscam na tela, completas. Este laptop deixa você ciente de quantas pequenas pausas você tem tolerado em seu antigo computador.

Mas note que toda esta velocidade está disponível apenas quando você está usando programas que foram revisados para trabalhar com chip Intel -os chamados programas Universais.

Nesta categoria, você encontrará o próprio Mac OS X; todos os programas que vêm com o MacBook (iTunes, iMovie, iPhoto, browser de Internet, programa de e-mail, calendário e agenda e assim por diante); mais de 900 programas de outras empresas (eles estão listados no endereço www.apple.com/universal/applications); e, no final do mês, os programas profissionais da Apple (Final Cut, Aperture e assim por diante).

Infelizmente, a maioria dos programas conhecidos, como Office da Microsoft e os da Adobe, ainda demorará para ser lançado em formato Universal.

Estes programas mais velhos ainda rodam aceitavelmente no MacBook, graças à mágica do programa de tradução invisível, suave, da Apple. Mas rodam lentamente, com pausas aqui e acolá. Mesmo o Photoshop roda, apesar de editores de foto não usarem MacBooks como suas máquinas principais para Photoshop.

Mas a Apple sempre dá e tira. Desta vez, a Apple tirou um bocado de características do PowerBook. O conector de S-video, para execução de filmes com alta qualidade de TV, se foi -uma omissão estranha, dada a ênfase multimídia implicada pelo novo controle remoto (você pode restaurar a entrada de S-video com um cabo acessório de US$ 20).

O conector FireWire 800, para discos rígidos de alta velocidade, também se foi. O gravador de DVD tem apenas metade da velocidade do modelo anterior (4X em vez de 8X) e não pode mais gravar discos de DVD de camada dupla. Os atuais cartões de expansão para PC (incluindo cartões de Internet de alta velocidade por celular) não funcionam ou se encaixam no novo slot estreito ExpressCard.

O mais estranho de tudo é que a Apple removeu o modem dial-up do laptop, de forma que você não pode mais enviar e receber fax. Você também não pode se conectar à Internet em hotéis que não oferecem conexões de banda larga (ou que cobram demais por ela). A Apple aponta que você pode comprar seu minúsculo modem externo por US$ 50, mas isto é outra peça para embalar, montar e perder.

Também é preciso notar que alguns poucos programas, aqui e acolá, necessitarão de atualizações para corrigir problemas nos Macs Intel.

Eles incluem o calendário Now Up-to-Date (a lista de compromissos do dia não aparece na barra de menu), o Microsoft Virtual PC (não roda) e, pelo menos no meu sistema de teste, o Microsoft Word (treme quando você usa o truque "arraste no trackpad com dois dedos para rolar"). Os programas desenvolvidos para máquinas pré-Mac OS X, agora chamados de programas Classic, não rodam em Macs Intel e nem rodarão.

No geral, o MacBook Pro é uma máquina belamente projetada. Se não é a melhor do mundo, ela está bem perto. (A Apple dá indícios de que irmãos de 12 e 17 polegadas estão a caminho.)

Mas de muitas formas, ele é um laptop para o futuro. Ele não atingirá uma grandeza de fato até que programas importantes sejam reescritos para a velocidade do chip Core Duo, cartões de expansão para o novo slot estejam disponíveis e Internet sem fio seja oferecida em todo hotel, pensão e casa de amigo. Ate lá, é melhor chamá-lo de MacBook Po --de Potencial. Apple lança modelo de computador portátil, como chips da Intel George El Khouri Andolfato

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