UOL Notícias Internacional
 

03/03/2006

Prestígio de Hillary deixa republicanos divididos

The New York Times
Patrick Healy

Em Nova York
Esta deveria ser uma campanha exemplar republicana para as eleições de 2006: um esforço concentrado para derrotar a senadora Hillary Rodham Clinton, democrata pelo Estado de Nova York. Um esforço que, ainda que não fosse bem sucedido, entusiasmaria os doadores em nível nacional, arrecadaria milhões de dólares para o partido, e talvez enfraquecesse Hillary antes da corrida presidencial de 2008.

Ozier Muhammad/The New York Times - 7.fev.2006 
Reeleição da ex-primeira-dama ao Senado poderá reforçar eventual candidatura à Presidência em 2008
Em vez disso, para o desgosto dos republicanos em Nova York e Washington, o partido não se recuperou da implosão da campanha de Jeanine F. Pirro contra Hillary em dezembro. Os republicanos ainda buscam desesperadamente um adversário viável para enfrentar a senadora, enquanto as lideranças partidárias em Washington tentam preencher o vácuo atacando Hillary, chamando-a de "raivosa" e "frágil" --críticas que eles desejariam que estivessem sendo feitas no circuito eleitoral em Nova York.

Resumindo, o plano de combate republicano não chegou a lugar algum depois de um ano de análises de estratégias e sondagens de pelo menos seis potenciais candidatos. Um destes chegou a chamar o processo de seleção de "uma operação Keystone Kops", em uma alusão a uma antiga comédia televisiva. E o único republicano que atualmente está na disputa, John Spencer, reclama dos "elitistas do partido" que estariam contra ele.

Há apenas algumas semanas, Spencer parecia pronto a ser o principal candidato para desafiar Hillary, trazendo no seu currículo uma boa gestão como prefeito da cidade de Yonkers. Mas, segundo alguns republicanos, devido aos seus modos ásperos e a uma história de infidelidade conjugal, Spencer pode afastar o eleitorado feminino do partido e se sair mal em um embate com Hillary.

Esses críticos republicanos estão se unindo agora em torno do nome mais recente que surgiu no horizonte político da campanha deste ano: K.T. McFarland, 54, uma protegida de Henry A. Kissinger que não exerce um cargo público desde que trabalhou como porta-voz do Pentágono durante o governo do presidente Ronald Reagan.

Mas McFarland carece de experiência: desde 1985 ela só exerce o papel de mãe e dona-de-casa, e só foi trazida para a disputa senatorial por acreditar que perderia a eleição por uma cadeira parlamentar distrital na região de Upper East Side, em Manhattan.

Em uma entrevista concedida nesta semana, McFarland disse pela primeira vez que enfrentaria Hillary com base em uma plataforma centrada nas questões de segurança nacional e defesa, devido ao seu histórico de trabalho. Ela disse ainda que não recorrerá a baixarias, tendo afirmado que o seu partido errou ao chamar Hillary de raivosa.

McFarland e os seus assessores disseram que a batalha no Senado se constituirá em uma chance crucial antes da eleição presidencial para testar Hillary e expor aquilo que eles enxergam como um histórico de votos parlamentares liberais da senadora.

"Ou nós acabamos com Hillary Clinton em 2006 em Nova York, ou damos a ela um passe livre, deixando que construa bases em todo o país ao ajudar outros candidatos, e que saia de Nova York como uma grande vencedora, tornando-se imbatível em 2008", advertiu Ed Rollins, assessor político de Reagan e de Perot, e que está ajudando a criar a incipiente candidatura de McFarland. "Os republicanos precisam demonstrar seriedade neste momento para escolherem alguém capaz de enfrentar Hillary".

Estrategistas republicanos em Washington dizem que a equipe política da Casa Branca também deseja ver um adversário forte para enfrentar Hillary, mas que no momento se concentra em disputas nas quais os republicanos têm mais chance de emergirem vitoriosos, e que ajudariam a preservar as maiorias republicanas na Câmara e no Senado.

"Karl adoraria ver Hillary derrotada, mas será que esta seria a melhor forma de utilizar tempo e dinheiro? A resposta é não", afirma um estrategista, que descreveu uma conversa com Karl Rove, o assessor político do presidente Bush, sobre a campanha de Hillary, e que pediu que o seu nome não fosse divulgado nesta reportagem. "Não ajuda em nada o fato de os republicanos do Estado de Nova York não serem capazes de encontrar um nome para enfrentar a senadora Clinton".

Ao recrutarem McFarland, os republicanos estão de certa forma retornando à sua teoria original, segundo a qual o melhor adversário de Hillary seria uma outra mulher dura e de bom desempenho televisivo, que apoiasse os direitos ao aborto e que fosse capaz de atrair os votos femininos.

"Entrar na disputa com um homem ou uma mulher é uma questão-chave neste ano, mas também é algo fundamental para o futuro do nosso Partido Republicano no Estado de Nova York", afirma Robert Davis, o líder republicano do condado de Erie, que, juntamente com James Ortenzio, o líder partidário do condado de Manhattan, apóia a candidatura de McFarland.

Acreditava-se que Pirro preencheria esta lacuna relativa ao sexo do candidato, e o partido no Estado a apoiava com tal intensidade que um republicano respeitado, o advogado Edward F. Cox, genro do presidente Richard M. Nixon, se retirou da disputa em favor da candidata no último outono.

Mas a experiência de Pirro como ex-advogada distrital no condado de Westchester não parecia se coadunar com os atuais debates no Senado sobre impostos, Social Security, ou o Iraque, e a sua campanha por arrecadação de verbas naufragou nacionalmente, em parte devido a uma falta de preparação que gerou gafes bastante noticiadas.

Talvez refletindo a sua inexperiência no mundo político, McFarland se recusou a falar muito sobre tais questões, alegando que ainda está estudando detalhes. Ela primeiro se definiu como uma "republicana moderada", e depois como uma "republicana da linha de Reagan".

McFarland se recusou a dizer qual teria sido o seu voto com relação à guerra no Iraque, mas afirmou acreditar que mais tropas norte-americanas deveriam ser enviadas para o país islâmico.

Ela disse que o seu foco seria a luta contra o terrorismo e o fortalecimento da segurança nacional, e apresentou algumas justificativas para disputar a eleição segundo uma plataforma altamente pró-família.

"A guerra contra o terrorismo não será fácil, e, sob vários aspectos, ela será mais difícil do que a Guerra Fria", afirmou McFarland. "Não é hora de fazer política, de fazer 'pegadinhas', de conversar apenas com republicanos ou com democratas. É hora de discutirmos aquilo quanto ao qual concordamos. Quais são os pontos que temos em comum?".

"O meu objetivo ao disputar uma vaga no Senado se baseia no fato de eu desejar garantir a maior segurança possível para os meus filhos e netos", explicou McFarland, que tem cinco filhos e três netos.

"O escritório do meu marido fica acima da Grand Central Station (uma estação de metrô de Nova York). Se houver um ataque terrorista no metrô, aquele será um alvo potencial. Tenho uma filha que está na Academia Naval. Em caso de conflito, ela estaria na primeira leva a ser enviada para o estrangeiro. Se os Estados Unidos adotarem políticas míopes ou irresponsáveis, a minha filha arcará com as conseqüências".

Não importa quem seja o seu adversário republicano, Hillary está formidavelmente em forma como senadora, possui altos índices de aprovação, tem um currículo bastante respeitado, e conta com o status de celebridade em um Estado de tendência democrata, após ter passado oito anos como primeira-dama.

As pesquisas indicam que ela é extremamente popular em Nova York, com índices favoráveis na faixa dos 60%. As pesquisas também demonstraram que os ataques desfechados contra ela pelos republicanos de Washington só fizeram com que a sua popularidade aumentasse.

"Os ataques republicanos contra a senadora Clinton foram tiros que saíram pela culatra", explica Mark Penn, o analista de pesquisas da senadora. "São os republicanos que revelam um traço de radicalismo partidário à medida que continuam a se afundar nas pesquisas".

Enquanto Hillary já conta com US$ 17 milhões para despender na eleição, McFarland arrecadou cerca de US$ 600 mil para a disputa, embora ela e o marido, Alan, um banqueiro de investimentos, sejam ricos. Rollins disse que ela seria mais bem sucedida do que Pirro junto aos doadores republicanos do país devido ao seu histórico de trabalho com o presidente Reagan e à sua atuação nas questões de defesa. Ela foi uma das autoras do famoso discurso "Guerra nas Estrelas", feito pelo ex-presidente.

"Ela possui a estatura e a atratividade que os republicanos desejam", disse Rollins. "Já o ex-prefeito de Yonkers não seria necessariamente visto como um candidato notável pelos figurões do partido".

Spencer, que está em campanha desde a primavera do ano passado, desprezou McFarland em uma entrevista, rotulando-a de "uma liberal republicana elitista de Manhattan", e dizendo que ela chegou muito tarde, já que ele obteve o apoio dos republicanos e do comitê executivo do Partido Conservador. O Partido Conservador escolherá oficialmente o seu candidato em maio. Todo republicano que foi vitorioso no Estado de Nova York desde 1974 contou com o apoio do Partido Conservador.

Durante a administração de Spencer, os índices de criminalidade e os impostos locais caíram em Yonkers, e novas escolas e projetos à beira d'água foram construídos. Mas ele é uma figura controversa: como prefeito, estando casado, teve dois filhos com a sua chefa de gabinete. Após anos de perguntas embaraçosas, ele admitiu publicamente o relacionamento, se divorciou da mulher e casou-se com a ex-assessora.

Para Stephen J. Minarik III, o presidente do Partido Republicano no Estado que recrutou Pirro, e que agora está apoiando Spencer, a sua equipe passou um longo ano elaborando estratégias que ele gostaria de concluir sem que houvesse uma batalha entre os republicanos nas primárias.

Ele afirmou que as portas não estão fechadas para McFarland --que se reuniu na quinta-feira (2/3) com Joseph L. Bruno, o líder da maioria no Senado-, mas frisou que é muito tarde para que ela lance uma candidatura.

"Nós realmente precisamos concentrar as nossas atenções em Hillary Clinton e detê-la antes que ela dispute a presidência", afirmou Minarik, alarmado. Ex-assessora de Reagan poderá enfrentar a senadora nas eleições Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host