UOL Notícias Internacional
 

09/03/2006

Seguro em casa? Não se o filho estiver na Internet

The New York Times
Anna Bahney
Sandi Lester foi a uma reunião de segurança na escola primária de sua filha em Irvine, Califórnia, porque estava preocupada. Quando ela saiu da reunião, ela estava apavorada.

A apresentação, dada por um policial, não era sobre uso de drogas ou bebidas alcóolicas entre menores. Era sobre o mais recente temor dos pais: sites de redes sociais na Internet.

Apesar de os pais estarem sendo alertados sobre a segurança na Internet há anos, uma onda de notícias sugerindo que predadores monitoram salas de bate-papo e sites como MySpace.com em busca de vítimas potenciais tem provocado um aumento no número de reuniões de pais desde janeiro, disseram especialistas em segurança de Internet.

Apenas na semana passada ocorreram reuniões em escolas em Connecticut, Delaware, Illinois, Michigan, Califórnia, Nova York, Geórgia, Flórida, Alasca, Kansas, Texas e Maine.

Em tais reuniões, que podem ser conduzidas pelos diretores da escola, pela polícia, agentes do FBI e até mesmo por promotores federais, os pais são orientados a examinar as páginas de seus filhos e a conversar com eles sobre a atividade na Internet. Eles são instruídos a se tornarem familiarizados com os sites de redes sociais -MySpace.com, Livejournal.com, Xanga.com e outros- que encorajam adolescentes a postarem fotos, entradas de blogs, clipes de música e a compartilhar mais informação pessoal do que comunidades online anteriores como as salas de bate-papo.

A nova onda de preocupação tem levado alguns pais a restringirem o uso da Internet pelos filhos e tem aumentado a conscientização dos jovens do potencial de assédio online. Mas alguns especialistas em segurança de Internet dizem que o temor dos sites de rede tem crescido desproporcionalmente às ameaças reais e de que há uma paranóia injustificada em relação aos sites.

"Todos estão apavorados", disse Parry Aftab, a diretora da Wired Safety, um grupo sem fins lucrativos de voluntários que realizam reuniões de segurança para pais. "Eles estão convencidos de que o Bicho-Papão da Internet irá entrar pela sua janela", disse ela. "Até o momento isto não aconteceu."

Quando os pais voltam para casa com planos de visitar as páginas dos filhos no MySpace ou de restringir o acesso à Internet, o temor deles freqüentemente é recebido com irritação adolescente.

Para muitos jovens, os sites de redes sociais são apenas locais onde se encontrar, não diferentes dos shopping centers nos anos 80 ou das lanchonetes nos anos 50.

Quando Lester perguntou ao seu filho de 14 anos, Sam, sobre o MySpace, ele lhe disse que a maioria dos adolescentes sabe o suficiente para limitar a informação pessoal, da mesma forma que não aceitam carona de estranhos.

"Os pais vão entrar em pânico", disse Sam. "Eles vão reagir exageradamente." Ele disse que eles "ficaram malucos" com as salas de bate-papo online há dois anos e agora estão fazendo o mesmo com o MySpace.

"De repente alguém, alguma pessoa ao acaso em Illinois ou outro lugar, é seqüestrado e então vira um problema", disse Sam.

O MySpace, que foi criado em 2003 e explodiu para incluir cerca de 60 milhões de usuários registrados, se tornou o site de rede social predominante, ofuscando outros como Friendster.com, Tribe.net, Xanga.com e Meetup.com. Já que as páginas dos usuários freqüentemente estão disponíveis para milhões de outros membros, elas podem atrair visitantes indesejados, incluindo predadores.

No mês passado em West Milford, Nova Jersey, a polícia acusou um homem de 21 anos de atacar sexualmente uma menina de 15 anos que ele teria conhecido no MySpace.

E na semana passada, no que os promotores descreveram como o primeiro caso federal de sexo envolvendo o MySpace, dois homens -um de Nova York e outro da Pensilvânia- foram acusados de atacar garotas de 11 e 14 anos em Connecticut. A polícia disse que os homens conheceram as garotas no MySpace.

Chris DeWolfe, o executivo chefe do MySpace, disse que a empresa está trabalhando para proteger os usuários. Ela tem postado dicas de segurança e estabeleceu um número de telefone para contato direto com a polícia.

O MySpace, ele disse, tem uma equipe de 90 funcionários dedicada a policiar o site contra conteúdo impróprio, como fotos de nudez e usuários que estão abaixo da idade mínima de inscrição de 14 anos.

DeWolfe disse que os membros podem restringir o acesso às suas páginas a uma lista seleta de amigos, uma estratégia freqüentemente recomendada em reuniões de pais sobre segurança na Internet.

O Departamento de Justiça conta com 45 forças-tarefa de Crimes contra Crianças pela Internet em todo o país. Agentes que se passam por usuários menores de idade na Internet realizaram 600 prisões em 2005, disse uma porta-voz do Departamento de Justiça.

Mas ataques de fato derivados de encontros online são raros, disse Aftab da Wired Safety. Em nenhum caso, ela notou, o predador encontrou uma criança pessoalmente sem primeiro se comunicar com a vítima online.

Isto é encorajador, disse Aftab, porque significa que é possível "prevenir 100%" os encontros reais com predadores, desde que a criança não revele onde mora nem concorde em se encontrar com alguém.

A mais recente onda de preocupação dos pais parece ter sido provocada por "To Catch a Predator", uma série do programa de notícias "Dateline" da rede de TV NBC, que teve início em setembro de 2004. A série incluiu três programas nos quais câmeras escondidas registraram homens chegando para se encontrar com pessoas que acreditavam ser adolescentes. Os adolescentes revelaram ser voluntários de um grupo dedicado a policiar o assédio pela Internet.

"O especial do 'Dateline' foi o ponto culminante", disse Danah Boyd, um antropóloga cultural e candidata a doutorado pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, que estuda sites de redes sociais como MySpace.

Os homens expostos pelo programa "Dateline" incluíam um professor colegial, um rabino e um médico. No final, os homens se viram face a face com Chris Hansen, um repórter do "Dateline" e, no último episódio, com os policiais que os prenderam.

"Nós tivemos uma resposta imensa", disse Hansen. "As pessoas ficaram surpresas com a extensão do problema e quiseram saber como proteger seus filhos, especialmente destas redes sociais."

Algumas autoridades que realizaram reuniões comunitárias sobre predadores online reconhecem que estão exagerando a ameaça potencial para obter a atenção dos pais.

Steve Wolf, um policial de Irvine que fez muitas apresentações no Sul da Califórnia, disse que escolheu deliberadamente as "páginas picantes" dos sites. "Eu tento escolher as páginas que provocam mais 'oohs' e 'ahs'", disse ele.

De forma semelhante, Colm F. Connolly, um promotor federal de Delaware, disse que conta "histórias de guerra", entre elas uma sobre um agente que se apresentou como uma adolescente disponível online e, em questão de minutos, foi contatado por um pedófilo. Quando o agente marcou o encontro, o homem apareceu com um picador de gelo e uma caixa de preservativos.

"Eu estou tentando assustar as pessoas? Certamente", disse Connolly. "Mas não estou tentando causar pânico. Eu só quero que as pessoas saibam quais são os riscos."

Erica Hoegh, a diretora da Escola Primária Eastshore em Irvine, questionou se soar o alarme é a melhor estratégia, porque os pais já estão em pânico. "Você precisa dizer a estas pessoas para relaxarem", disse Hoegh.

O mais importante, disse Hoegh, é que os pais sejam orientados a perguntarem a seus filhos com quem estão se encontrando online. "Muitas pessoas não arrumam tempo para conversar com seus filhos", disse ela. "Esta é uma oportunidade para se relacionar com eles."

A nova onda de preocupação dos pais segue um padrão histórico, disse Boyd. Nos anos 1820, eles ficaram aterrorizados com as romances, ela disse, e em décadas mais recentes, com o rock and roll. Mas à medida que o pouco familiar se torna aceito, o medo desaparece.

"Atualmente nós não achamos o rock and roll nem remotamente sórdido", disse Boyd. "Elvis Presley? É risível."

No mês passado, no Packer Collegiate Institute no Brooklyn, Bruce Dennis, o diretor, realizou uma reunião para alertar os pais sobre os sites de redes sociais.

"Muitos estudantes ficaram imediatamente furiosos e ultrajados", disse Jenni Carosone Cieselski, 17 anos, a editora do jornal de escola, "The Prism". "Eles sentiram que sua privacidade estava sendo violada pelo fato do diretor ter tratado do assunto com os pais antes dos alunos."

Mas após a reunião uma pesquisa realizada pelo jornal mostrou que 80% dos alunos da Packer restringiram o acesso às suas páginas no MySpace aos seus amigos. Antes da reunião, apenas 14% faziam isso. George El Khouri Andolfato

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